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quinta-feira, 9 de abril de 2026

MEDO

 O medo é uma das emoções mais comuns da vida humana, mas a Palavra de Deus nos ensina como enfrentá-lo. Em Gênesis 15.1, o Senhor diz a Abrão: “Não tenha medo… eu sou o seu escudo”. 


Aqui aprendemos que a resposta para o medo não está em circunstâncias favoráveis, mas na presença protetora de Deus. Ele não apenas vê o perigo, Ele se coloca entre você e ele. Quando Deus é o seu escudo, você pode descansar, mesmo diante das incertezas.


Em Êxodo 20.20, Moisés orienta o povo: “Não tenham medo… para que não pequem”. Esse texto revela uma distinção importante: o medo paralisante deve ser rejeitado, mas o temor reverente a Deus deve ser cultivado. 


Quando você teme a Deus corretamente, não vive dominado pelo pânico, mas guiado pela obediência. O medo errado afasta você de Deus; o temor certo aproxima você dEle e protege sua vida espiritual.


Já em Deuteronômio 31.8, encontramos uma promessa poderosa: “O Senhor irá à sua frente… não o deixará”. Isso significa que Deus não apenas está com você, Ele vai adiante, preparando o caminho. 


Você não enfrenta o futuro sozinho. Mesmo quando tudo parece incerto, Deus já está lá. Por isso, você não precisa viver assustado, pois sua segurança não depende do que você vê, mas de quem vai com você.


Porém, o maior medo do ser humano é a separação de Deus por causa do pecado. A boa notícia é que Jesus Cristo veio para resolver isso. Ele morreu na cruz para perdoar seus pecados e ressuscitou para lhe dar vida eterna. 


Se você se arrepender e crer nEle, será salvo. Em Cristo, você não apenas vence o medo, você recebe paz com Deus

 para sempre.


JESUS

 Muitas pessoas ouvem falar sobre Jesus, mas não o conhecem como Salvador. 


Mas por que precisariam ser salvas?


Todos os seres humanos foram criados por Deus, mas nem todos são filhos dEle, porque tornar-se filho só é possível através de Jesus, que disse: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6). 


Entenda melhor:

• Deus criou o mundo e os primeiros seres humanos: Adão e Eva. Deus conversava com eles todos os dias, tamanha proximidade havia entre eles.


• Deus deu total liberdade para que aproveitassem tudo de bom que Ele havia feito no Jardim do Éden, mas só não podiam comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. 


• Porém, eles desobedeceram a ordem de Deus e, com isso, “O pecado entrou no mundo por meio de um só homem, e o seu pecado trouxe consigo a morte. Como resultado, a morte se espalhou por toda a raça humana porque todos pecaram” (Rm 5:12), criando uma distância entre o homem e Deus.


• Aquela distância não alegrava Deus, então, Ele enviou Jesus à terra na missão de restaurar a posição original que o ser humano havia perdido com o ato rebelde de Adão. 


• Aos 33 anos, Ele foi crucificado. Isso porque Ele tomou o nosso lugar, carregando sobre si todos os pecados da humanidade, doenças, dores e maldições.


• Após morrer, Seu espírito foi ao inferno e vivenciou o sofrimento daquele local. Porém, Ele ressuscitou! Ele não apenas ganhou vida de novo, mas seu ato provou que Ele venceu o pecado por amor a nós! 


• Jesus pagou o preço para que não fôssemos mais escravos do pecado e nem herdeiros de uma natureza ligada às trevas. 


• Com isso, aquela distância que nos separava de Deus foi totalmente resolvida, porém, para nos tornarmos filhos de Deus, precisamos crer neste sacrifício de amor e confessar Jesus como nosso Senhor e Salvador. 


Se você crê e quer fazer isso agora, ore assim: “Senhor, eu creio que Jesus é o Filho de Deus que veio à terra para me salvar e me dar uma nova natureza. Eu tomo posse dessa nova vida pela fé, crendo na obra libertadora de Jesus na cruz. Eu quero que Ele seja meu único Senhor e Salvador. Obrigado porque, agora, eu me torno um filho de Deus. Em nome de Jesus, amém.”

