“Bendito seja Deus, que não me rejeita a oração, nem aparta de mim a sua graça” (Sl 66.20)
Aqueles que conhecem verdadeiramente a Deus sentem-se extasiados em sua presença. O senso da grandeza do Senhor é tamanho que diminui quase ao nada as melhores e piores coisas desta existência. Na perspectiva da glória e da majestade de Deus nossos problemas perdem intensidade e são amenizados. Nossa atenção é desviada e magnetizada pelo ser divino e suas maravilhas, e não sofremos as dores desta terra como se nelas estivessem os limites de nossa vida. Se nossa visão for meramente horizontal, enxergaremos apenas as realidades terrenais, suas dores e problemas. Temos que aprender a olhar verticalmente.
Também as melhores coisas perdem completamente seu apelo e atração, pois somem ante a glória incomparável do Criador. Cativos pela eternidade divina, o tempo passa, mas nós permanecemos. Nem mesmo a morte significa interrupção. O relacionamento que já temos com o Senhor é sempiterno e constante, o retorno àquela vida que foi perdida na desobediência adâmica, o desfrute da bem-aventurança eterna. Fomos criados para usufruir da presença do Criador. Isso é vida!
A atual habitação humana significa solidão e angústia, vida singular, desligada, viver como se fôssemos deuses que têm auto existência e, por isso, de nada e ninguém precisam ou dependem. A vida que o Senhor criou é a derivação de sua própria existência, existir no ser e na essência do Criador. Obviamente não nos tornamos deuses, mas somos mantidos no próprio ser divino. Curiosamente, o pecador tende ao contrário dessa realidade. Os homens geralmente são atraídos por revelações preditivas, que pretendem mostrar os acontecimentos futuros, ignorando as dimensões incomparáveis daquelas que revelam Deus de forma profunda à nossa vida.
Ao contrário disso, os que conhecem verdadeiramente a Jesus e já se entregaram completamente a ele valorizam as coisas celestiais. São esses aqueles que experimentarão como maior prazer e satisfação de suas vidas o bendizer ao Senhor. Perceberão de forma clara e inconfundível a distância entre o eterno Deus e a efemeridade dos homens, entre a glória única do Criador e a decadência humana, entre a santidade e pureza do Senhor e a pecaminosa humana.
Tal consciência leva o pecador redimido à adoração, a render totalmente o próprio ser ao serviço agradecido àquele que o criou e o salvou. É a percepção do eterno, da fonte de todo bem, o sumo benefício que o Ser divino preparou para o homem. Bendizer a Deus é ser arrebatado pelo senso de sua grandeza, de sua plenitude, percebendo que nada há que possamos dar a ele, pois de nada precisa e não temos o que dar. Tudo já pertence a ele.
Notamos logo que o servir não é uma imposição da divindade, mas o maior de todos os privilégios. Nosso fascínio por Deus aumenta ainda mais quando entendemos que, embora tenha tal autossuficiência, a real e verdadeira autonomia, não precisando de nada que possamos dar ou fazer, ainda assim está atento à nossa oração. Adotou-nos em Jesus Cristo e nos trata como filhos. Na verdade, é mais do que isso!
Percebamos que as nossas orações tão-somente traduzem nossa percepção dos acontecimentos e não a realidade de fato. Não passam de projeções de nossa limitada compreensão e de nosso obtuso entendimento. Como diz o apóstolo Paulo: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). O que nos ensina esse texto é que o Espírito Santo adequa nossas orações à vontade de Deus, modificando nossos pedidos com base naquilo que o Senhor tem preparado para nós.
Não sabemos pedir! Muitas vezes acreditamos que estamos pedindo o que glorifica a Deus e nos beneficia, sem saber que o resultado será infortúnio e desastre. O Senhor tem tudo em suas mãos e cuida de nós muito além de nossas orações. Enquanto nossos pedidos ao Senhor são limitados por uma visão tacanha e restritos a questões específicas, a graça divina contempla todas as coisas, nossas reais necessidades, mesmo aquelas sobre as quais somos completamente ignorantes. É isso o que o salmista quer dizer na segunda metade do verso: “nem aparta de mim a sua graça”. A graça do Senhor está sempre sobre aqueles que nele confiam, que andam segundo a sua Palavra.
Entreguemo-nos completamente à vida com Deus, aventurando-nos nos caminhos da fé, com coragem e ousadia, sabendo que aquele que nos guia não nos abandona: “Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares” (Js 1.9). Cristo está constantemente ouvindo nossas orações, derramando sobre nós a sua graça. Tenha um excelente dia na presença do Senhor .