CUIDADO COM OS DIÓTREFES
“... mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida.” (3Jo 9)
A partir do verso 9 da terceira carta de João, somos apresentados a um personagem que revela um tipo de desafio presente em todas as épocas: Diótrefes. Ele é descrito como alguém que deseja “exercer a primazia”, ou seja, ser o mais importante, o mais influente, o centro das atenções. Não aceita autoridade espiritual sobre si, rejeita conselhos, silencia vozes fiéis e espalha palavras maliciosas contra os servos de Deus.
Essa figura, embora localizada historicamente, continua atual. Em nossa caminhada, certamente iremos nos deparar com diferentes “Diótrefes”, pessoas que querem dominar relacionamentos, ambientes e até igrejas, muitas vezes usando sua posição social, recursos financeiros, rede de amizades ou mesmo o ambiente familiar para manter controle e influência. Diótrefes não coopera, não acolhe, não edifica. Ele impõe, critica e dispersa.
O apóstolo João, homem de profunda comunhão com Cristo, foi alvo da rejeição e das maledicências de Diótrefes. Ele escreve: “...proferindo contra nós palavras maliciosas...” (v.10). Isso nos mostra que até mesmo os mais maduros na fé não estão imunes às investidas da soberba alheia. A verdade é que todo cristão, mais cedo ou mais tarde, enfrentará quem tente calar sua voz, deslegitimar seu testemunho ou abafar sua influência espiritual.
O que fazer diante disso? O caminho bíblico é diferente do impulso natural. Ao invés de revidar, somos chamados à humildade. O orgulho de Diótrefes deve ser vencido pela mansidão dos filhos de Deus. Em vez de disputar espaço, somos chamados à oração, intercedendo pela igreja e também por aqueles que, tomados pelo desejo de primazia, precisam de transformação.
Portanto, nossas palavras devem ser de sabedoria, não de vingança. Devemos perseverar, mesmo diante da oposição, confiando que o Senhor julgará com justiça e manterá a verdade.
Em tempos de confusão e disputa por poder, mantenha-se fiel. Cuidado com os Diótrefes, não apenas os que surgem à sua volta, mas também o que pode, sutilmente, tentar crescer dentro de você. E este é um ponto importante! Que o Senhor nos encontre humildes, firmes na verdade e prontos para servir, mesmo que não sejamos vistos. Afinal, a verdadeira bênção é servir como Cristo serviu.