IMATURA

 A pessoa imatura tende a atribuir ao ambiente externo toda a razão de seu mal-estar, de seus problemas e dificuldades. isso porque é mais fácil achar que o problema está fora e não dentro de si mesmo. Com isso ela se coloca na posição de vítima do mundo, vítima das pessoas e vítima de seus próprios problemas. Uma das principais características da imaturidade é a dificuldade em assumir a responsabilidade pelos próprios atos. Esta dificuldade acaba levando a um comportamento nada louvável que é faltar com a verdade.


“Quando eu era menino falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das cousas próprias de menino” I Co. 13:11


VOCE

 Existe uma distância silenciosa entre quem você mostra e quem você realmente é, e o mais perigoso é quando você se acostuma com ela. Porque não começa como falsidade, começa como adaptação… você aprende a se ajustar, a responder melhor, a parecer mais forte, mais espiritual, mais equilibrado. Só que com o tempo, isso deixa de ser ajuste e vira construção, e sem perceber você passa a sustentar uma versão que não reflete a sua verdade.

E a questão não é o que as pessoas veem… é o que você sabe sobre você. Porque existem áreas que você evita olhar, reações que você justifica, atitudes que você maquiar para não precisar encarar. Mas a verdade não desaparece só porque você decidiu não olhar para ela.

Deus não trabalha com a versão que você apresenta… Ele trabalha com aquilo que você reconhece. Enquanto você protege a imagem, você impede o tratamento. Porque transformação não começa na aparência, começa na verdade que você tem coragem de assumir.

Salmos 51:6

“Eis que amas a verdade no íntimo…”

E talvez hoje não seja sobre mudar tudo de uma vez… mas sobre parar e se perguntar com sinceridade: quem eu tenho sido quando ninguém está olhando?

TEMPO

 “..Ela já enfrentou tempestades que pareciam não ter fim. Chorou sozinha, levantou sozinha, e seguiu sozinha quando ninguém acreditava nela.

Não foi sorte, foi força. Não foi acaso, foi coragem.


Ela entende que o caminho nem sempre é justo, mas nunca deixou que a dureza da vida apagasse a suavidade do seu coração. Carrega cicatrizes como medalhas e, mesmo com marcas na alma, mantém os olhos firmes no horizonte.


Sabe o que quer e não aceita menos do que merece — seja nos seus sonhos, nos seus objetivos ou no amor. Para ela, amar não é se perder, é se somar. E, por mais que já tenha se decepcionado, nunca desistiu de acreditar que existe alguém capaz de caminhar ao lado, sem tentar podar suas asas.


Ela é prova viva de que a vida pode até tentar derrubá-la mil vezes, mas sempre vai se levantar mil e uma. Porque quando o coração é resiliente e a alma é corajosa, nada — e ninguém — consegue impedir quem nasceu para vencer..”


❤️‍🩹🪷

MOVIMENTO

 O movimento define a vida. Me vejo em movimento, mesmo quando estou parado fisicamente. Vejo tanta gente acomodada, sem sonhos e numa inércia sem tamanho. Não foi para isso que recebemos o dom da vida. Além das minhas caminhadas diárias procuro estar por dentro do movimento do mundo e das buscas existenciais. Acontece que existe dentro de cada pessoa um impulso silencioso que convida ao avanço, mesmo quando não há garantias claras do que virá. Muitas vezes, porém, o medo paralisa, criando a ilusão de que é preciso ter todas as respostas antes de dar o primeiro passo. Assim, o coração permanece em estado de espera, adiando decisões, acumulando intenções que nunca se concretizam. No entanto, a vida não se revela completamente a quem apenas observa de longe. Ela se manifesta no caminhar, no risco assumido com consciência, na coragem de sair do lugar conhecido. Deus não nos chama à imobilidade, mas a uma confiança que se expressa em atitude. O movimento não precisa ser grandioso para ser verdadeiro. Pequenos passos já são suficientes para romper a inércia e abrir novos caminhos. Quando nos dispomos a agir, algo começa a se reorganizar ao nosso redor e dentro de nós. As oportunidades surgem, as respostas aparecem aos poucos e o caminho se torna mais visível. A espera passiva muitas vezes alimenta a dúvida, enquanto o movimento alimenta a fé. Não se trata de agir com impulsividade, mas de reconhecer o momento de sair da paralisia e confiar no processo. A vida responde a quem se coloca em caminhada, porque é no percurso que as possibilidades se revelam. Permanecer imóvel por medo de errar pode impedir descobertas importantes. Já o passo dado com sinceridade, mesmo que imperfeito, carrega em si a força do aprendizado. E assim, ao escolher avançar, o coração descobre que o caminho não se constrói antes, mas durante a própria travessia.

