“Ora, do que estamos dizendo, o ponto principal é este: Temos um sumo sacerdote tal, que se assentou nos céus à direita do trono da Majestade, ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, que o Senhor fundou, e não o homem” (Hb 8.1,2).
O fato de não mais vivermos uma realidade do Antigo Testamento faz com que, necessariamente, pensemos figuradamente na ideia de um sacerdote, mais especificamente, um sumo sacerdote. No entanto, nós realmente temos um! Não é figurado! Nosso Senhor Jesus Cristo adentrou os céus para se tornar nosso representante em todas as coisas. Deus não nos vê mais diretamente, mas através de Cristo. Isso quer dizer que, ao invés dos nossos pecados, ele enxerga a justiça de Jesus. De igual forma, Deus não trata mais diretamente conosco, em dívida de sangue com ele, mas com Cristo, nosso representante, que já morreu por nós, quitando completamente nosso débito.
O autor aos Hebreus, que pode ser o apóstolo Paulo pelo que vemos ao final de escrito (referência à Itália e a Timóteo sugerem isso), tem como objetivo exaltar a Pessoa e obra de Cristo tomando como base de comparação o Antigo Testamento. Dessa forma, começando da própria revelação, passando pelos anjos, Moisés e o sacerdócio levítico, destaca o Messias como sendo muito superior a todos eles, pois é “a expressão exata da ser de Deus”, ou seja, o próprio Deus em figura humana.
Contudo, dentre essas verdades e comparações, nada se compara ao fato de que Jesus é nosso sumo sacerdote. Dessa forma, escrevendo a judeus cristãos, o autor aos Hebreus toma assuntos hebraicos explicando como as profecias do Antigo Testamento se aplicam e se cumpriram na realidade do Novo Testamento, isto é, na igreja. Neste impressionante extrato, o texto transcrito acima, ele faz uma espécie de resumo temático do que estava tratando recentemente. Seu objetivo é afirmar o mínimo doutrinário irredutível que seu público-alvo deveria reter e assimilar.
O primeiro ponto disto é: “temos um sumo sacerdote”. É curioso observar isso. Embora não tenhamos mais a exigência de um Templo com um altar de sacrifício, continuamos a ter um sumo sacerdote. No entanto, tal sumo sacerdote, constituído para sempre segunda a ordem de Melquisedeque, realizou um único sacrifício santo e eterno para nunca jamais oficiar novamente. Ofereceu-se a si mesmo na cruz para saldar definitivamente a dívida de cada um de nós, os eleitos. Ele não é meramente humano, mas também divino.
Foi exatamente isso que lhe deu o direito de se assentar nos céus, à direita do trono de Deus. Na verdade, temos aqui uma asseveração baseada em figuras. Deus, sendo Espírito, não necessita de um trono para sentar-se. O que o autor aos Hebreu quer enfatizar é o governo de Cristo, em harmonia perfeita com Deus. O autor aos Hebreus chama este lugar de verdadeiro santuário, pois é uma referência ao “lugar” da habitação da Trindade – é onde Deus realmente “mora”. Não era um lugar como o Tabernáculo do deserto, construído por mãos de homens, lugar físico, que não podia reter a divindade.
A morada de Deus nos céus não foi construída por mãos humanas, mas “lugar” fundado e estabelecido pelo próprio Deus. A especialidade deste lugar não está “apenas” na sua localização, mas no acesso que ele permite. Uma vez que o nosso sumo sacerdote governa uma nova humanidade, a igreja, em harmonia com Deus, tem acesso direto ao Pai, intercedendo por nós diretamente na presença da Trindade, na sua morada celestial.
Dessa forma, o autor aos Hebreus distingue Jesus Cristo dos sacerdotes do Antigo Testamento: enquanto na antiga ordem eram pecadores que intermediavam o contado do povo com Deus, o atual sumo sacerdote já é o próprio Deus; enquanto os sacerdotes de Israel oficiavam na terra, nosso Senhor oficia nos céus, na presença de Deus; enquanto os do Antigo Testamento sacrificavam animais, vítimas simbólicas e sem valor algum em si mesmas, o Mediador do Novo Testamento sacrificou a única vítima que realmente seria aceitável a Deus, ele próprio.
Com isso, fica provada e estabelecida a superioridade da vida com Deus que temos no Novo Testamento, uma vez que a obra de Cristo está consumada. Estamos no Santo dos Santos, unidos com Cristo, na presença de Deus. Essa é a verdade insuperável! No entanto, não pode ser apenas algo conceitual, uma informação verdadeira. Deve ser a nossa experiência constante! Enxergarmo-nos favorecidos por Deus, à sombra do Onipotente, acolhidos sob suas asas, com nossos corpos neste mundo, mas nossa alma habitando o esconderijo do Altíssimo.
Confiemos naquilo que nosso Senhor realizou e vivamos para sua glória. Que o Senhor nos ajude a viver confiadamente. Que creiamos piamente naquilo que foi realizado na cruz. Sejamos sempre agradecidos pela plenitude que podemos viver na profunda comunhão com Cristo, por meio deste sacerdócio eterno que Jesus realiza hoje em favor de seu povo. Confiemos naquele que tem a experiência de nossa dor e necessidade, todo sábio e poderoso para dirigir a nossa vida. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus
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