Partidas e chegadas se alternam na vida de todos. Penso que não devemos apressar e nem retardar. O segredo é acertar o momento. A oração tem me ajudado muito, quando decisões precisam ser tomadas. Mas é importante prestar atenção pois há partidas que não acontecem por falta de amor, mas por excesso de dor. O coração demora a aceitar que certos lugares, vínculos ou situações deixaram de favorecer a vida interior. Permanecer pode parecer fidelidade, mas nem sempre é. Às vezes, permanecer é apenas medo de atravessar a ruptura necessária. Saber a hora de partir exige escuta profunda, porque nem toda dor pede despedida, mas há dores que revelam claramente que algo se tornou insustentável. Deus não nos criou para viver presos ao que fere continuamente a dignidade da alma. Ele nos chama à paz, mesmo quando o caminho até ela passa por decisões difíceis. Partir não significa apagar o que foi bonito, nem negar a importância do que se viveu. Significa reconhecer que alguns ciclos cumprem sua missão e depois começam a machucar mais do que amadurecer. A dor de ir embora é real. Ela carrega saudade, insegurança e perguntas. Mas a dor de permanecer onde a vida se estreita pode consumir lentamente a esperança. Há momentos em que a coragem não está em insistir, mas em soltar com respeito aquilo que já não pode ser morada. Toda despedida verdadeira precisa de humildade. É preciso agradecer o que ensinou, acolher o que feriu, recolher a própria história e seguir sem transformar tudo em ressentimento. Deus acompanha também os passos que se afastam. Ele não está apenas nos encontros, está igualmente nas partidas que libertam. Aos poucos, a alma entende que ir embora pode ser um gesto de cuidado, não de abandono. Pode ser o início de uma paz que antes parecia impossível. E quando o coração parte com verdade, mesmo chorando, descobre que alguns adeuses não encerram a vida. Apenas devolvem espaço para que ela respire novamente.
Pedro Cesario Neto
Chave pix: pixeterj@gmail.com
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segunda-feira, 15 de junho de 2026
POBREZA
“A pressa em mostrar que não se é pobre é, em si mesma, um atestado de pobreza. A nossa pobreza não pode ser motivo de ocultação. Quem deve sentir vergonha não é o pobre mas quem cria pobreza.
Vivemos hoje uma atabalhoada preocupação em exibirmos falsos sinais de riqueza. Criou-se a ideia que o estatuto do cidadão nasce dos sinais que o diferenciam dos mais pobres.
Recordo-me que certa vez entendi comprar uma viatura em Maputo. Quando o vendedor reparou no carro que eu tinha escolhido quase lhe deu um ataque. “Mas esse, senhor Mia, o senhor necessita de uma viatura compatível”. O termo é curioso: “compatível”.
Estamos vivendo num palco de teatro e de representações: uma viatura já é não um objecto funcional. É um passaporte para um estatuto de importância, uma fonte de vaidades. O carro converteu-se num motivo de idolatria, numa espécie de santuário, numa verdadeira obsessão promocional.
Esta doença, esta religião que se podia chamar viaturolatria atacou desde o dirigente do Estado ao menino da rua. Um miúdo que não sabe ler é capaz de conhecer a marca e os detalhes todos dos modelos de viaturas. É triste que o horizonte de ambições seja tão vazio e se reduza ao brilho de uma marca de automóvel.
É urgente que as nossas escolas exaltem a humildade e a simplicidade como valores positivos.
A arrogância e o exibicionismo não são, como se pretende, emanações de alguma essência da cultura africana do poder. São emanações de quem toma a embalagem pelo conteúdo.”
Este discurso fora integralmente publicado na obra “E se Obama fosse africano?”
