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quarta-feira, 27 de maio de 2026

 A fé que agrada a Deus

“Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo” (Gl 1.10).

 Depois de afirmar o único e verdadeiro evangelho diante da inconstância dos gálatas, Paulo faz questão de defender também a si mesmo, como apóstolo de Jesus Cristo. Um dos métodos mais eficientes para acabar com a autoridade de alguém é lançar alguma desconfiança sobre ele. É o que, basicamente, vemos na política brasileira. Quer derrubar alguém bem-quisto? Trabalhe para desacreditá-lo, lançando desconfianças contra ele. Nenhuma autoridade resiste ao descrédito e à desconfiança. Os métodos ímpios e diabólicos também aparecem dentro da igreja, utilizados especialmente por pessoas que se intrometeram nos assuntos de Deus, bem como, por crentes que se deixam influenciar por ímpios. Principalmente, neste verso dez, vemos Paulo reagindo a uma acusação que lhe faziam.

 Os judaizantes se oportunizavam do evangelho para fazer prosélitos judeus, afirmando aos Cristãos recém-convertidos que precisavam primeiro guardar a Lei e os costumes judaicos. É como se dissessem que, antes de se tornarem cristãos, os gálatas precisavam se tornar judeus para que vivessem a autêntica verdade de Deus. Acusavam o apóstolo Paulo de ser uma espécie de “facilitador” para atrair mais seguidores. Para eles, Paulo era alguém que pregava uma religião desobrigada de esforço e obras, uma espécie de crença que não produz transformação ou frutos. Era assim que os judaizantes entendiam a pregação do evangelho da graça de Cristo: algo inerte, que não exigia o serviço a Deus.

 Lembremos da plausibilidade de Tiago ter escrito sua carta para corrigir um mal entendimento quanto à doutrina paulina. Uma má compreensão não de Paulo, obviamente, mas de muitos judeus ligados ao cristianismo, que acreditavam que era possível crer, sem qualquer fruto ou transformação na vida. Tiago teria escrito sua carta exatamente para combater aquilo que estavam acusando Paulo de fazer: a pregação de um evangelho descomprometido, só de ouvir, sem atuação, sem efeito transformador. Daí Tiago afirmar que semelhante fé jamais poderá trazer salvação, jamais livrará do juízo. Tiago afirma a necessidade de uma justiça comportamental, não para méritos, não para acumular uma justiça pessoal, como pregavam os judaizantes. Se a Carta de Tiago fosse do conhecimento destes, seguramente serviu de “munição” para seus ataques contra Paulo e seu apostolado, bem como, para a reafirmação de que apenas o cristianismo praticado e pregado pelos apóstolos de Jerusalém era o verdadeiro.

 Era exatamente o comportamento transformado, a presença de santidade e obras, que destacavam, que comprovavam a existência da fé verdadeira: “onde está a fé se nada produz? Eu mostrarei a minha fé por meio das obras que realizo, da justiça de Cristo em minha vida, em meu comportamento e atitudes”. Paulo combatia aqueles que descansavam em seus próprios esforços para obter justiça pessoal, ao invés de descansar na graça de Jesus. No entanto, seus oponentes, por sua vez, acusavam-no de pregar um evangelho sem obras, sem transformação, sem atitude. Por isso, a reação de Tiago! Não contra Paulo, pois Paulo não pregou jamais um evangelho contemplativo, mas contra aqueles que acreditavam que o evangelho da graça era a pregação da passividade.

 Isso é algo muito sério! Acredito que essa batalha na qual Paulo e Tiago se envolveram como aliados é exatamente aquilo que mais ameaça a igreja em todos os tempos! Temos extrema dificuldade em achar o ponto de equilíbrio entre graça e obras. Como o pecado ainda está presente em nossa vida, podemos pecar sempre que nos inclinamos mais para um lado do que outro. O grande problema é que uma meia-verdade é uma mentira completa! Se simplesmente confio que sou salvo pela graça de Cristo, e desprezo a vida resultante disso, esse não é o evangelho de Cristo. É um evangelho mentiroso, outro evangelho! Mas, não há outro! Há apenas um evangelho de Cristo. Se, ao contrário, me esforço para fazer coisas para Deus, tanto serviço quanto a obediência em sua Palavra, passando a olhar mais para meus próprios esforços, o resultado será o agrado de mim mesmo, o orgulho. Esse não é o evangelho de Cristo, mas um outro evangelho! Como não há outro, é um falso evangelho.

