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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

FELICIDADE


“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra” (Mt 5.5).

Se um homem sem Cristo tivesse condições espirituais de refletir em sua própria existência, sem dúvida, o resultado seria completo desespero, aquilo que o apóstolo Paulo mostra com a experiência do “eu” de Romanos 7. A perda da perfeição original foi também a perda da felicidade plena. O que os seres humanos chamam de “felicidade” hoje não passa de prazeres transitórios e circunstanciais, que não poderiam jamais descrever uma vida. Em Cristo temos novamente aquilo que Agostinho chama de Beata Vita, a vida essencialmente feliz, fruto da experiência da salvação. É estranho observar crentes com vidas tão miseráveis interiormente. A posse da vida eterna tem que comunicar ao crente a verdadeira felicidade. Talvez, o problema de fato seja o quase completo desconhecimento por parte da igreja de hoje do que realmente significa ser feliz. Assim como fazem os não-crentes, associa-se a vivência da felicidade à necessária convergência de todos os acontecimentos àquilo que gostamos e nos beneficia física e materialmente.

Dessa forma, se não estou vivendo um contexto como esse automaticamente concluo que não “estou” feliz. Essa forma de se referir à felicidade já mostra o erro de entendimento, pois a relação do crente com a felicidade não é momentânea, casual, circunstancial, mas é de essência. O crente é essencialmente feliz. Não é um estado, mas aquilo que compõe seu próprio ser. Portanto, ele experimenta a felicidade não como atrelada aos acontecimentos, mas é resultado da certeza que já há em seu coração quanto à soberania de Deus que dirige a sua vida, todos os acontecimentos, e que já o salvou. Exatamente por ser nossa alegria uma certeza, assim como a fé, não deve ser abalada por acontecimentos que gerem sentimentos amargos no coração. A verdadeira alegria é a única vacina que imuniza cem por cento contra toda amargura e depressão. A certeza da fé dissolve e acaba com toda e qualquer angústia em nosso espírito, preservando em nós a leveza de alma, o refrigério que o Santo Espírito de Deus confere ao coração daqueles que o buscam.

Esta é a nossa responsabilidade: buscar a plenitude do Espírito, viver em sintonia com Deus, na comunhão diária com Cristo. Absorvidos por um modelo mundano de utilização do tempo, os crentes dispendem o dia inteiro à busca de coisas materiais e físicas, faltando-lhes momento de qualidade com o Senhor. O resultado é raquitismo espiritual, fraqueza e desânimo, total despreparo para lidar com os acontecimentos desta existência. Por causa de uma vida deficiente do ponto de vista espiritual, os crentes têm se acostumado e se conformado a uma existência miserável e amarga, mesmo confessando crer em Jesus Cristo. Onde está o efeito da fé verdadeira? A verdadeira alegria, a paz que excede todo entendimento? A alegria como certeza é vivenciada na experiência da genuína paz, resultado indelével de que Cristo realmente habita em nosso coração. Jamais se acostume à amargura! Renuncie completamente a isso! Isente a sua alma disso! É você quem controla o acesso de tudo o que entra em sua alma. Feche-se completamente a tudo o que não edifica e oriente sua alma para apenas o que a fortalece e a constrói. Repreenda-a, dirigindo-a sempre para o bem.

O que Deus tem para nós é uma vida de felicidade. No entanto, ela jamais será encontrada simplesmente nas realizações e desejos de um coração. Os desejos da alma satisfeitos não preenchem o coração. O vazio da alma só pode ser plenamente preenchido pela presença transbordante do próprio Deus, do Salvador, trazendo vida. Implica paz aos poucos e céleres dias de um homem. Para referir-se à verdadeira alegria é que Cristo, em linha com vários textos do Antigo Testamento, utiliza a expressão “bem-aventurado”. Implica necessariamente a existência daquele que vive a aliança com o Senhor. “Bem-aventurado” quer dizer exatamente “feliz”, a mais pura e real felicidade que só pode ser experimentada por aquele que crê em Jesus Cristo. É a felicidade de descansar no Senhor, fruto da confiança inabalável no seu poder e na sua providência. Cristo jamais nos desampara; logo, está ao nosso alcance viver a mais perfeita paz.

Como já dissemos, a segurança para viver se expressa na paz “que excede a todo entendimento”. Ela denota a alegria que só pode ser encontrada na comunhão com Deus. Está associada à mansidão, uma das características do fruto do Espírito descrito por Paulo na Carta aos Gálatas, no capítulo cinco. Embora as palavras de Cristo não precisem de nosso aval, de fato, quão grande felicidade experimentam os mansos. É importante compreender que essa mansidão referida por Cristo, e que faz parte do fruto do Espírito, não alude a mero traço de caráter humano, como se descrevesse a calmaria de alguns temperamentos e personalidades. Não é algo inato a qualquer pessoa. Como um dos “gomos” do fruto do Espírito, obviamente é causado pela obra do Consolador em nosso coração. Sua divina habitação transforma-nos em seu Templo, bastando-nos simplesmente vive-la, enfatizando a benéfica e constante influência do Espírito, fazendo-nos dia a dia mais parecidos com Cristo, combatendo a sombra da carne que ainda nos persegue.

Ser um manso é não deixar que más influências, vindas de fora, alcancem o nosso coração, a nossa alma. Ao criarmos um muro de contenção, verdadeira muralha contra tudo o que pode afetar o nosso interior, somos habilitados a viver em paz e em segurança, mesmo quando enfrentamos as mais atrozes dificuldades. Seremos capazes de dar graças a cada dia, apesar dos problemas e dos sofrimentos que possamos estar passando. É por isso que se herda a terra. Habilitados no Espírito a deixarmos do lado de fora do nosso coração tudo aquilo que nos afeta negativamente, viveremos tranquilos e em paz. Assemelhar-me-ei àquilo que diz o salmista no Salmo 118.24: “Este é o dia que o SENHOR fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele”. Conquanto essa ideia nos remeta, em sua plenitude, à própria vida eterna, aplica-se também à presente existência, quando somos capazes de viver sem fazer caso dos problemas, sem nos abater ou desanimar. Seremos felizes a cada dia, não importando o que tenha acontecido. Teremos olhos aguçados para enxergar e discernir apenas as coisas que nos edificam e fortalecem, desprezando as tristezas.

Que bem-aventurança esplêndida é essa. Aprendamos a vivê-la a cada momento, experimentando a verdadeira felicidade que encontramos unicamente em Cristo. Não permita ser invadido por sensações erráticas de um mundo caído. Lembre-se sempre disto: é você quem controla o acesso à sua alma! O diabo não tem poder para alcançá-la. Viva a paz da natureza perfeita implantada pelo Espírito em seu coração, antecipando a vida do ressuscitado que já está em você. Construa uma muralha que impeça sentimentos e sensações ruins: tristezas, ódios, amarguras, decepções, preocupações, todas relativas à presente existência. Viva a mansa paz que procede de Deus. O que o Senhor tem para seus filhos é a verdadeira alegria, na vivência de uma paz sobrenatural, experiências que só podem ter os nascidos de Deus, a expressão do poder e da vida de Cristo em nós. Esse é o mais poderoso testemunho que temos a dar a este mundo. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus 

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