PERTO

 Tiago estava perto… mas não cria. E isso não é só sobre ele é um espelho. Porque ele não era ignorante, não era alguém de fora, não era alguém que nunca teve acesso. Ele viu, ouviu, conviveu… mas escolheu não se mover. E esse é o ponto mais perigoso: quando você se acostuma tanto com o ambiente, que para de responder ao que Deus está fazendo.

A indiferença de Tiago não gritava… mas travava tudo. Ele não atacava Jesus, mas também não se rendia. E tem muita gente exatamente nesse lugar hoje: não rejeita, mas também não se posiciona. Vive perto, fala de Deus, participa… mas por dentro continua igual.

Mas quando Jesus aparece para ele depois da ressurreição… não tem mais como sustentar a mesma postura. Porque ali não é mais convivência é revelação. E quando a revelação vem, ela expõe tudo que antes foi ignorado.

Tiago acorda.

E esse despertar não é sentimento… é decisão. Ele sai do lugar de quem apenas estava perto… e entra no lugar de quem se rende. Ele deixa de tratar Jesus como comum… e passa a reconhecer quem Ele realmente é.

E isso muda tudo.

Porque aquele que era indiferente… agora se torna firme. Aquele que não cria… agora sustenta outros. Aquele que estava dentro sem resposta… agora vive alinhado de verdade.

E aqui está o ponto que fecha:

O problema nunca foi falta de acesso… foi falta de resposta.

E talvez o que está travando muita gente hoje não é falta de Deus agir…

é falta de uma decisão de parar de tratar como comum… e finalmente se render.

ETERNA

 


Chegamos ao fim da nossa série devocional sobre contentamento. Minha oração é que tenha sido edificante para o seu coração, e que frutifique em sua vida! Quero convidar você a caminhar comigo na próxima série que iniciaremos amanhã. Ela tem como tema “Prosperidade da alma” e se baseia nos profundos e aplicáveis ensinos bíblicos da terceira carta do apóstolo João, composta por apenas 15 versículos. Que Jesus nos abençoe nesta jornada!


Reflita hoje comigo sobre a sua real fonte de contentamento. Somos levados a pensar que precisamos de conquistas, bens, reconhecimento, força, influência, estabilidade ou experiências marcantes para que a vida tenha significado. Não é incomum vermos discursos e propostas que apontam para carreira, patrimônio, imagem ou até estilo de vida como fontes de felicidade. A mensagem é clara, ainda que silenciosa: se você tiver o suficiente, sua vida terá real significado.


A Palavra de Deus, porém, é categórica. O que nos dá satisfação presente e eterna não é o que temos nem mesmo o que fazemos, mas Cristo em nós. Ele mesmo declarou: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6:35).


O contexto dessa afirmação é profundamente revelador. Como seres humanos, precisamos de pão e água para sobreviver. São elementos básicos, essenciais, sem os quais a vida se extingue. No entanto, Jesus nos conduz a uma realidade ainda mais profunda. Assim como o corpo necessita de alimento e água, nós precisamos dele. 


Cristo não apenas supre necessidades pontuais. Ele é a própria satisfação. Nele, a fome da alma encontra descanso, e a sede mais profunda é saciada. Tudo aquilo que buscamos em tantas outras fontes, experiências, pessoas e fatos, para dar real significado e plena satisfação, encontra-se plenamente nele.


Paulo amplia essa verdade ao declarar: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11:36). Isso significa que tudo começa em Deus, é sustentado por Deus e converge para Deus em Cristo Jesus. Quando tentamos encontrar satisfação fora dele, caminhamos contra a própria razão da existência.


Portanto, lembre- se: a real e plena satisfação não está em acumular, conquistar ou experimentar, mas em pertencer. Pertencer a Cristo, viver em Cristo, caminhar com Cristo e proclamar a Cristo. Nele, encontramos não apenas aquilo que precisamos, mas aquilo para o qual fomos criados. Assim, encha a cada dia o seu coração de contentamento em Cristo Jesus!



ALMA

 Há orações que nascem da boca, mas há outras que nascem das profundezas da alma.


