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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

SANTIDADE

 “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.” (Mt 5:37)

Jesus havia acabado de falar sobre os juramentos, mostrando que não temos controle sequer sobre o que é mínimo em nós, pois “não podes tornar um cabelo branco ou preto” (v. 36). Com isso, revela a limitação humana e expõe a dependência de Deus.
Observe que o Senhor não proíbe o uso responsável de votos ou compromissos, mas denuncia a manipulação da verdade. O juramento, especialmente entre os fariseus, tornara-se um artifício para dar aparência de veracidade a uma palavra duvidosa. Muitas vezes usavam linguagem teológica e palavras elaboradas para esconder as verdadeiras intenções do coração. Jesus, então, aponta um caminho mais elevado: a verdade.
O “sim, sim; não, não” é um chamado à transparência. A expressão, em sua forma repetitiva, reforça a veracidade interior de quem fala. Em outras palavras, o que Jesus ordena não é uma comunicação minimalista, mas uma vida íntegra. O cristão deve ser alguém cuja palavra basta, sem necessidade de adornos, estratégias ou garantias externas. A mentira, o exagero e o subterfúgio são filhos do maligno, porque afrontam a Deus.
Essa simplicidade espiritual é uma forma de santidade. Quando Jesus diz que "o que passar disso vem do maligno", Ele não se refere apenas à falsidade explícita, mas também à ambiguidade, ao discurso que promete e não cumpre, ao elogio interesseiro, à promessa feita para agradar ou enganar. A integridade cristã exige coerência entre o falar e o viver. A verdade não precisa de adornos; precisa de coragem.
Vivemos em um tempo em que palavras se tornaram leves, promessas frágeis e compromissos voláteis, tanto na convivência diária quanto nas igrejas e nos púlpitos. Muitos dizem “sim” por conveniência e “não” por medo. Optam pelo "sim" ou pelo "não" a partir do desejo de ganhar simpatia, seguidores, aplausos, dinheiro e reconhecimento. Jesus, porém, nos chama a falar com a consistência de quem teme a Deus e se submete à Palavra.
Ser homem ou mulher de palavra é um testemunho do Evangelho. Significa não manipular, não omitir e não distorcer. Significa dizer a verdade, ainda que custe; cumprir o que se promete, ainda que doa; e guardar o silêncio, quando falar seria trair a consciência. O “sim, sim; não, não” de Jesus é mais que um princípio ético. É o reflexo da santidade que habita o coração daquele que o ama.

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