 Essa sempre foi a luta da igreja, a luta de cada crente contra tendências malignas que ainda assombram o seu coração: a falsa confiança na graça, ou, uma falsa confiança em si mesmo. Esse é um problema real! A acusação feita pelos judaizantes conta Paulo é verdadeira e real! Não que Paulo estivesse facilitando o evangelho a alguém, mas sim que realmente essa tendência existe! Ela é tão sutil, que os próprios acusadores de Paulo incorriam nela, mas se radicando no lado oposto àquilo que acusavam o apóstolo. Façamos um exercício pessoal. Arriscaria dizer que, em nossos dias prevalece o radicar-se na graça, em detrimento de obras.

 É importante dizer que as obras não são um complemento à fé, como se fosse a parte humana na própria salvação do indivíduo. Nós, crentes, não somos chamados a completar a obra de Cristo por meio do estabelecimento de uma justiça pessoal. Certamente, nos radicamos na graça. Porém, o que temos que entender é que aqueles que verdadeiramente receberam a graça de Deus em Cristo vão mostrá-la por meio de uma vida transformada, o que inclui santidade e serviço. As obras sempre foram, sempre são e sempre serão a única evidência da verdadeira fé. Então, analise e pense: olhe para sua vida neste momento: o que você vê? Você repara uma vida verdadeiramente comprometida com Deus? Faça o teste proposto por Tiago: mostre a sua fé através de suas obras. Tente enxergá-la, apalpá-la, por meio de seus efeitos, de seus resultados.

Você tem uma vida transformada? Ela é visível àqueles que não creem? No seu ambiente de trabalho, na universidade, na sua família, pessoas não crentes também a veem com clareza? São capazes de perceber a enorme diferença que há em sua vida? Conseguem ver a santidade de Jesus em você? Você é como cidade toda acesa à noite, sobre uma montanha? Se você é crente, sua fé será plena. A vida cristã foi resumida à santidade entendida como moralidade! Descartou-se, eliminou-se por completo da agenda cristã a necessidade do serviço a Deus. A grande preocupação do crente atual, daqueles que ainda se preocupam com algo, é modelar o comportamento às Escrituras, isto é, apenas ética e moral. Sem dúvida é uma preocupação legítima. Porém, só será verdadeira se estimular igualmente ao serviço. A religião da graça torna-se evangelho egoísta e mentiroso se não incluir o serviço a Deus e ao próximo.

Então, não basta olhar para a própria vida e reconhecer alguns traços de Cristo no comportamento. Tenho que me perguntar: o que tenho feito para o reino? Que tipo de trabalho realizo como evidência de minha fé? É por isso que Tiago enfatiza o serviço, não apenas a santidade: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tg 1.27). Onde está a verdadeira religião? O que realmente manifesta a verdadeira fé? Assistir órfãos e viúvas: serviço; e guardar-se incontaminada do mundo: santidade. A verdadeira fé tem que produzir frutos de justiça na santidade e no serviço. Talvez Tiago coloque em primeiro lugar o serviço exatamente porque olhar para o outro é enorme dificuldade para o ser humano caído. Ele tende ao egoísmo, a olhar para si. Sua busca de Deus, muitas vezes, reflete seu egoísmo. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus 

INTIMIDADE

 Intimidade com Deus não nasce nas visitas esporádicas. Ela floresce na permanência, na constância e na entrega diária. 


Tem gente querendo frutos de uma árvore que só visita de vez em quando… Querendo ouvir a voz de Deus, mas só aparece quando tudo aperta, querendo revelação, mas sem disciplina, querendo fogo, mas sem altar aceso. 


A intimidade floresce quando aprendemos a permanecer no jardim… e não apenas visitar. 


Quando decidimos fazer da presença de Deus o nosso lar, e não um lugar de passagem. O jardim é lugar de cuidado, de cultivo, de raízes profundas. É onde Ele fala, trata, transforma. Mas só floresce pra quem fica. 


Você tem visitado o jardim… ou escolhido habitar nele?


ESCOLHIDO

 “Tem dias em que o coração do escolhido se cansa.

Dias em que a oração sai em silêncio, em que a fé parece pequena e a culpa pesa mais do que a esperança.