Existem noites em que as palavras faltam. A mente não consegue formular frases, a teologia que conhecemos parece pequena demais diante da dor, e tudo o que resta é o silêncio quebrado por lágrimas. Mas é exatamente nesse lugar onde a força acaba e o coração se derrama que a oração se torna mais verdadeira.


A Escritura nos lembra que Deus não ouve apenas frases bem organizadas, mas também o gemido da alma. Há momentos em que o Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis, porque existem dores que não cabem em linguagem humana.


Às vezes pensamos que precisamos saber orar corretamente para sermos ouvidos. Porém, o Deus das Escrituras também recebe o choro como oração, o silêncio como clamor e as lágrimas como súplica.


Quando você se ajoelha e apenas chora, Deus ainda está ouvindo.


Porque o Pai não se aproxima apenas da eloquência dos lábios, mas da quebrantada sinceridade do coração.


E talvez, naquela noite em que você não conseguiu dizer nada… foi exatamente ali que sua oração foi mais pura, mais humilde e mais verdadeira diante de Deus.


“Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido.” (Salmo 34:18)

ECONOMIA

 Na economia do Reino de Deus, a bênção nunca é medida pela lógica da escassez, mas pela abundância da graça.


Quando Jesus partiu cinco pães e dois peixes, não apenas alimentou uma multidão — Ele revelou um princípio eterno do Reino: nas mãos de Deus, o pouco nunca permanece pouco. O que parece insuficiente para os homens torna-se abundante quando é entregue ao Senhor.


Havia peixe demais.

O vinho nas bodas de Caná era melhor no final da festa.

O azeite da viúva não cessava de correr.

E os cestos que sobraram depois do milagre eram testemunhas silenciosas de que Deus não trabalha no limite da necessidade, mas na plenitude da graça.


Porque o Deus da Bíblia não apenas supre — Ele transborda.


Talvez hoje sua fé pareça pequena, seus recursos limitados e suas forças quase esgotadas. Mas lembre-se: o milagre começa exatamente no lugar onde termina a capacidade humana.


Entregue ao Senhor aquilo que você pensa ser pouco.


Pois quando Deus decide abençoar,

Ele não apenas envia provisão…

Ele envia sobra.


“E todos comeram e se fartaram; e levantaram dos pedaços que sobraram doze cestos cheios.”

— Mateus 14:20


Creia:

o Deus que fez sobrar no deserto ainda faz sobrar na vida daqueles que confiam nEle. ✨🙏



GENTE

 “.. É tão estranho quando a gente se pega vivendo no piloto automático… Os dias passam, as horas correm, e de repente a gente percebe que não está realmente vivendo, só existindo. É nesse instante que uma tristeza silenciosa chega, como quem não pede licença, e ocupa um espaço dentro da gente. Um vazio se instala, e parece que nada faz sentido, nada tem cor, nada tem sabor.


Mas olha… esse vazio não significa que você perdeu quem é, e sim que talvez esteja precisando se reencontrar. A tristeza que chega nesses momentos pode ser, na verdade, um chamado: um pedido para você parar, respirar fundo e lembrar que não é uma máquina, que não precisa estar bem o tempo todo, que tem direito de sentir.


O piloto automático rouba da gente a beleza dos detalhes. E a vida mora exatamente neles: num café quente pela manhã, num sorriso inesperado, numa música que toca a alma, num pôr do sol que insiste em ser lindo mesmo nos dias cinzas.


Então, quando o vazio vier, não se culpe. Apenas escute o que ele quer te dizer. Às vezes, é só o coração pedindo um pouco mais de cuidado, um pouco mais de presença, um pouco mais de você mesmo..”


❤️‍🩹📝

quarta-feira, 8 de abril de 2026

VEZES

 Às vezes pensamos que Deus só se manifesta em momentos grandiosos… mas a Bíblia nos mostra algo diferente.


Quando Davi saiu de casa naquele dia, ele não estava indo para a guerra, não estava buscando fama, nem tentando provar nada a ninguém. Ele simplesmente estava obedecendo seu pai, Jessé. Sua missão era simples: levar pão e queijo aos irmãos no campo de batalha.


Era uma tarefa comum.

Silenciosa.

Quase insignificante aos olhos humanos.


Mas foi exatamente no caminho da obediência simples que Deus colocou diante dele o gigante chamado Golias.


Isso revela um princípio profundo do agir de Deus:


Deus frequentemente prepara momentos extraordinários dentro de dias absolutamente comuns.


