“Então, pra que ficar remoendo o que passou? Podemos ter a memória, mas não precisamos nos perder nela.” (Meire Espírito Santo). Assim como o inverno nos convida ao recolhimento, os dias festivos nos permitem sentir muitas coisas ao mesmo tempo. Saindo de uma reunião, numa repartição pública, me encontrei com uma higienizadora. Parei para conversar. Foram algumas palavras e ele me disse: ‘estou tão desanimada.’ Ao invés de seguir em frente, parei para escutar. A mistura de cansaço com algumas decepções pode provocar sentimentos contraditórios. Além disso, a proximidade do final de ano traz presente algumas frustrações, pois gostaríamos de ter resolvido muitas coisas, mas não foi possível. A grande maioria fica remoendo coisas do passado, sem nenhuma perspectiva de superação. É evidente que poderia ter sido diferente, mas não foi. O passado nunca terá conserto, pois é simplesmente passado. Retocar o que é irretocável, é tempo perdido. É claro que temos memória e lembramos de tudo, tanto o positivo quanto o negativo, mas ninguém deve estacionar ou residir na memória das coisas menos boas. Que interessante: as pessoas escolhem revisitar os sentimentos menos significativos, ao invés de recordar carinhosamente os momentos que foram marcantes. Mas o que fazer para selecionar as melhores lembranças? Trata-se de um exercício exigente, que requer maturidade e capacidade de ser seletivo. É melhor colecionar saudades do que remoer decepções. Os outros até podem nos ajudar, mas somos nós que devemos qualificar nossos pensamentos e sentimentos. Tenho sido insistente em resgatar o lado positivo de todos os acontecimentos. Afinal, o mundo não está perdido e o mal nunca será maior do que o bem. Apesar dos nossos sofrimentos, não faltam motivos para agradecer. Que este período de tantas celebrações e movimentos favoreça a alegria e a paz. Andamos necessitados de boas lembranças e de motivos que inspirem a gratidão.
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