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domingo, 2 de novembro de 2025

SER

 Quando penso nas mudanças que acontecem, perto e longe de nós, chego à conclusão que é fácil viver de modo superficial. Os modismos são tantos que se torna até difícil manter-se centrado no humano que desejamos ser. O volume de pensamentos e a insistência das provações colocam em dúvida a própria essência que precisamos preservar. Minha adesão pela paz tem ajudado para que a calmaria não tome distância. Viver é projeto que necessita ser priorizado diariamente. Bem sabemos que a mente costuma ser ruidosa. Ela cria histórias, repete lembranças, fabrica medos e, muitas vezes, nos convence de que somos o que pensamos. Mas a essência do ser humano vive em um lugar mais profundo, onde o silêncio fala e a verdade repousa. Conhecer-se é mergulhar nesse espaço, atravessar o barulho da mente e encontrar o centro onde mora a paz. Não é tarefa fácil, pois o ego prefere distrações a profundidade. Ele se alimenta de comparações, de pressa, de querer controlar o que não pode ser controlado. O autoconhecimento começa quando paramos de lutar contra a vida e começamos a escutá-la. Quando aceitamos o que sentimos, sem fugir nem mascarar, damos o primeiro passo para o reencontro com o ser. Estar enraizado no ser é permanecer firme mesmo quando o mundo muda ao redor. É saber que a serenidade não depende das circunstâncias, mas da relação que temos com nós mesmos. Quem se conhece não se perde no caos, porque aprende a distinguir o que é passageiro do que é essencial. É o reconhecimento de que não somos o medo, nem a tristeza, nem o pensamento que insiste em nos limitar. Somos o espaço que acolhe tudo isso, sem se confundir com nada. A mente tenta dominar; o ser simplesmente é. Essa descoberta traz liberdade, porque não há mais necessidade de provar nada, apenas de existir em verdade. A vida ganha nova textura quando deixamos de viver no piloto automático e passamos a estar presentes. Conhecer-se é um ato de amor e de coragem, porque exige sinceridade e paciência. A cada vez que olhamos para dentro com honestidade, uma nova raiz se firma, e o ser floresce em plenitude.

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