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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

MINHA

 DISPENSACIONALISMO E TEOLOGIA DE DOMÍNIO 

O dispensacionalismo é uma perspectiva teológica cristã com ênfase escatológica, pois afirma que a segunda vinda de Jesus Cristo será precedida pelo arrebatamento dos cristãos fiéis, seguido de um período de sete anos de tribulação que culminará com a batalha do Armagedom e o estabelecimento do Reino Milenar de Jesus Cristo na Terra. Apesar de ter sido popularizada no Brasil durante o regime militar, este sistema interpretativo da Bíblia surgiu há mais ou menos duzentos anos com o inglês John Darby. Entre as diversas crenças que marcam esta vertente teológica, está a ideia de que Deus tenha dois povos na terra, a igreja e Israel, e, que, portanto, teria planos distintos para cada um deles. Esta é, sem dúvida, a razão pela qual se verifica tanta devoção a Israel por parte de cristãos evangélicos. Outra ideia popular entre cristãos dispensacionalistas é a iminência do fim do mundo. Não foi em vão que os Estados Unidos enviaram tantos missionários dispensacionalistas ao Brasil após o golpe de 1964. O objetivo era frear o avanço de teologias mais engajadas com a transformação da realidade, tais como a teologia da libertação e a teologia da missão integral. Por várias décadas, os cristãos brasileiros se negaram a envolver-se em questões políticas, convencidos de que qualquer atuação seria inócua. A partir de meados dos anos 80, em nome da moral e dos bons costumes, cristãos se engajaram politicamente, receosos de que agendas esquerdistas pudessem coibir a liberdade religiosa e impor uma moralidade oposta à defendida pelas igrejas. A partir daí, aos poucos, o dispensacionalismo foi substituído pela teologia de domínio, linha de interpretação e pensamento teológico sobre o papel da igreja na sociedade contemporânea. Segundo a teologia do domínio, o cristianismo bíblico (eufemismo para fundamentalismo evangélico) deve governar todas as áreas da sociedade, pessoais e corporativas. Os defensores desta linha de pensamento acreditam que a sociedade será reconstruída pela Lei de Deus entregue a Moisés, visto que todas as leis morais contidas no Antigo Testamento ainda seriam obrigatórias hoje, mesmo sob a regência da Nova Aliança inaugurada por Jesus. Eles creem piamente que Cristo não retornará à terra até que tal reino seja estabelecido através da ação conjunta entre a igreja e o estado devidamente cristianizado. Portanto, o objetivo principal da teologia do domínio é a dominação política e religiosa do mundo através da implementação das leis morais, e suas punições subsequentes. Pode-se dizer que o vácuo deixado pelo dispensacionalismo foi preenchido pela teologia de domínio, ambos enlatados teológicos “made in USA”.


Já fui dispensacionalista. Acreditei que minha geração seria a última, a que testemunharia o arrebatamento. Nos anos 90, conheci e abracei a teologia de domínio. Hoje, percebo quanto tais teologias fizeram mal à igreja e ao mundo. 


Não fomos enviados a conquistar o mundo. Nem mesmo a impor nossa moral. Tampouco a converter pessoas para que sejam arrebatadas numa espécie de fuga ou livres de uma punição eterna no inferno. Fomos chamados e enviados a amar as pessoas, sem lhes impor absolutamente nada. A exemplo de Jesus, o rei dos reis que se esvaziou, devemos assumir o papel de servos de todos, movidos exclusivamente por amor. Queremos que todos se convertam uns aos outros, pois só assim teremos sido convertidos a Deus. Cristãos podem e devem se envolver em qualquer atividade que seja lícita, entre as quais, a política, a cultura, o comércio, a ciência, porém, sempre com o objetivo de servir, de ser canal de bênção para a sociedade como um todo, e não para impor uma agenda moralista ou uma visão fundamentalista do mundo. Sejamos agentes do reino do amor de Deus e não do imperialismo estadunidense

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