Porque ser escolhido por Deus não significa ser perfeito… significa apenas que, mesmo imperfeito, você continua sendo alvo da graça.


Pedro negou.

Davi caiu.

Jonas fugiu.

Elias quis parar.

Mas Deus nunca abandonou aqueles que Ele chamou pelo nome.


O céu conhece suas guerras internas que ninguém vê.

Conhece as lágrimas escondidas atrás do sorriso.

Conhece o medo de não conseguir continuar.

E ainda assim, Deus permanece dizendo: ‘Você ainda é meu.’


O inimigo tenta te convencer de que seus erros anulam seu propósito, mas a misericórdia de Deus é maior do que qualquer queda.

Quem foi escolhido pode até tropeçar no caminho… mas nunca ficará sozinho nele.


Deus não escolheu você porque era forte.

Ele escolheu porque o amor dEle transforma fraquezas em testemunhos.


“Porque sete vezes cairá o justo, e se levantará.”

— Provérbios 24:16 📖

JESUS

 Em Lucas 15, Jesus conta três histórias de algo perdido e algo achado. Uma ovelha perdida. Uma moeda perdida. E um filho perdido. No final de cada história, descreve uma comemoração. O ponto é claro. Jesus é mais feliz quando os perdidos são achados.


Jesus regozija porque ele sabe o que espera os salvos. No Céu você terá, finalmente, um coração como o dele. Sem culpa. Sem medo. Adorando incansavelmente. Discernindo perfeitamente. Jesus regozija-se também que somos salvos do inferno. Ele diz que só tem um som lá, o de “choro e ranger de dentes”.


Cada pessoa que você conhecer já recebeu um convite para o banquete. Quando um diz “sim” então comemore! Quando um hesita, exorte-o a se preparar. Você não quer que qualquer um perca o banquete.

CÉU

 Tem dias em que o céu parece fechado, o coração pesa e a alma se pergunta até quando vai suportar tanta luta. Há noites em que o silêncio de Deus machuca mais do que as próprias feridas. Mas é exatamente nesses momentos que o Senhor mais trabalha.


A Bíblia nunca contou histórias de milagres em tempos confortáveis. O mar só se abriu porque havia um povo sem saída. Lázaro só ressuscitou porque todos já haviam perdido a esperança. A tempestade só revelou o poder de Jesus porque os discípulos estavam apavorados dentro do barco.


Talvez hoje você esteja vivendo o capítulo mais difícil da sua vida. Pessoas te abandonaram, sonhos parecem afundar e até sua fé ficou cansada. Mas Deus não perde o controle no meio da tempestade. Enquanto você pensa que tudo acabou, o céu ainda está escrevendo sua história.


Não confunda demora com abandono. Deus age no tempo certo, da maneira certa, e no momento em que ninguém mais acredita, Ele mostra que continua sendo Deus. O impossível para o homem sempre será o cenário perfeito para o milagre divino acontecer.


Continue orando mesmo chorando. Continue acreditando mesmo sem entender. O barco pode estar sendo sacudido pelas ondas, mas Jesus ainda está nele. E se Ele está no barco, a tempestade não terá a palavra final.


“Porque para Deus nada é impossível.”

Lucas 1:37

PERDA

 Tem coisas que parecem perda até o dia em que percebemos que eram apoios temporários, não fundamentos.


Nem tudo o que sai da nossa vida vem para destruir.

Algumas ausências chegam para revelar onde colocamos nossa dependência emocional, nossa identidade e até nossa falsa segurança.


Na Bíblia, Jacó só teve o nome transformado depois da luta.

Moisés só entendeu o deserto quando perdeu o palácio.

E Pedro só descobriu quem era depois de quebrar a imagem que tinha de si mesmo.


Há crescimentos que não nascem do conforto.

Nascem da remoção.


Porque Deus não fortalece estruturas frágeis.

Ele expõe, desmonta e reconstrói.


Talvez o que mais doeu em você não tenha sido o fim.

Mas perceber que você havia construído estabilidade em algo que não podia permanecer.


E ainda assim, isso pode ser o começo da sua maturidade espiritual.


Qual foi a perda que mais transformou você em silêncio?



REI

 

(Marcos 16:6)


A ressurreição de Cristo é o fato histórico, teológico, cósmico e espiritual que alterou toda a realidade humana!


