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sábado, 8 de novembro de 2025

BENÇÃOS

 As bênçãos são maiores do que nós

“Tendo a rainha de Sabá ouvido a fama de Salomão, com respeito ao nome do Senhor, veio prova-lo com perguntas difíceis” (1 Rs 10.1).
Todo aquele que se destaca está sob alguma forma de escrutínio. Bom seria se fosse aquele dos conceitos e obras aprovados ou não, conforme critérios verdadeiros e corretos. No entanto, uma vez que o homem caído é o seu próprio deus, também se constitui em sua própria lei. Dessa forma, a base da análise de cada um não encontra necessariamente um padrão para todos. É comum em um grupo de pessoas haver aqueles que olham com reprovação algo feito por um de seus componentes, bem como, outros que haverão de aprovar. Dessa forma, o que precisamos entender é que estamos sempre sendo medidos e julgados.
Jesus afirma que somos cidade edificada sobre o monte (Mt 5.14). É completamente impossível esconder uma cidade toda iluminada na paisagem noturna de um monte. Todo o que conhece a Deus verdadeiramente é vitrine, está sob os olhares atentos de todos. Todavia, nossa preocupação jamais poderá ser agradar a todos. Com toda certeza, quem tem o objetivo de viver em função de outros jamais terá qualquer segurança de alma, vivendo a vertigem de se modelar a outros, bem como, acabará por desagradar a maioria. Devemos ter o compromisso de proclamar e viver tão-somente os santos conceitos das Escrituras. Que as pessoas sejam atraídas a nós pelo próprio Deus que está em nossa vida, não por qualquer coisa meramente humana. É o desafio de viver Cristo para todos os cristãos.
Em nossos dias, predomina uma visão egoísta e egocêntrica de todas as coisas. O modelo de pensamento hodierno despreza a vontade e o direito do outro, quiçá existem, colocando o indivíduo no centro do universo. Há alguns anos, ainda era possível mostrar a alguém que ele estava errado. Para tanto, bastava valer-se de princípios comuns pelos quais todos mediam o certo e o errado. Todavia, nos dias atuais, ainda que se consiga algum princípio comum, a pessoa simplesmente não se vê acusada, pois a realização de sua vontade é o que importa. São tempos quando alguém entra na contramão, quase bate no seu carro, e ainda te xinga.
Falando-se do crente, é interessante notar como tendemos a ter uma leitura ensimesmada de tudo o que fazemos. Até quando pensamos em pecados ou fidelidade, isso se faz presente. Quanto aos primeiros, acreditamos que é uma coisa de nossa jurisdição. Se eu pecar é problema meu, achamos. Na verdade, não é assim tão simples. Nas Escrituras há vários casos de pecados cujas consequências não se limitaram apenas àquele que pecou. De igual forma, a fidelidade! Quando sou fiel, isso se reflete de forma benéfica naqueles que estão próximos de mim, especialmente no que diz respeito ao testemunho de Cristo, constituindo-se verdadeira oportunidade para a pregação da Palavra aos ímpios e edificação para aqueles que já pertencem ao Senhor. Isso tem tudo a ver com o modelo de “missão” do Antigo Testamento.
É interessante notar que nunca houve preocupação real de evangelização de outros povos naquela época. Na verdade, não é que não houve, mas o modelo era radicalmente diferente daquele encontrado no Novo Testamento. Depois da morte e ressurreição de Jesus, nosso Senhor ordenou que a igreja, à medida que se espalhasse pela terra, pregasse o evangelho a toda criatura e fizesse discípulos. No Antigo Testamento, durante a vigência do reino político da dinastia davídica, foi diferente. Ao invés “de dentro para fora”, era “de fora para dentro”, ou seja, ao invés de serem enviados missionários para evangelizar outros povos, estes é que deveriam ir a Jerusalém para conhecer a Deus lá.
Nem mesmo Jonas pode se enquadrar como um “missionário” exatamente, pois, embora tenha ido a Nínive anunciar o necessário arrependimento dos seus habitantes, teve como propósito dar uma lição de humildade ao povo de Deus, a quem o seu livro é Escrito. Assim, o propósito evangelístico do Senhor no Antigo Testamento era o seguinte: à medida que o povo de Deus vivesse a fidelidade, haveria abundância e prosperidade, eles se fortaleceriam a ponto de serem invencíveis, e reinaria a paz sobre a terra. Essa condição seria tão notória, que os outros povos seriam atraídos a Jerusalém para conhecer o porquê disso. Era um só: o Deus de Israel.
Certamente, a fama de Salomão não se deu, apenas, por sua Sabedoria, mas pelos seus atos modelados por ela. Toda sabedoria impressiona por seus efeitos na construção da vida da pessoa e de seus resultados. É certo que o filho sucessor de Davi não era conhecedor somente das verdades de Deus. Ele era um pesquisador, que se aplicou a conhecer tudo o que ocorre debaixo do céu (Ec 1.13). Mas sabemos que a verdadeira sabedoria tem o temor do Senhor, isto é, o conhecimento profundo de Deus, como centro. Isso fica claro, também, pela forma como as Escrituras se referem à fama de Salomão: “com respeito ao nome do Senhor”. A rainha sabia que aquele dom do rei de Israel vinha do Deus a quem ele servia.
Tal responsabilidade ainda repousa sobre nós hoje. O apóstolo Paulo escrevendo aos coríntios asseverou essa mesma realidade: “Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações” (2 Co 3.2,3). Tudo o que Deus fez e faz em nossa vida tem como finalidade testemunhar sua existência e seu poder à vida de outros.
A comunhão sólida e profunda com Cristo continuará a modelar os meus atos. Consequentemente, a vida do fiel afetará positivamente os que estiverem próximos, pois as bênçãos resultantes manifestarão, necessariamente, o doador das bênçãos. Que coisa maravilhosa entendermos que as bênçãos de Deus avançam as fronteiras de nós mesmos, beneficiando a outros com o testemunho do Senhor em nossa vida. Essa deve ser a nossa visão: todo acontecimento em nossa vida extravasa a nós mesmos, alcançando outras pessoas com o testemunho de Deus. É como se disséssemos que as bênçãos são maiores do que nós.
A pregação sobre Deus está presente em nossa vida mesmo nas dificuldades. Não há maior oportunidade de testemunho do que os momentos de nossas maiores tristezas. É aí que a presença de Cristo e a obra do Espírito mostrarão a enorme diferença que há entre um salvo e um perdido. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus

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