PROFETA
O profeta não morreu porque começou errado. Ele morreu porque começou obedecendo e terminou ouvindo a voz errada. Deus tinha dado uma ordem clara: não coma pão, não beba água e não volte pelo mesmo caminho. Ele resistiu ao convite do rei, venceu a primeira proposta, saiu do lugar onde Deus mandou sair, mas no meio do caminho apareceu uma voz com aparência espiritual dizendo que um anjo tinha falado outra coisa. E é aqui que muita gente se perde. Nem sempre o perigo vem gritando contra você. Às vezes ele vem com discurso bonito, com tom de conselho, com aparência de experiência e até usando o nome de Deus. Aquele profeta não foi derrubado pelo rei, foi derrubado por uma voz que parecia confiável. Ele não caiu porque não ouviu Deus. Ele caiu porque deixou alguém desfazer aquilo que Deus já tinha falado. E o leão no caminho não foi acaso, porque o leão matou o profeta, mas não comeu o corpo e não tocou no jumento. Era como se Deus estivesse deixando uma mensagem no caminho: quando a direção vem do céu, nenhuma voz da terra tem autoridade para te tirar dela. Cuidado com quem chega depois tentando mudar a ordem que Deus já te deu. Nem toda voz mansa é direção. Nem toda pessoa antiga no caminho está falando por Deus. Nem toda frase espiritual carrega obediência. Tem gente que não precisa te convencer a abandonar Deus, só precisa te convencer a negociar uma parte daquilo que Deus falou. E quando a pessoa começa a relativizar uma ordem clara, ela pode estar caminhando para um lugar onde nunca deveria ter voltado. Antes de ouvir qualquer voz, volte para a primeira palavra. O que Deus te mandou fazer? O que Deus te mandou deixar? Por qual caminho Ele te mandou não voltar?
“E foi-se ele, e achou-o um leão no caminho, e o matou.” 1 Reis 13:24
Comente: qual voz você precisa parar de ouvir para voltar a obedecer ao que Deus já falou?
CAMINHO
Você já percebeu que Deus raramente revela o caminho inteiro?
Ele chamou Abraão sem mostrar o destino. Fez Moisés encarar o mar antes de abri-lo. Permitiu que José passasse pela cisterna, pela escravidão e pela prisão antes do palácio. E deixou os discípulos enfrentarem a tempestade antes de acalmar o vento.
Porque a fé não cresce quando tudo faz sentido. A fé cresce quando continuamos caminhando mesmo sem entender.
Talvez hoje você esteja vivendo uma oração sem resposta, uma luta sem explicação ou uma espera que parece longa demais. Mas a Bíblia nos ensina que Deus nunca perde o controle da história. Aquilo que parece atraso pode ser preparação. Aquilo que parece silêncio pode ser direção. Aquilo que parece o fim pode ser apenas o começo de algo maior.
Não julgue a fidelidade de Deus pelo capítulo que você está vivendo agora. O mesmo Deus que abriu o mar, derrubou muralhas, fechou a boca dos leões e ressuscitou mortos continua governando todas as coisas.
Quando suas forças acabarem, lembre-se: Deus não precisa de circunstâncias favoráveis para realizar milagres. Ele apenas procura corações que continuem confiando.
“Porque para Deus nada será impossível.” (Lucas 1:37)
domingo, 14 de junho de 2026
JESUS
“Agora, tudo é Jesus…”
Talvez você olhe para alguém transformado e pense que é exagero quando ele fala de Cristo. Talvez pareça radical demais abandonar antigos caminhos, mudar prioridades e viver para Deus. Mas a verdade é que quem foi alcançado pela graça conhece a profundidade do abismo de onde foi tirado.
Aquele que foi perdoado muito, ama muito. Aquele que estava perdido e foi encontrado não consegue mais viver como antes. Quando Jesus entra na vida de alguém, Ele não faz apenas ajustes externos; Ele transforma o coração, muda os desejos, renova a mente e dá um novo propósito.
O mundo vê renúncia. O cristão vê libertação.
O mundo vê perda. O cristão vê ganho.
O mundo vê fraqueza. Deus vê um coração rendido.
Talvez as pessoas não entendam por que você fala tanto de Jesus. Talvez elas não saibam das lágrimas que você derramou, das batalhas que enfrentou, dos pecados que o aprisionavam ou das noites em que Deus sustentou você quando ninguém mais podia.
Mas você sabe.
Você sabe quem era sem Cristo.
Você sabe quem está se tornando por causa dEle.
Por isso, quando alguém disser: “Agora tudo é Jesus”, responda com humildade e gratidão:
“Sim. Porque sem Ele eu estava perdido, mas por Sua graça fui encontrado.”
📖 “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” — 2 Coríntios 5:17
🤍 Se Jesus transformou a sua vida, escreva nos comentários: “Tudo é Jesus!” e compartilhe esta mensagem para alcançar alguém que precisa lembrar de onde Deus o tirou.
MOMENTOS
Há momentos em que viver exige mais do que coragem. Exige confiança.
