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quarta-feira, 8 de abril de 2015

AS CHAMAS

Quatro velas estavam queimando calmamente. O ambiente estava tão silencioso que se podia ouvir o diálogo entre elas. A primeira, expandido sua chama, disse: "eu sou a paz. Peregrino pelas estradas do sentimento, buscando morada no coração dos homens. Viajo pelos campos devastados pelas guerras e canto a minha canção aos ouvidos dos que ainda persistem nas batalhas cruéis. Penetro os lares e espalho o perfume da minha presença. Devo admitir que apesar da minha luz, as pessoas não têm conseguido me manter acesa." E, diminuindo sua chama, devagarzinho, apagou-se totalmente. A segunda, mostrando o colorido da sua chama, falou: "eu me chamo fé. Tenho me sentido inútil entre os homens. Eles se encontram cheios de tanta tecnologia e conquistas que não me escutam." "Não querem saber de Deus e das verdades espirituais. Insistentemente, tenho batido às portas da razão humana, demonstrando que sem a minha luz, logo, logo, cairão em trevas densas e sofridas." Porque eu sou a chama que se apresenta quando o desengano aparece. Sou a luz que brilha na noite da desilusão. Sou a companheira dos que padecem males sem conta. Mas, como tenho sido desprezada, não faz sentido eu continuar queimando." Ao terminar sua fala, um vento bateu levemente sobre ela e ela se apagou. Baixinho e triste a terceira se manifestou: "eu sou o amor! Não tenho mais forças para queimar. As pessoas me deixam de lado, porque tudo é mais importante do que eu: a carreira, os prazeres, as coisas materiais. Os homens só conseguem enxergar a si próprios, esquecendo até dos que estão à sua volta." Dito isto, o amor recolheu a sua chama e se apagou. De repente, entrou uma criança. Olhou as três velas apagadas e falou, espontânea: "Que é isto? Vocês devem ficar acesas e queimar até o fim!" Foi daí que a quarta vela, que havia permanecido queimando, sem nada dizer, falou: "Não tenha medo, criança. Nem se preocupe. Enquanto a minha chama estiver acesa, podemos acender as outras velas." Então a criança apanhou a vela da esperança e acendeu novamente as velas da paz, da fé e do amor. *** A esperança é a virtude através da qual o cristão confia em receber a misericórdia de Deus na terra e a plenitude espiritual após a morte do corpo físico. A vida, sem a esperança, perde o colorido e as suas elevadas motivações, porque é a esperança que concede forças para enfrentar os desafios e vencer as vicissitudes que surgem a cada passo. Ninguém consegue viver com alegria sem o concurso da esperança. Esperança de melhores dias. Esperança de realizações superiores. Esperança de paz. Esperança de fé. Esperança de amor. Esperança de elevação.

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