Marcos 16 nos revela que, após a morte e o sepultamento de Jesus, "Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé" (v.1) foram até o túmulo ao nascer do sol. Ali chegando, "viram que a pedra já estava removida" (v.4) e encontraram um jovem vestido de branco. Ficaram atemorizadas e "Ele, porém, lhes disse: Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o Nazareno que foi crucificado; ele ressuscitou, não está mais aqui; vede o lugar onde o tinham posto" (v.6). Jesus ressuscitou! 


A revelação bíblica sobre Jesus, sua humanidade, divindade, morte e ressurreição é o fundamento da nossa fé e de toda a nossa esperança. Assim, o Senhor Deus nos convida, em Sua Palavra e na ação do Espírito Santo, a crer em tudo, como foi revelado, pois "tragada foi a morte pela vitória" (1Co 15:54). 


Jesus é a nossa redenção! Lemos que "visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo" (1Co 15:21-22). Jesus é, portanto, a sua vida! Você foi amado, chamado pelo nome, liberto do cativeiro e redimido. E está eternamente vivo, pois Ele ressuscitou! 


Jesus é a nossa vida! Se morremos e fomos ressuscitados em Cristo, "assim também andemos nós em novidade de vida" (Rm 6:4). Não fomos chamados em Cristo apenas para a nossa redenção, mas para vivermos nele. Assim, Ele é a nossa vida. A maneira como andamos, cremos, pensamos, agimos e reagimos, falamos, sentimos e nos comportamos deve evidenciar Cristo em nós! Esta deve ser a nossa oração e o nosso compromisso. 


Jesus é a nossa esperança! Como nos ensinou o apóstolo Pedro, somos por Deus convertidos para uma "viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos", reservando para nós "uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros” (1Pe 1:3-4). 


Meu irmão, minha irmã, vocês estão vivos e a vossa vida está guardada em Cristo Jesus. Ninguém pode roubá-la, extingui-la, escondê-la ou alterá-la. Ela está nas mãos do Rei, que está vivo!

NÃO

 Deus fala a Paulo em 2 Coríntios 12:9: “A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza.”


Uma das experiências mais difíceis da vida cristã é receber um “não” de Deus. Existem orações sinceras que parecem não ser respondidas da maneira que esperamos. Há momentos em que clamamos por cura, livramento, restauração ou pela preservação de alguém amado, mas a dor permanece.


O apóstolo Paulo também enfrentou isso. Ele orou repetidamente para que Deus removesse seu “espinho na carne”, mas o Senhor decidiu não atender seu pedido da forma desejada. Em vez disso, Deus lhe deu graça suficiente para suportar a dor. Isso nos ensina que nem sempre entenderemos os pensamentos do Senhor. Isaías 55:8 afirma: “Porque os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês.” 


Desde que o pecado entrou no mundo, a humanidade passou a viver cercada por lágrimas, enfermidades, despedidas e sofrimento. O relacionamento com Deus não elimina todas as dores desta vida. Contudo, a presença do Senhor transforma a maneira como atravessamos o sofrimento. Ele consola, fortalece, sustenta e responde aos que n’Ele confiam. O Salmo 34:18 declara: “O Senhor está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito oprimido.” 


Talvez hoje você esteja tentando entender algo que nunca encontrou resposta. Continue caminhando pela fé. Mesmo quando não compreendemos os planos de Deus, podemos confiar no Seu caráter perfeito.


Esta vida, com suas dores, não é nosso destino final. Cristo veio trazer esperança eterna aos pecadores. N’Ele há o “sim” de Deus; n’Ele há perdão, consolo e a promessa gloriosa da vida eterna nos céus para todo aquele que n’Ele crê.

PECADO

 "Não há pecado em que o coração do homem caia com tanta facilidade como o orgulho. Contudo não há nenhum mal que seja condenado com mais frequência, ênfase e com mais eloquência pelas Escrituras. O orgulho deveria ser algo estranho para nós, pois nada temos para nos orgulhar. Em quase todos os outros pecados, restam-nos pelo menos cinzas, quando o fogo se vai. Mas no orgulho, o que fica? O cobiçoso fica com seu ouro reluzente, mas o que é que o orgulhoso possui? Ele possui menos do que teria sem orgulho, e não é vencedor, qualquer que seja a disputa. O orgulho não recebe coroa."


