Você caminha lentamente até o púlpito, plataforma, tribuna ou palco.
Você confere: gravata, lenço, aliança, limpa os óculos, regula o colarinho, faz uma oração na quina da cama...
A liderança lhe cobra a chegada no horário, a multidão lhe espera sedenta, o ministério de música está amolecendo a terra para você plantar, o irmão fulano te busca no hotel, pousada ou pensão.
A moça com um sorriso lhe pergunta: 'Posso cuidar das vendas de seus livros?'
O rapaz do teclado pergunta baixinho: "Posso fazer um fundinho musical?".
Ninguém ali sabe se você está bem ou triste.
Suas preocupações devem ser superadas, suas dores disfarçadas e seu rosto deve portar um sorriso.
Pregador, um ser solitário...
Suas contas, suas prestações, suas lutas diárias, sua fragilidade.
Algumas vezes ainda carrega feridas do último evento em que o inferno está lhe retaliando pois resgatastes algumas almas de lá.
Quantas vezes fui ao evento após ter chorado uma tarde inteira.
Vai pregador!
Não decepcione o Deus que lhe deu uma voz para sua geração!
Fale sobre perdão, mesmo com tantos que lhe ofendem,
Ministre cura, ainda que carregue dores no seu corpo.
Console almas, mesmo precisando curar a tua!
Restaure famílias, enquanto chora pela sua.
Fale sobre confiar em Deus, enquanto pensa como pagará a prestação que vence na segunda-feira.
E ainda tenha cuidado para não transparecer arrogante, exigente ou até metido.
Lembre-se que após o culto ainda tem seus admiradores querendo uma foto, uma dedicatória...
Ao fazer a selfie com a moça, cuidado! Todos estão olhando e qualquer sorriso ou abraço pode ser mal interpretado.
Se te levarem para jantar, coma pouco, pois estão te observando.
Sinceramente, a vitória do pregador não é estar no púlpito. É ter chegado até lá!
Quantas vezes eu digo: "Boa noite a todos, recebam a paz do Senhor", mas a vontade é gritar: Eu consegui!!!!!