Enquanto muitos esperam “um grande chamado”, Deus está observando quem é fiel no pequeno.

Enquanto muitos procuram palco, Deus trabalha no anonimato.

Enquanto muitos querem batalhas épicas, Deus começa com pão, queijo e obediência.


O milagre não começa no campo de batalha…

Ele começa no coração disposto a obedecer no ordinário.


Talvez hoje sua vida pareça comum, repetitiva, simples demais.

Mas nunca subestime um dia vivido em obediência a Deus.


Porque no caminho da fidelidade simples, Deus prepara vitórias que ninguém imaginava.


O extraordinário de Deus quase sempre nasce dentro do ordinário da nossa obediência.


Continue sendo fiel no pouco. O campo do gigante pode estar logo à frente.



MALDADE


“Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol: que a todos sucede o mesmo. Também o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade; há desvarios no seu coração durante a sua vida, e depois se vão aos mortos” (Ec 9.3).

A questão da teodiceia, ou seja, da existência e da essência do mal, é uma preocupação doutrinária da igreja já nos primeiros séculos da era cristã. Primeiramente, é importante que distingamos entre o que é mal, isto é, o mal essencial, e sua materialização na forma de consequências. De certa forma, é acertado dizer que Deus é o padrão do bem e também do mal. Isso é necessariamente assim, pois tudo o que é santo, justo e perfeito, se harmoniza com o Senhor. Essa é a definição do bem. No entanto, tudo o que não concorda com Deus, com sua essência e vontade, isso é o mal. Colocando isso de outra forma, tudo o que se ajusta à divindade é essencialmente bom, e tudo o que não se harmoniza é mal. Para não ligar o pecado ao Criador, Paulo explica o mal como algo já existente em teoria, fora da Criação, como aquilo que é contrário a Deus. Dessa forma, diz o apóstolo: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12). O pecado é visto como se fosse um “alienígena”, que entra no mundo de Deus tendo o homem como sua porta de entrada. Sua consequência inevitável sempre será a morte. O mal é moral, isto é, está nos domínios da vontade, localizado na alma. Dessa forma, o Criador permitiu que o homem, assim como o diabo antes dele, optasse por uma vontade alternativa, o mal, que produziria necessariamente seu resultado de morte. Uma vez afastado de Deus, o ser caído jamais poderá voltar por suas próprias forças.

No entanto, há também uma esfera do mal que é percebida exatamente em suas consequências. É nesse sentido que vemos o próprio Senhor afirmar: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas” (Is 45.7). Quando é afirmado que “Deus cria o mal” trata-se basicamente da retribuição ao mal, isto é, suas consequências. Todo sofrimento é resultado do pecado e é administrado pelo Senhor segundo sua santa e soberana vontade. No contexto de Israel e Judá não havia mal maior do que estar nas mãos de inimigos, a derrota na batalha, e o pior: o exílio. 

Contudo, seria isso que haveria de acontecer devido à quebra da aliança. Em Isaías, Deus não está afirmando que ele criou o desejo maligno, a vontade de desobedecer, a essência do mal, mas que permite as catástrofes pessoais e coletivas como consequência da entrada do pecado no mundo, a paga necessária ao pecado. Basta reparar no verso que se trata de uma estrutura antitética, onde são usados termos opostos entre si. Na primeira relação de oposição está “luz x trevas”. A escuridão é o contrário de luz. Entretanto, quando se diz: “faço a paz e crio o mal”, o que é o oposto à paz? É a guerra, aquilo que trazia tormento e sofrimento ao povo. Deus está afirmando que permite a guerra e toda forma de sofrer, muitas vezes, como resultado do pecado do próprio homem.