Todos os dias entregamos partes de nós a alguém. Entregamos tempo, afeto, expectativas, sonhos. Depositamos nas mãos de outras pessoas aquilo que temos de mais precioso sem perceber que, muitas vezes, estamos assinando contratos invisíveis.
Fazemos isso porque ninguém consegue viver em permanente estado de alerta. Confiar é um ato necessário. É a ponte que nos permite atravessar a solidão e encontrar o outro.
Mas toda ponte precisa de pilares.
O problema começa quando confundimos esperança com evidência. Quando acreditamos que a bondade de alguém é real apenas porque desejamos que seja. Quando projetamos virtudes que nunca foram demonstradas. Quando enxergamos profundidade onde existe apenas aparência.
A vida, afinal, é feita de cordas invisíveis.
Cada vez que confiamos em alguém, colocamos uma dessas cordas em suas mãos e nos posicionamos na outra ponta. Quem segura a corda assume uma responsabilidade enorme, porque sabe que existe alguém dependurado nela. Alguém que pode ser sustentado ou abandonado. Alguém que pode continuar em segurança ou despencar no vazio.
O problema é que nem todos compreendem o peso dessa responsabilidade.
Há quem segure a corda com firmeza e faça de tudo para que você não caia. Há quem a segure apenas enquanto é conveniente. E há aqueles que, por egoísmo, indiferença ou crueldade, simplesmente a soltam.
Então entregamos as chaves da nossa casa interior a quem sequer aprendeu a cuidar da própria.
E um dia descobrimos que nem todas as mãos acolhem. Algumas apenas tomam. Nem todos os abraços protegem. Alguns aprisionam. Nem toda companhia deseja nossa chegada ao destino. Há quem caminhe ao nosso lado apenas para observar onde iremos cair.
As maiores feridas raramente são provocadas por inimigos. Quase sempre vêm daqueles a quem demos acesso ao que havia de mais íntimo em nós.
E quando a confiança é quebrada, não é apenas uma relação que se rompe.
É a corda que escapa das mãos de quem prometeu segurá-la.
E quando isso acontece, não é apenas o corpo que despenca. São os sonhos. São as expectativas. São as certezas que construímos sobre as pessoas e sobre o mundo.
Algo dentro de nós também se estilhaça.
A espontaneidade se recolhe.
A esperança aprende a desconfiar.
A alegria perde um pouco da sua leveza.
O coração passa a olhar para cada novo encontro como quem examina os escombros de uma antiga tragédia.
Por isso, antes de entregar sua corda a alguém, observe.
Não tenha pressa de chamar alguém de amigo.
Não tenha pressa de chamar alguém de amor.
Não tenha pressa de fazer de alguém um porto seguro.
O tempo revela o que os discursos escondem.
Caráter não se conhece pelas promessas feitas nos dias ensolarados, mas pela forma como alguém permanece quando chegam as tempestades.
Veja se a pessoa tem força para sustentar o peso da confiança que você lhe entrega. Veja se ela compreende a responsabilidade de manter as mãos firmes quando você estiver vulnerável na outra ponta.
Confiança não é um presente que se oferece de uma vez. É uma construção que se faz tijolo por tijolo.
E quanto mais valiosa for a parte de você que será entregue, mais importante é saber quem está do outro lado para recebê-la.
Porque algumas pessoas seguram a corda com tanta firmeza que se tornam abrigo para a nossa vida.
Outras a soltam sem hesitar e nos deixam cair de alturas das quais nem sempre voltamos os mesmos.
MACACOS
A história dos cinco macacos é um velho conto que se popularizou como um exemplo de como nossas atitudes e ações podem ser influenciadas pelo grupo ao qual pertencemos. Ela também nos lembra da importância de questionar o que nos é dito e de pensar por nós mesmos.
A história diz que havia cinco macacos em uma jaula. No topo da jaula, havia um cacho de bananas. Quando um macaco subia na jaula para pegar a banana, os outros macacos eram borrifados com água fria. Depois de algum tempo, todos os macacos aprenderam a não subir na jaula, mesmo quando a banana estava lá.
Um dia, um dos macacos foi substituído por um novo macaco. Quando ele tentou subir na jaula para pegar a banana, os outros macacos o impediram. Eles não sabiam por que não podiam subir na jaula, mas aprenderam a agir dessa maneira pelo condicionamento que sofreram.
Um a um, os outros macacos foram substituídos por novos macacos. No final, todos os macacos na jaula eram novos, mas continuavam a impedir que qualquer um deles subisse na jaula para pegar a banana, sem saber o motivo.
