“Há uma coisa que precisamos ter cuidado: a certeza de que já nos conhecemos completamente”.
Às vezes dizemos: “Eu nunca faria isso. Eu não sou assim. Isso não faz parte de mim.” E talvez, naquele momento, estejamos sendo sinceros.
Mas será que realmente conhecemos todas as profundezas do nosso coração?
Existem coisas em nós que só aparecem quando Deus nos coloca diante delas.
Eu vivi isso recentemente. Sempre tive muita certeza de que a inveja não fazia parte de mim. Nunca foi um sentimento com o qual me identifiquei. Mas, em determinado momento, percebi que meu coração não conseguiu se alegrar com aquilo que algumas pessoas estavam vivendo. Meu coração se fechou.
E, quando Deus me permitiu enxergar com honestidade, percebi: havia inveja ali.
E foi assustador perceber que algo que eu sempre dizia “não fazer parte de mim” estava, de alguma forma, dentro de mim.
Mas foi também uma graça.
Porque Deus não revelou aquilo para me condenar. Ele revelou para me tratar.
E isso me fez pensar: quantas coisas existem em nós que ainda não chegaram à superfície? Quantos sentimentos chamamos de “personalidade”, quando na verdade são áreas que Deus ainda quer transformar? Quantas vezes confundimos comparação com inspiração, orgulho com convicção, competição com zelo, inveja com simplesmente “não me identificar”?
Nós precisamos ter cuidado com a vaidade de pensar que já sabemos quem somos.
Davi não orou: “Senhor, eu já me conheço.”�Ele orou: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração.”
Porque há lugares dentro de nós que nem nós conhecemos.
E talvez uma das orações mais maduras que alguém possa fazer seja:
“Senhor, mostra-me aquilo que eu não consigo ver em mim. Revela-me aquilo que ainda não chegou à superfície. Não me deixes construir uma identidade baseada apenas naquilo que penso ser. Sonda-me, confronta-me, corrige-me e transforma-me.”
E há algo ainda mais profundo: Deus pode nos mostrar uma área que precisa ser tratada sem nos definir por ela.
Ter inveja em algum momento não significa ser uma pessoa invejosa. Sentir orgulho não significa que somos irremediavelmente orgulhosos. Descobrir uma fraqueza não significa que aquela fraqueza é a nossa identidade.
Significa apenas que Deus encontrou um lugar que ainda precisa da Sua graça.
Por isso, cuidado com o “eu nunca”.
Talvez a maior segurança não esteja em dizer “isso nunca faria parte de mim”, mas em dizer:
“Se houver em mim alguma coisa que não agrada a Deus, que Ele me mostre antes que eu me acostume com ela.”
Nós não nos conhecemos completamente.
Mas Deus nos conhece.
E quando Ele revela o que está escondido, não é para nos envergonhar.
É porque aquilo que Ele traz à luz, Ele também pode transformar.