A música é um dos “calcanhares de Aquiles” do evangelicalismo brasileiro. Um dos motivos é o fato dela ter sido aparelhada como ferramenta de manipulação emocional, sendo nada mais que um combinado de barulhos. Em suma; é pura turbulência. Outro motivo — o principal — é a questão conteudista. A esse respeito, a Declaração de Cambridge afirma: “Os pastores têm negligenciado sua vigilância legítima da adoração, incluindo o conteúdo doutrinário da música”. Isso deságua em letras monotemáticas, repetitivas e desprovidas de poesia. Porém, há um aspecto em comum em todas elas, a antropolatria. Antropolatria é, em outras palavras, o culto à personalidade. Isto é, o homem é deificado e, consequentemente, adorado. Há um repertório infinito que comprova inequivocamente essa verdade. Contudo, em se tratando de evangelicalismo brasileiro, o fim do poço nunca é o fim, de fato. Adoração, que na prática deveria ser a contemplação reverente e extasiada de Deus, tornou-se a celebração perversa das vaidades humanas. Como se isso não fosse terrivelmente maligno o suficiente, as músicas lançam mão de fragmentos bíblicos distorcidos para darem um ar “sacro” às letras. Contudo, quando analisa-se as letras, elas, na verdade, parecem que “deus” está adorando o homem. Elas citam Deus, mas o homem sempre está na primeira pessoa. A negligência da vontade de Deus em como quer ser adorado, conforme exposto nas Escrituras, resulta em músicas que parecem adorar a Deus, mas na verdade adoram os ídolos do coração, que Calvino havia alertado como sendo: “uma fábrica de ídolos”. A adoração não é — em plano primário — ferramenta de evangelismo ou instrumento de consolo. Ainda que essas e outras coisas possam resultar da adoração, a sua prioridade é agradar a Deus. E se isso não está efetivamente acontecendo, podemos chamar de qualquer coisa, menos de adoração.
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