Nós costumeiramente chamamos o sofrimento de mal. Todavia, reparem que o crente é aquele que deve estar em paz com seu sofrimento, entendo-o sob a ótica da soberana e bondosa vontade do Senhor. No entanto, jamais concordará com o pecado, aceitando-o pacificamente em sua vida. O sofrimento na vida do crente verdadeiro é oportunidade de aperfeiçoamento, de se aconchegar ainda mais sob as asas do Onipotente, de experimentar a preciosidade da fé depurada pelo fogo. Porém, na cobiça, nas vontades alternativas, nada há de bom. Colocando isso de outra forma, somos chamados a aprender a administrar todos os sofrimentos, mas a rechaçar por completo qualquer vontade pecaminosa, toda cobiça, ainda que travestida de ambições, como o mundo a gosta de chamar. Faz parte da fuga do homem da condenação e do inferno a negação de sua maldade natural. Por meio das psicologias humanas, tudo se tornou “doença”. Dessa forma, o estuprador é doente, o mentiroso é doente, o alcoólatra é doente, o usuário de drogas é doente, mesmo o pedófilo é doente. Tais pessoas não têm do que se arrepender. Elas, na verdade, são apresentadas como vítimas do mal, não sua fonte. O pior de tudo é que, sem reconhecer seus pecados e verdadeiramente se arrepender, não há salvação. Jamais haverá um estuprador crente, um alcoólatra crente, um pedófilo crente etc. A verdadeira conversão deixa tudo isso para trás, fazendo do pecador nova criação de Deus.

Cada vez mais o homem maquia esta verdade: todos são maus. No entanto, a sociedade atual, contaminada por noções marxistas, é pelagiana. Pelágio revoltou-se contra a teologia agostiniana quando ouviu a afirmação do famoso patrístico: “Dá-me aquilo que ordenas, ordenas aquilo que queres”. Jamais aceitou a submissão completa à vontade de Deus. Então, criou uma das maiores heresias da história da igreja, afirmando que o homem nasce sem pecado, possuindo em si a capacidade para o bem moral, isto é, para viver de forma perfeita e impecável. Com isso negava não só o pecado original, mas a própria necessidade da salvação em Cristo. Em linha com o pelagianismo, hoje busca se esvaziar a maldade humana, atribuindo-a a condições sociais. Impera a máxima que o homem é bom e que é o meio que corrompe o ser-humano. Dessa forma, além da dissimulação que chama pecados sórdidos de “doença”, também há a leitura social da vida humana. Aquele que nasceu em lugar onde passou privações materiais, sofreu maus tratos ou abusos, é quase justificado ainda que mate alguém.

A sociedade atual perdeu o senso da maldade do coração humano. Parte-se do princípio que todos são bons, pois os maus só o são por causas exteriores a si mesmos, é o que acham e pregam. Todavia, Salomão já em sua época reconhecia acentuado nível de malignidade na alma humana. Na verdade, reparava que isso não era uma realidade de época, simplesmente relativa a seu tempo, mas como uma constante em todos os séculos, algo sempre peculiar ao que acontece “debaixo do sol”. Associa a maldade inata do ser humano aos desvarios que há em seu coração. Em outras palavras, liga pensamentos abomináveis e contrários à bondade e à santidade de Deus à presença do mal na vida de todo homem natural. Essa é uma área extremamente difícil para todo crente: o domínio do seu pensamento. Para a cristandade atual, ser santo é disfarçar um comportamento aprovado diante dos homens. Acredita que, escondendo seus erros, viverá aquilo que o Senhor determinou em sua Palavra. Pensa a santidade como algo meramente exterior, negando-a aos domínios da alma. Cada crente assemelha-se à lua: há sempre uma face oculta, nunca visível àquele que olha. Contudo, o que se espera é que o crente não tenha o que esconder – isso é santidade. Essa dinâmica de ocultação leva-o a pensar que aquilo que povoa e domina a sua mente não importa, pois não pode ser visto pelos seus semelhantes.

Entretanto, tanto no Novo quanto no Antigo Testamento, as Escrituras enfatizam a importância da pureza interior, da necessidade de termos corações e mentes limpos. Faz parte da vida cristã uma disposição mental agradável ao Senhor. É certo que somos constante e involuntariamente expostos a imagens e informações que nos tentam e tendem à impureza. Portanto, eis a responsabilidade cristã: evitar ao máximo permitir que os olhos repousem naquilo que é inconveniente à santidade, mormente coisas que despertarão pensamentos inadequados. Maquinar maldade faz parte da essência do ser-humano caído, mas não é isso o que se espera dos redimidos no sangue de Cristo. Que nossa mente tenha prazer na Lei de Deus. Que nossos pensamentos sejam orientados para as coisas do alto, onde Cristo vive, assentado à destra de Deus. Que nosso coração seja puro e voltado à santidade. Se assim for, a paz do Senhor estará em nós. Tenha um abençoado dia na presença do Senhor (Rev. Jair de Almeida Junior).