TRATE DE COLOCAR A BARBA DE MOLHO!
“Tu, porém, não devias olhar com prazer para o dia da desgraça de teu irmão (...) nem falar arrogantemente no dia da angústia...” Obadias 1:12a,c
Eu me deparei com esta intrigante passagem. Pelos lábios de Obadias, Deus chama a atenção de Edom, os descendentes de Esaú, pelo fato de haver tripudiado de seus irmãos israelitas devido a invasão sofrida por Jerusalém. Eles não apenas se negaram a prestar qualquer socorro aos judeus, como facilitaram para que os inimigos tomassem a cidade. Sim, eles estavam lá! Assistiram de camarote, mas nada fizeram. Não moveram uma palha para impedir a desgraça de seus irmãos.
“Por causa da violência feita a teu irmão Jacó, a confusão te cobrirá, e serás exterminado para sempre. No dia em que estavas presente, no dia em que estranhos lhe levaram os bens, e os estrangeiros lhe entraram pelas portas e lançaram sortes sobre Jerusalém, tu mesmo eras como um deles.” Obadias 1:10-11
Mesmo que aquilo fosse a execução do juízo de Deus sobre Jerusalém, isso não lhes dava o direito de tripudiar sobre a desgraça de seus irmãos. Deveriam, antes, dar ouvidos à sabedoria destilado pelos lábios de Salomão: “Quando o teu inimigo cair, não te alegres, nem quando ele tropeçar se regozije o teu coração, para que o Senhor não o veja, e isso seja mau aos seus olhos, e dele desvie a sua ira” (Provérbios 24:17-18). Ou à advertência de Davi: “Retrocedam cobertos de vergonha os que dizem: Benfeito! Benfeito!”(Salmos 70:3). Por isso, o Senhor os admoesta severamente: “Como tu fizeste, assim se fará contigo; tua maldade cairá sobre a tua cabeça” (Obadias 1:15b).
Sempre que assistimos à derrocada de alguém, devemos ser remetidos à nossa própria humanidade, lembrando-nos de que amanhã poderá ser a nossa vez. O que ocorre aos nossos desafetos pode ser um indigesto lembrete, e até um aviso do que poderá nos ocorrer em seguida. “Deus que me livre e guarde!”, você dirá. Sim, o mesmo Deus que não livrou, nem guardou o seu inimigo de passar por isso, talvez permita que você passe pelo mesmo a fim de não se sentir superior a ele e a ninguém.
Lucas narra um episódio vivido por Jesus em que “estavam presentes alguns que lhe falavam dos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios. E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidas vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis. E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém?” (Lucas 13:1-4). Em outras palavras, pau que dá em Chico, dá em Francisco. Ninguém está isento. Portanto, antes de rir da desgraça alheia ou referir-se a ela como castigo de Deus sobre seu desafeto, trate de colocar a barba de molho. O próximo pode ser você.
Faço minhas as palavras de Davi: “Confundidos sejam por causa da sua afronta os que me dizem: Benfeito! Benfeito! Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam; digam constantemente os que amam a tua salvação: Engrandecido seja o Senhor! Contudo, eu sou pobre e necessitado; mas tu, ó Senhor, cuidas de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó Deus meu.” Salmos 40:15-17
Segue o poema INTERTEXTO de Bertolt Brecht:
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
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