MARACUTAIA

 


Jacó, na hora de pegar a bênção que era sua, conforme promessa de Deus, usou o expediente da mentira, da disfarçatez e do engano. Uma maracutaia totalmente desnecessária diante do velho e cego pai Isaque (Gn 27). Muitos anos depois, chegando o seu turno de abençoar filhos e netos, o próprio Jacó simplesmente troca as mãos, abençoando o menor, Efraim, em lugar do maior, Manassés (Gn 48). Jacó aprendeu a lição e eu também! Neste último ato, Deus estava, num simples gesto de mãos trocadas, dizendo ao velho patriarca: "Tás vendo, Jacó? Quando eu quero fazer não preciso de maracutaia: eu apenas troco a posição das mãos de um homem e abençoo quem eu quero". Podia ter sido assim na casa de Isaque, mas a maracutaia de Jacó com sua mãe Rebeca tomou o lugar da confiança plena em Deus, pelo que muitos foram os desgostos para todos os envolvidos - ainda que a vontade soberana de Deus tenha prevalecido finalmente.


Irmão, tu que estás aí tramando mil e uma coisas pra chegar onde Deus já prometeu te levar... Homem, descansa no Senhor! Num trocar das mãos Deus decreta a bênção e não tem quem desfaça! Poupa tua alma de sofrimento desnecessário. Vai orar que é o melhor que tu faz.

SIGAMOS

 

“Disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem” (Êx 14.15).

Nossos poucos dias nesta terra passam acelerados. Nós não somos meros expectadores, mas atores. Esforçamo-nos por não ser arrastados por essa esteira veloz que corre sob nossos pés, tentando pegar e fazer o que nos compete. Sem dúvida, a vida exige constante esforço ainda que seja apenas para não nos deixar arrastar por tudo o que acontece. Todavia, nessa “longa estrada da vida”, que talvez seja mais curta do que supomos, não raro podemos nos deparar com situações que parecem intransponíveis. 

No entanto, o problema não está na existência, mas na concepção que temos dela. Certamente, este é um mundo amaldiçoado pelo pecado, o que faz com que aquilo que lhe seja comum sejam dores, problemas, traições, doenças, ou seja, várias modalidades de morte e suas consequências. Curiosamente, temos o mau hábito de viver como se os problemas não existissem. Claro que todos nós temos a plena certeza das dores e dificuldades que existem, porém parece que existimos como se elas jamais nos alcançassem, ou, pelo menos, os maiores sofrimentos. Para nós o pior sofrimento é sempre aquele que nós estamos passando. Não olhamos para o lado e consideramos coisas piores enfrentadas por outras pessoas.

Contudo, qual seria o maior de todos os sofrimentos? É possível mensurar isso, estabelecendo uma escala de intensidade? Falando-se estritamente, não, pois os sofrimentos estão associados à fatores emocionais. Sofrimentos são sempre individuais, pessoais. Não há como sofrer o sofrimento de outro, apenas desenvolver o seu, ainda que causado pela dor alheia. Nunca será o mesmo. Ainda que duas pessoas passem pela mesma perda, pela mesma enfermidade, serão sofrimentos diferentes, pois pessoais, associados à personalidade de cada um. Há pessoas mais resistentes às dores físicas e às agonias da alma do que outras. O sofrimento aumentará exatamente quando essas duas esferas de sofrimento se somarem na experiência de um pecador, quando ele permite que o sofrimento físico passe a ser também o sofrimento de sua alma e vice-versa.

Aquele que parece ter mais sofrido nesta terra, depois do próprio Cristo, teve acrescentado sofrimento sobre sofrimento, somando sofrimentos do corpo a sofrimentos da alma. Jó perdeu seus bens materiais, seus filhos, adoeceu terrivelmente, sua esposa se voltou contra ele e contra Deus e abandonou o marido, foi acusado por pecados que não cometeu. Os maiores sofrimentos são sempre a soma dos sofrimentos da alma aos do corpo. Eis por que os ímpios também ressuscitarão: não lhes bastará o sofrimento apenas espiritual. Será necessário sofrerem também no corpo. O grande desafio do crente é sofrer dentro dos limites do seu sofrimento, sem transitar da alma para o corpo, ou do corpo para a alma.