Essa história é uma metáfora para como muitas vezes seguimos regras e atitudes simplesmente porque foram transmitidas a nós pelo grupo ao qual pertencemos, sem questionar se essas regras ou atitudes são realmente importantes ou corretas. Ela nos lembra da importância de questionar o que nos é dito e de pensar por nós mesmos.
Em nossas vidas, muitas vezes nos encontramos em situações em que somos pressionados a agir de determinada maneira porque “é assim que as coisas são feitas”. Mas é importante lembrar que nós sempre temos a opção de questionar as normas e atitudes estabelecidas e de formar nossas próprias opiniões.
Por exemplo, se todos em nossa comunidade insistem que determinado comportamento é errado, é importante questionar por que isso é considerado errado e se realmente acreditamos nisso. Talvez haja razões válidas para essa atitude, mas também pode ser que essa atitude esteja baseada em preconceitos ou crenças equivocadas.
Não é fácil questionar o status quo e ir contra a corrente, mas é essencial se quisermos evoluir como indivíduos e como sociedade. Ao questionarmos nossas próprias atitudes e as dos outros, podemos chegar a compreensões mais profundas e a soluções mais criativas e inovadoras para os problemas que enfrentamos.
A história dos cinco macacos nos lembra da importância de questionar as normas e atitudes estabelecidas, de pensar por nós mesmos e de ter a coragem de ir contra a corrente quando acreditamos que é necessário. Ao fazermos isso, podemos evoluir como indivíduos e como sociedade, e encontrar soluções mais criativas e inovadoras para os desafios que enfrentamos.
APRENDA
Que o nosso coração aprenda a descansar na soberana vontade de Deus. Nem sempre entenderemos os caminhos que Ele escolhe, mas podemos confiar que Seus planos são maiores do que nossos sonhos e Sua sabedoria vai além da nossa compreensão.
A Palavra nos ensina que a vontade do Senhor é “boa, perfeita e agradável” (Romanos 12:2). Boa, porque procede de um Pai amoroso. Perfeita, porque não contém erros. Agradável, porque produz paz naqueles que confiam n’Ele.
Mesmo quando o dia parecer difícil, lembre-se: Deus continua governando cada detalhe da sua história. Nenhuma lágrima é despercebida, nenhuma oração é ignorada e nenhum propósito divino pode ser frustrado. O que hoje parece confuso, amanhã revelará a fidelidade do Senhor.
Entregue seus planos, seus medos e suas expectativas nas mãos de Cristo. Caminhe pela fé e não pelas circunstâncias. Aquele que começou a boa obra em sua vida é fiel para completá-la.
✨ Que hoje você não busque apenas um dia feliz, mas um dia alinhado à vontade de Deus. Porque onde a vontade d’Ele reina, a graça sustenta, a paz floresce e a esperança permanece.
📖 “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” — Romanos 12:2
CONFIAR
Confiar em pessoas é necessário. Confiar nelas como se fossem infalíveis é perigoso.
A Bíblia nunca nos ensina a viver desconfiando de todos, mas também nunca nos incentiva a colocar nossa esperança definitiva em seres humanos. Pessoas falham, mudam, decepcionam e, muitas vezes, quebram promessas. Porém Deus permanece o mesmo ontem, hoje e eternamente.
“Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do Senhor.” (Jeremias 17:5)
O problema não é amar pessoas. O problema é esperar delas aquilo que somente Deus pode oferecer. Quando colocamos nossa segurança, felicidade e identidade nas mãos de alguém, inevitavelmente seremos frustrados. Nenhum homem é forte o suficiente para sustentar o peso da sua alma. Nenhuma mulher é capaz de preencher o vazio que somente Cristo pode ocupar.
Muitos carregam feridas porque confiaram mais nas promessas humanas do que nas promessas divinas. Construíram suas vidas sobre opiniões, sentimentos e relacionamentos passageiros, esquecendo-se de firmar seus pés na Rocha eterna.
Mas existe uma confiança que nunca será traída. Existe uma mão que jamais soltará a sua. Existe uma promessa que nunca será quebrada. Deus não mente. Deus não abandona. Deus não muda.
“Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor.” (Jeremias 17:7)
Se as pessoas decepcionaram você, não permita que isso endureça seu coração. Permita que isso ensine uma verdade eterna: ame as pessoas, sirva as pessoas, caminhe com as pessoas, mas coloque sua confiança absoluta somente em Deus.
