O Amor que Devemos ao Próximo
"Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas? A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás". (Lc 10:26-28).
Vivemos dias que são, na verdade, uma grande rebelião contra toda autoridade. Há uma campanha interminável para desacreditar e desmerecer toda e qualquer figura de governo. Na verdade, isso está associado à própria forma de pensar que foi introduzida na sociedade em tempos não muito distantes. A partir do modernismo, movimento iniciado especialmente desde o século XIX, todos os valores passaram a ser questionados. A chamada Revolução Industrial que eclodiu na Inglaterra está de braços dados com ele.
Passou-se a enfatizar o que é material e científico, quanto a este, entenda-se “racional”. Começou um processo citado por alguns estudiosos seculares, como Max Weber e Pierre Bourdieu, chamado “o desencantamento do mundo”. Aplica-se à perda de conceitos associados ao subjetivo, à própria fé, não apenas a bíblica, mas todo tipo de crença. Acreditar em algo que não podia ser comprovado pela ciência passou a ser visto como “ignorância para ignorantes”, sujeitos que desconhecem a verdade de fato. A verdade foi sentenciada a ser confinada nos limites do intelecto humano de sua época. Colocando isso de outra forma, o que é reconhecido como verdade em nossos dias é somente aquilo que está dentro do que já é comprovado pelos cientistas. O desenvolvimento científico e tecnológico resultou a aplicação das descobertas especialmente no desenvolvimento de aparelhos e máquinas que facilitam a existência humana, otimizando o tempo. A multiplicação desses equipamentos despertou uma sede pelo consumo, tornando o grande alvo da vida dos pecadores. Tantas coisas a serem adquiridas desperta no homem a cobiça, a centralidade em seus próprios desejos.
O contato familiar, a conversa gostosa entre os componentes da mesma família, foi substituída pelo silêncio ao redor da TV. Mesmo o culto doméstico, falando-se dos crentes, foi derrotado pela atração que a mídia exerce sobre eles. Antes das máquinas, nos campos e nas fábricas, desenvolvia-se e reforçava-se um dos mais fortes elos entre os seres humanos: o trabalho conjunto. Pessoas que trabalham juntas tendem a desenvolver fortes vínculos, o que tornava alguns ambientes de trabalho algo muito próximo a uma família. No campo, a mecanização das lavouras, na forma de tratores, colheitadeiras, bem como, outros maquinários, dispensou miríades de trabalhadores. Incontáveis vilas, constituídas de trabalhadores e pequenos proprietários, bairros rurais, que contavam com escola e com mercearia, literalmente desapareceram, não deixando qualquer vestígio de sua existência. Analogamente, no ambiente industrial, diversos setores, lugar de trabalho de inúmeros operários, foram extintos, substituídos pelas máquinas. Muitos vínculos pessoais foram, dessa forma, aniquilados. Esse afastamento entre os sujeitos de uma mesma sociedade e a ênfase na aquisição de coisas pessoais, acentua o egoísmo natural do coração humano. Para sepultar definitivamente os relacionamentos, surgiram as mídias, recursos que dão ao indivíduo a oportunidade para criar e viver em seu próprio universo, sempre oculto do “outro lado” da comunicação, confundindo vozes e imagens midiáticas com o próprio relacionamento.
A igreja, imitadora do mundo, tem assumido o mesmo formato. A moda agora é o “metaverso”, a loucura das loucuras. Estimula-se pessoas a abandonarem a realidade para criarem a si mesmas em ambiente virtual, assumindo qualquer formato de “existência”.
Uma mulher pode criar um avatar, um personagem virtual, homem. A ideia é transformar o virtual em real, abdicando da vida real em favor da vida virtual, teoricamente a expressão perfeita daquilo que se quer ser. Recentemente, um desses malucos que infelizmente ainda se chama evangélico, criou a primeira igreja no metaverso. Gostaria de saber como é que Cristo morre no metaverso, uma redenção não-espiritual, mas virtual.
Serão necessárias evangelizações no metaverso, para a conversão de avatares? O ser humano está perdendo uma das maiores bênçãos criadas pelo Senhor: relacionamentos. O homem é imagem e semelhança de Deus, mesmo em seu estado caído. Ainda que torcida e desfigurada pelo pecado, ela ainda está lá. No estado de perfeição, o Criador seria percebido em cada relacionamento humano. Cabe-nos perceber nos homens essa “centelha divina”, aquilo que pode ser cultivado positivamente. No caso dos cristãos, buscar sempre aquilo que causa mútua edificação. Como ainda são pecadores, a aproximação pode fertilizar pecados ou fortalecer a alma. Daí nossa responsabilidade de ter atitudes e conversação que resulte sempre santidade e justiça àqueles que nos rodeiam.
Ainda que esteja cercado de incrédulos e ímpios, é importante o crente delimitar seu espaço manifestando-se por palavras e atitudes, a fim de mostrar a todos o que ele é. Haja com verdadeiro amor para com seu próximo, o que significa beneficiá-lo com atos de justiça. A verdadeira misericórdia só é encontrada na consolidação de atos e práticas corretos.
Quando pensamos em amar o próximo como a nós mesmos, às vezes mal entendemos o mandamento, pois, não raro, acreditamos ser prova de amor a nós mesmos permitir o pecado para nossa satisfação pessoal e carnal. Certamente, isso jamais seria amar a si mesmo. O nascido de Deus só ama em si aquilo que já foi transformado pelo Espírito, ou seja, tudo o que corresponde à nova natureza, que tem Jesus Cristo glorificado como modelo. Quanto aos resquícios do velho homem, o nascido de Deus tem verdadeira ojeriza. Portanto, amar o próximo é investir no desenvolvimento da nova natureza nele, assistindo-o em tudo o que tiver esse alvo como propósito. A parábola do “Bom Samaritano” mostra alguém que pratica o bem para o próximo como testemunho de verdadeiro amor. Façamos o mesmo. Tire os olhos de si mesmo! Olhe para seu próximo, para seu irmão. Abandone a busca materialista e invista em vidas. Há júbilo entre os anjos nos céus quando um pecador se arrepende. Tenha um excelente dia na presença do Senhor