O primeiro percurso, da alma para o corpo, é causado por situações nas quais nos tornamos tão pesados e amargurados por um problema não-físico, mas que passa a afetar o corpo por transferirmos para o organismo as tensões espirituais. De certa forma, isso será inevitável, se nos permitirmos tamanho grau de agonia. Jesus suou sangue no Getsêmani, tamanha a agonia que padecia. É o médico Lucas que nos conta: “E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lc 22.44). Como homem perfeito, Jesus não tinha qualquer prazer no sofrimento que estava a passar, mas sua vontade moral, aquilo que tinha plena certeza ser o certo a fazer, por ser exatamente o propósito de sua encarnação, o compelia adiante. Seu corpo refletia a profunda agonia de sua alma.

Davi, de quem descendeu o Cristo, fala que a reprovação de Deus que se abatia em sua alma devido a seus pecados ocultos lhe fez envelhecer os ossos, roubando suas forças e disposição (Sl 32.4). Agonias de alma, causadas por culpas, preocupações, com frequência levam o corpo a padecer e, até mesmo, enfermar. No percurso oposto, dores físicas podem levar a alma a perder a perspectiva da alegria que temos diante de Deus, alijando o desejo pelo Senhor, a gratidão e a alegria. Por isso, se sofremos em apenas uma das esferas, ou no corpo, ou na alma, nossa responsabilidade é não permitir que a dor transite de uma esfera para outra, intensificando enormemente nossas dores.

Se o corpo padece, preservemos e invistamos na saúde de nossa alma: “O coração alegre aformoseia o rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate” (Pv 15.13). Se alma padece, busquemos o Senhor para voltar a um relacionamento sadio com ele, a fim de que nosso corpo não sofra. Embora isso pareça óbvio e redundante, o sofrimento físico é causado sempre por causas físicas, e os sofrimentos da alma, por causas não físicas. Refiro-me aos sofrimentos típicos dessas esferas, não ao trânsito das dores de uma para outra, isto é, não ao empréstimo da dor da alma ao corpo e vice-versa. A dor física é causada por questões externas como doenças, acidentes, ainda, pela ação de homens e animais.

A dor na alma pode ser causada por questões exteriores ou interiores. No primeiro caso, é resultado de assimilações e entendimentos da alma, quando abrimos nosso coração para aceitar terríveis estímulos daquilo que ocorre fora de nós. Podem ser atritos com pessoas, traições, presenciar situações de grande dor alheia, o medo e a preocupação, a ansiedade de que alguma coisa que queremos muito que aconteça ou que queremos muito não se concretize. No segundo caso, por pecados não confessados e culpas. Em todo e qualquer sofrimento, quer seja o do corpo, quer seja o da alma, a administração deles será sempre domínio da alma. Nosso espírito é quem deverá reger e administrar todas as nossas dores, entendê-las do ponto de vista divino, aceitá-las. 

Aqui está algo muito importante: geralmente achamos que o sofrimento deve ser extravasado, liberado, uma explosão emocional, uma espécie de liberdade de expressão sem filtro daquilo que sentimos, legitimada pelo próprio sofrimento. Aprendamos que temos que estar no controle e no domínio de nossas dores e sofrimentos, nunca o contrário. Nosso único e maior exemplo, pregado à cruz, em profunda dor no corpo e agonia na alma, jamais perdeu o controle de suas dores e de seu sofrimento. Mesmo padecendo dores incalculáveis foi capaz de orar suplicando o perdão por aqueles que o matavam, de ouvir a súplica de um penitente crucificado ao seu lado, de orientar João a cuidar de sua mãe, de cumprir conscientemente tudo aquilo que havia sido profetizado, aquilo que tinha sido decretado pela Trindade antes da fundação do mundo. Pôde dizer em pleno domínio da situação: está consumado e entregar sua alma ao Pai. Agitou-se apenas quando o inferno subiu à cruz, momento em que clama a Deus esmagado por nossos pecados.

Este é o maior de todos os sofrimentos: dores físicas e agonia incomparável de alma, desamparado de Deus e debaixo de condenação, o próprio inferno. Por isso, embora ainda distante daquela realidade, talvez seja possível dizer que há pessoas, mesmo crentes, que se permitem a viver vidas infernais. O controle de nossos sofrimentos está ligado ao domínio e à sujeição de nossas vontades. O descontrole emocional é decorrente de não aceitarmos algo, ainda que seja a dor física. Se assimilarmos todas as coisas do ponto de vista de Deus, mesmo não entendendo os acontecimentos e os propósitos do Senhor, dobrando a nossa vontade e aceitando docilmente o que temos que enfrentar, não haverá amargura em nossa alma.

