Há um engano comum no coração humano: imaginar que o contentamento é automático quando se vive a abundância. Pensamos que, tendo mais recursos, mais oportunidades ou mais conquistas, a alma encontrará descanso. Contudo, a realidade revela algo bem diferente.
A Palavra nos ensina: “... de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez” (Fp 4:12). O apóstolo Paulo não apenas experimentou o muito, mas aprendeu a viver nesse contexto. Isso nos alerta que a abundância também exige maturidade espiritual. E, às vezes, ainda mais maturidade.
Quando o coração não está satisfeito em Deus, o muito não gera contentamento, mas alimenta a insaciabilidade. Quanto mais alguém possui, mais deseja possuir. O que ontem parecia suficiente, hoje já não basta. Assim, instala-se um ciclo silencioso de desejo contínuo e frustração constante.
O perigo do muito não está naquilo que se tem, mas naquilo que o coração faz com o que tem. A abundância pode facilmente deslocar a atenção dada a Deus e colocar as posses, as conquistas ou a segurança material no lugar que pertence somente ao Senhor.
Por isso, viver o muito de forma saudável exige vigilância. É necessário lembrar, diariamente, que a fonte da alegria não está nas coisas, mas em Deus. A gratidão deve substituir a autossuficiência, e a dependência do Senhor deve permanecer firme, mesmo quando tudo parece estar bem.
Lembre-se: o verdadeiro contentamento não cresce com o aumento dos bens, mas com a profundidade do relacionamento com o Altíssimo. Um coração satisfeito no Senhor permanece firme e em paz, seja na escassez, seja na abundância.
Se você vive dias de abundância, vigie! Não permita que o seu coração se esqueça do que realmente importa. Reconheça que tudo vem das mãos de Deus e existe para a glória dele.
E, assim, desfrute com gratidão, administre com fidelidade e viva com o coração firme naquele que jamais muda. É nesse lugar que encontramos paz verdadeira, alegria constante e um contentamento que não depende do quanto temos, mas de quem temos… Cristo em nós!