Tem perdas que não começam quando tudo cai. Começam quando o temor vai embora e ninguém percebe. Em 1 Samuel 4, Israel levou a arca para a guerra como se a presença de Deus fosse um objeto para garantir vitória, mas o coração do povo já estava longe. Eles tinham símbolo, tinham história, tinham sacerdote, tinham aparência de aliança, mas já não carregavam o peso da obediência. E quando a arca foi tomada, não foi apenas uma derrota no campo. Foi uma mensagem para uma geração que tratou o sagrado sem temor. A nora de Eli estava grávida, entrou em dores de parto, deu à luz um filho, mas não conseguiu celebrar o nascimento, porque a dor espiritual era maior que a alegria daquele momento. Ela chamou o menino de Icabô, dizendo: foi-se a glória de Israel. Isso é muito forte. Uma criança nasceu, mas o nome carregava o lamento de uma geração que perdeu a presença. E essa palavra ainda confronta, porque tem gente que continua funcionando, continua cantando, continua servindo, continua falando de Deus, mas já não sente falta da glória como antes. Vai perdendo temor aos poucos, vai se acostumando com o altar sem entrega, com a rotina sem quebrantamento, com a casa cheia e o coração vazio. O perigo não é só perder coisas. O perigo é perder a presença e tentar seguir como se nada tivesse acontecido. Que o Senhor Jesus nos livre de ter movimento e não ter glória, de ter nome e não ter presença, de ter aparência e não ter temor. Porque quando a glória vai embora, nada que fica consegue preencher o vazio que só Deus ocupava. 1 Samuel 4:21-22.
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