Sofrer não é pecado. Pecado é se entregar à amargura que não admite cura, uma vida exilada de Deus como se Jesus não existisse, como se não tivéssemos o próprio Espírito de Deus em nós. Não queiramos controlar os acontecimentos, apenas nosso sofrimento, domando e dobrando nossa vontade, humilhados diante de Deus por negarmos nossa própria vontade, clamando sinceramente: “seja feita a tua vontade assim na terra como no céu”. Os sofrimentos são paralisantes. Temos no Senhor a habilidade para lançar sobre Cristo todas as nossas ansiedades (1 Pe 5.7), sobre o Sumo Sacerdote que mesmo elevado às alturas sabe o que é sofrer (Hb 4.15). Ainda que a barreira pareça intransponível, sigamos adiante, confiados nas promessas de Deus, conforme o texto epigrafado. Deus se constitui em lugar seguro, firme, onde todos devemos nos radicar. Clame, pois: “Leva-me para a rocha que é alta demais para mim” (Sl 61.2). Tenha um excelente dia na presença de Deus

VERBO

 Eu o admiro porque ele é o verbo que disse haja e houve.

Daí ser o autor e consumador da vida. Hebreus 12.2


Eu o admiro porque ele alimenta a minha alma.

Daí seu nome ser Pão da vida. João 6.35


Eu o admiro por ele iluminar minhas madrugadas sombrias.

Daí eu chamar de Resplandecente Estrela da manhã. Apocalipse 22.16


Eu o admiro por ele ser um chão firme quando me sinto fragilizado.

Daí eu o chamar de Pedra Angular. Efésios 2.20


Eu o admiro por não me sentir aprisionado em nossa relação.

Daí eu o chamar de a Porta. João 10.7


Eu o admiro por me sentir acompanhado nos vales e nos montes.

Daí eu o tratar como Bom Pastor. João 10.11


Eu o admiro por trazer compreensão a minhas dúvidas mais cruéis.

Daí eu o chamar de Luz do Mundo. João 8.12


Eu o admiro por me ensinar dimensões da vida que fazem toda a diferença em horas conflituosas.

Daí eu o chamar de Mestre sem igual. João 3.2


Eu o admiro por me enxertar no caule por onde corre a seiva da vida. 

Daí eu o chamar de Videira Verdadeira. João 15.1


Eu o admiro por saber equilibrar poder e sabedoria.

Daí eu o chamar de Poder e Sabedoria de Deus. 1 Coríntios 1.24


Eu o admiro por estender-se como ponte entre mim e Deus.

Daí eu tratar como único intermediário entre Deus e os homens. 1 Timóteo 2.5


ALMA

 Tem dias em que a alma se cala porque o coração já cansou de explicar a dor.

Dias em que a oração sai em silêncio, em lágrimas, ou apenas em um olhar perdido tentando encontrar Deus no meio da escuridão.

Mas até no silêncio, o céu escuta.


A Bíblia nos mostra que muitos servos de Deus também enfrentaram noites longas.

Davi chorou.

Elias se sentiu fraco.

Jó perdeu quase tudo.

Jesus, no Getsêmani, também derramou lágrimas em oração.


Isso nos ensina que sentir dor não é falta de fé.

Falta de fé é desistir de buscar a Deus mesmo sabendo que só Ele pode sustentar a alma cansada.


Há batalhas que não serão vencidas na força humana, mas de joelhos.

Há portas que não se abrirão por esforço, mas por dependência de Deus.

E há milagres que nascem justamente quando tudo parece perdido.


Não abandone a oração só porque a resposta ainda não chegou.

O céu trabalha no invisível enquanto você permanece fiel no secreto.

Deus vê cada lágrima escondida, cada madrugada em silêncio e cada oração que ninguém ouviu além d’Ele.


Talvez hoje esteja noite na sua vida…

Mas Deus continua sendo especialista em transformar noites de dor em manhãs de esperança.


“Os que semeiam com lágrimas, com cânticos de alegria colherão.” — Salmos 126:5 🤍