Quem faz dos homens seu refúgio viverá em constante insegurança. Quem faz de Deus seu refúgio encontrará paz mesmo em meio às maiores decepções.
Sua confiança será tão segura quanto o objeto em que ela está depositada. E somente Deus é digno de confiança absoluta.
TREINO
Em tempos de Copa, vemos atletas dedicando anos de treino por um troféu que ficará em uma prateleira.
Celebramos medalhas, taças e conquistas que, por maiores que sejam, pertencem a esta vida.
Mas Paulo nos lembra de uma verdade ainda mais profunda: existe uma corrida mais importante do que qualquer campeonato.
Todos os dias estamos treinando algo. Nossa fé, nosso caráter, nossa perseverança, nossa dependência de Deus.
Os atletas competem por uma coroa que passa.
Nós caminhamos em direção a uma coroa eterna.
Por isso, não desista da corrida que Deus colocou diante de você. Talvez ninguém esteja vendo seu esforço hoje, mas o Céu está.
E a recompensa preparada por Deus não se compara a nenhuma vitória deste mundo.
📖 1 Coríntios 9:25
AMOR
O amor, em sua essência, é uma das mais complexas e fundamentais experiências humanas, mas, paradoxalmente, é também uma das mais mal compreendidas. Em um mundo onde o amor é constantemente idealizado e apresentado como uma solução para todas as nossas frustrações e carências, surge uma questão crucial: como podemos encontrar o amor verdadeiro se, na maioria das vezes, ele é tratado como uma conquista ou um prêmio a ser alcançado? A ideia de que “quem luta por amor já começa perdendo” reflete uma verdade muitas vezes ignorada: a busca incessante por um amor idealizado pode nos afastar da verdadeira compreensão do que é o amor e do que ele deve ser em nossas vidas.
No mundo contemporâneo, somos bombardeados por representações do amor como uma jornada épica de conquistas, uma história de luta e superação para “conquistar” o coração do outro. A cultura popular, as redes sociais e os filmes romantizados nos ensinam que, para ser amado, é preciso batalhar, lutar por atenção, provar seu valor e, acima de tudo, não desistir. No entanto, essa busca incansável por um amor que parece sempre estar fora de alcance é um engano profundo. Quando lutamos por um amor, já estamos, de certa forma, perdendo, pois a verdadeira essência do amor não é uma batalha a ser vencida, mas uma construção que ocorre de maneira espontânea e recíproca, sem pressões ou expectativas impositivas.
A frase “quem luta por amor já começa perdendo” pode parecer radical, mas reflete uma das maiores falácias do pensamento romântico. A ideia de lutar pelo amor coloca o sujeito em uma posição de vulnerabilidade, onde ele se vê refém das suas próprias inseguranças e necessidades. Essa “luta” é, muitas vezes, uma tentativa de conquistar algo que não pode ser forçado ou manipulado. O amor verdadeiro, na sua essência, não é algo a ser conquistado, mas sim algo que se desenvolve organicamente a partir do respeito, do cuidado e do entendimento mútuo. Ao insistir em lutar, em conquistar, em agradar, estamos na verdade nos afastando da verdadeira conexão emocional com o outro, que deve ser natural, sem pressões externas ou imposições de idealização.
Refletindo filosoficamente sobre o tema, a ideia de que quem luta por amor já está perdendo pode ser conectada ao pensamento de pensadores como Arthur Schopenhauer, que via o amor muitas vezes como uma ilusão criada pela vontade, um desejo inconsciente que busca perpetuar a espécie. Segundo Schopenhauer, as pessoas se veem presas em um ciclo de desejos e carências que as conduzem a procurar o amor como forma de satisfação de suas necessidades pessoais, sem perceber que, muitas vezes, isso não leva a um verdadeiro contentamento ou realização. Assim, ao lutar incessantemente por um amor, estamos apenas alimentando um ciclo vicioso de necessidades que nunca se concretizam de maneira plena. O amor que buscamos, muitas vezes, é uma projeção de nossas próprias carências e idealizações, e não um reflexo genuíno do outro.
