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terça-feira, 11 de novembro de 2025

PERSEVERANÇA

 Perseverança cristã comunitária

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2.42).
Este é um dos versos mais conhecidos no Novo Testamento. Isso se deu porque expressa a beleza da comunhão da igreja, aquilo que podemos chamar de “vida cristã comunitária”, como resultado do maior avivamento que já ocorreu ou ocorrerá na história da humanidade caída: a descida do Espírito Santo. Devemos entender que, sob os efeitos desse avivamento incomparável, a igreja vivia muito perto do seu ideal. Contudo, com o passar do tempo e o fim do período do avivamento, as coisas foram se acomodando e os pecados começaram a ser vistos no meio do povo, como nos episódios de Ananias e Safira e a discriminação das viúvas dos judeus helenistas em Atos 6.
Certamente, o derramamento do Espírito não significa que ele não estava na terra. Desde o ato criador, ele já pairava sobre a face das águas. Jamais o mundo contou com apenas duas Pessoas da Trindade. O Deus Trino sempre se mostrou completo. O Pentecostes denota a plenitude da atuação do Consolador, o executivo da Trindade. Devemos notar o resultado indicado no verso da presença do Santo Espírito: a perseverança. É interessante que tal virtude seja colocada em evidência como algo necessário para a vida comunitária. A vida cristã exige perseverança.
Geralmente pensamos que a perseverança cristã se expressa no enfrentamento de um problema. No entanto, o problema só será suportado se o crente estiver, antes de tudo, ancorado na doutrina bíblica. Ninguém vencerá provações e dificuldades se não tiver conhecimento profundo das Escrituras. Sem o contato constante e a interiorização da doutrina bíblica, não terá a base necessária para suportar os embates da vida. Predominará os questionamentos e as dúvidas de fé, que multiplicarão ainda mais o desgaste e o sofrimento. É comum o crente perceber o seu relacionamento com Deus em termos de algo final, como se tivesse alcançado um objetivo. Na verdade, nunca devemos nos esquecer, que quando somos alcançados pela graça divina, é o começo, não o fim.
A partir daí temos toda uma carreira cristã para desenvolver, marcada por vários desafios, algo ininterrupto, que percorrerá toda a extensão da nossa vida. É por isso que a perseverança é sua característica. Agostinho chega a dizer que é esta virtude a única coisa que distingue a fé verdadeira daquela temporária, isto é, a verdadeira fé permanece não importando a situação que enfrentamos. Nessa nossa época de “liberdades” e “democracia”, precisamos observar que a bênção da comunhão da igreja de Jerusalém começava exatamente na perseverança na doutrina dos apóstolos. Toda a comunidade cristã de Jerusalém estava centrada no mesmo e único ensinamento, qual seja, aquele proveniente dos apóstolos.
O início da igreja é marcado por uma unidade doutrinária, causadora da unidade prática entre os irmãos. Onde não há unidade doutrinária não há unidade relacional. Se houver contato entre os irmãos, será aquele extremamente superficial. Eis uma das razões do porquê a igreja se mostra tão faccionada em nossos dias e tão desunida. A questão não é apenas a falta de tempo para a comunhão dos irmãos, ou melhor, a pouca importância que se dá ao contato “extra templo”, pois sempre encontramos tempo para tudo o que é realmente importante, mas a falta de unidade nas próprias crenças, na doutrina que se acredita.
Hoje, influenciados grandemente pelo pluralismo e pelo relativismo pós-moderno, muitos compõem a sua própria “confissão de fé”. Elegem quais as doutrinas que concordam e quais não, assumem as práticas e comportamentos que gostam, e chamam isso de vida com Deus. Levantam-se contra a liderança por não concordarem com aquilo que ensina, pois não reflete o que pensam e o que elegeram como sua própria doutrina. Certamente, o resultado de pessoas que se colocam como “cânon” doutrinário de si mesmos é o atrito, a facção e a divisão, realidades que não caracterizavam o início da igreja de Jerusalém exatamente porque perseveravam na doutrina dos apóstolos. Esse era o alicerce para perseverarem também no partir do pão e nas orações. É provável que o “partir do pão” seja referência explícita à comunhão com Cristo na Santa Ceia. O terceiro elemento é a oração. Se em uma igreja não há coesão doutrinária, a comunhão na Ceia e as orações estarão também comprometidas.
Precisamos ter a humildade de nos curvar ante o ensinamento que tem sido dado desde o primeiro século, resgatado na Reforma. Digamos “não” a novas propostas doutrinárias, diferentes do simples ensinamento bíblico. Refreemos o impulso maligno de elegermos o que vamos crer das verdades bíblicas e não sucumbamos à tentação de modelar os ensinamentos ao nosso bel prazer. Busquemos viver a mesma doutrina que viveram nossos irmãos do primeiro século. Deus não muda e sua palavra é imutável. Tenha um excelente dia na presença do Senhor (Rev. Jair de Almeida Junior).

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