"Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos" (Ml 3:6).
O mundo vive à procura de mudanças e novidades. Muitos chamados "crentes" têm sido influenciados por essas ideias e se esquecem de que não há nada mais antigo do que Deus e ele não muda. A antiguidade do Senhor é afirmada como a causa necessária e primeira de todas as coisas. Mesmo o Cristo, em sua essência divina, é mostrado já presente no momento em que a Criação começou a ser gerada. Antes de trazer o mundo à existência em seu ser, o Criador trino estabeleceu as normas, formas, leis que regeriam toda a realidade criada, física e espiritual. Ele não precisa fazer testes ou estabelecer um processo de aperfeiçoamento e maturação daquilo que criou, como creem teólogos evolucionistas. Assim como o Senhor é essencialmente aquilo que é, também a Criação. Não há mudanças de padrões, evoluções ou qualquer tipo de alteração significativa que modifique radicalmente o que foi criado desde o início.
Como o único ser realmente eterno não há qualquer mudança em Deus: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1:17). O Ser Divino continua a ser o mesmo que se manifestou na Criação associado a algumas figuras que traduzem sua participação. Cristo, segundo vemos no capítulo um do evangelho de João, mostrou-se como luz no primeiro dia da criação, não como o elemento gerado ex nihilo (“do nada”) pela voz de Deus, mas como o propósito e destino de tudo, as leis e princípios pré-determinados de todas as coisas. A luz que raiou no dia primevo não foi apenas o brilho, a energia, mas a revelação no Filho eterno de Deus de todos os parâmetros e objetivos da existência. Conforme vemos no evangelho de João em seu capítulo inaugural, Jesus é a luz (Jo 1.4, 5). Já o Espírito, está associado à água desde “o princípio”, elemento sobre o qual pairava, executando tudo o que se revelava na “luz” que é Cristo. Por fim, o Pai se revelou na amplidão na qual tudo foi criado (At 17.28). Não sendo matéria, o ser triuno divino “mistura-se sem se misturar”, onde três pessoas são distintas, mas existindo sempre juntas na mesma essência de um único ser. Por isso, embora havendo três pessoas, geralmente destacadas em obras peculiares, são sempre o mesmo e único Deus a atuar de forma triuna em todas as coisas, desde o planejamento no conselho divino até sua execução no Espírito Santo.
A soberba e o pecado humanos manifestam-se no desejo, na patética e simplória intenção de mudar o que já foi determinado antes da fundação do mundo pelo Criador. O desejo por mudança esconde a real intenção de não se sujeitar àquilo que foi estabelecido pelo Criador, o assenhorar humano da existência, como se realmente o pudesse fazer. A tentativa de alguns chamados “crentes” de reformular a verdade divina traz a implícita negação do único Deus verdadeiro. É impor-lhe transformações e mudanças que são completamente incompatíveis com sua vontade e seu Ser. Significa dizer que tal atitude não é apenas herética, mas verdadeiramente blasfema, pois não apenas contraria aquilo que o Senhor estabeleceu, mas sua própria essência incapaz de mudanças. É muito importante compreende isto: mudar o que foi revelado nas Escrituras, levantar-se contra qualquer verdade, não contraria somente os decretos divinos, mas é clara tentativa de modificar o ser de Deus, pois não pode mudar.
Mais e mais o homem se debate tentando reformular a própria existência à sua maneira, como se o pudesse fazer, como se a vivência de uma mentira tivesse o poder de mudar a realidade. Assim, progressivamente cada um procura existir em sua ilusão, seu engano, atitude de fé demoníaca e maligna que crê nas próprias disposições do coração e compreensões simplesmente humanas contra a realidade divina.
Assim, o homem que foi criado à imagem e semelhança de Deus, que recebeu de presente um glorioso universo para viver, o qual também manifesta o Ser divino, usurpa o mundo criado por Deus para sua glória e o torna um mundo de homens, reformulado para a satisfação de seus pecados. Faz questão de ignorar que todas as suas arrogantes pretensões ocorrem na existência que passa, no ponto estendido da eternidade no qual Adão caiu, o tempo no qual existimos, que empurra tudo para o seu fim. A sabedoria humana é aquela que ignora o fim de todas as coisas para viver intensamente a ilusão de seu presente. É como a anedota americana que fala do homem que se jogou de um alto prédio e dizia a cada andar que passava em sua queda: até aqui, tudo bem.
O verdadeiro crente é aquele que entende que sua vida e alegria ocorrem tão-somente na completa integração a Deus, a união com o Cristo glorificado que o salvou. A antiguidade de Deus, sua imutabilidade, são a base de nossa segurança, como afirma o verso epigrafado. Se o Ser divino fosse passível de mudança jamais poderíamos confiar em sua Palavra ou em suas promessas. Ao invés de buscarmos novidades para satisfazer corações carnais, descansemos e confiemos no único Deus que não muda, Criador, Sustentador de todas as coisas, Salvador dos eleitos. Tenha um abençoado dia na companhia de Jesus