A filosofia existencialista, com pensadores como Jean-Paul Sartre e Søren Kierkegaard, também nos oferece insights valiosos. Sartre, ao falar sobre a liberdade e a existência, nos lembra que a relação com o outro é marcada pela liberdade, e que qualquer tentativa de forçar um relacionamento ou de “lutar” pelo amor é, na verdade, uma negação da liberdade e da autenticidade do outro. O amor, para Sartre, não pode ser algo que forçamos ou buscamos desesperadamente. Ele deve surgir naturalmente de uma relação livre, onde ambos os indivíduos se respeitam e escolhem estar juntos, não porque estão lutando por isso, mas porque, de maneira mútua, decidiram compartilhar suas vidas. Kierkegaard, por sua vez, nos fala sobre o amor como um compromisso profundo e consciente, que exige coragem e autenticidade. No entanto, ele também nos alerta para o perigo de idealizar o amor, colocando-o em um pedestal de perfeição inalcançável. A luta pelo amor, então, se torna uma forma de negar a verdadeira essência do que ele representa: um compromisso genuíno e humano com o outro.
O mundo moderno, com suas facilidades e superficialidades, tornou-se um terreno fértil para a busca incessante por um amor idealizado. Redes sociais e plataformas de namoro criam a ilusão de que o amor está ao alcance de um clique, que ele é algo a ser conquistado e moldado conforme nossas expectativas. No entanto, o efeito disso é muitas vezes o oposto: a frustração constante de não encontrar algo que atenda às nossas fantasias, enquanto nos afastamos cada vez mais da autenticidade e da reciprocidade que o amor verdadeiro exige. A luta pelo amor idealizado nos faz perder de vista o fato de que o amor não é uma vitória a ser alcançada, mas uma experiência que surge quando aprendemos a nos entregar ao outro, sem pressões e sem expectativas irracionais.
Quem luta por amor já começa perdendo porque, ao invés de vivenciar uma relação genuína, está se colocando em uma posição de constante insegurança e de expectativas frustradas. O amor não é algo que se conquista, mas algo que se constrói com respeito mútuo, paciência e, acima de tudo, a aceitação do outro como ele é. Quando entendemos isso, a luta pelo amor se dissolve, dando lugar à verdadeira experiência do amor: aquela que é espontânea, autêntica e, principalmente, recíproca. A verdadeira sabedoria está em reconhecer que o amor não precisa ser buscado como uma conquista, mas sim vivido como uma escolha consciente e compartilhada, sem pressões externas ou expectativas idealizadas.
PEDRA
Samuel não levantou uma pedra no começo da guerra. Ele levantou depois do livramento. Israel clamou, Samuel intercedeu, Deus respondeu, e o povo entendeu que aquela vitória não tinha sido sorte, força ou coincidência. Então Samuel pegou uma pedra, colocou entre Mispa e Sem e chamou de Ebenézer: “Até aqui nos ajudou o Senhor”.
Aquela pedra era memória. Era como se ele dissesse: não chegamos aqui sozinhos.
E é aqui que muita gente se perde. Deus livra, sustenta, guarda, abre caminho, fecha porta de morte, segura guerra que ninguém viu, e depois a pessoa trata como acaso o que foi mão de Deus.
Não foi sorte. Foi Deus.
Teve coisa que você sobreviveu porque Deus te sustentou. Teve porta que fechou porque Deus estava te protegendo. Teve perda que doeu, mas te livrou. Teve fase que parecia fim, mas era Deus dizendo: ainda não acabou.
Ebenézer é quando a alma para de reclamar do que falta e começa a lembrar do que Deus já fez.
Tem livramento que não pode virar detalhe. Tem socorro que precisa ser reconhecido. Tem fase vencida que precisa virar testemunho.
Até aqui o Senhor te ajudou. E se foi Ele quem te trouxe até aqui, não comece agora a agir como se estivesse caminhando sozinha.
CONTIGO
Gênesis 28:15 diz:
"E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque te não deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado."Gênesis 28:15
O Senhor promete Sua presença, proteção e fidelidade. Mesmo em tempos de incerteza, Ele não abandona aqueles que pertencem a Ele, guiando seus passos e cumprindo Seus propósitos no tempo certo. A segurança de quem serve a Deus de todo coração , força, alma e entendimento não está nas circunstâncias, mas na certeza de que Ele está presente e é fiel para cumprir tudo o que prometeu.
Portanto, fique firme na jornada proposta, pois quando o Senhor faz uma promessa, Sua presença garante o caminho, Sua proteção sustenta o percurso e Sua fidelidade assegura o cumprimento e entrega da benção que a muito está guardada para sua vida.