A Glória de Uma Consciência Tranquila
“Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria humana, mas, na graça divina, temos vivido no mundo e mais especialmente para convosco” (2 Co 1.12).
O homem é templo vazio. Por ter essa experiência essencial, tudo o que procura para sua satisfação está necessariamente fora de si. Nele mesmo, nada há que o preencha, é verdade. Igualmente verdadeiro é que o único que pode verdadeiramente preenchê-lo está do lado de fora de seu coração: Cristo. No entanto, uma vez que o pecador passa a ser morada do Santo Espírito de Deus, passa a ter a enorme necessidade de olhar para si. De certa forma, transforma-se naquilo de mais importante que existe. Certamente, não me refiro à questão de valor, mas sim, de responsabilidade. Essa importância não é mais resultante de ser o centro de tudo o que fazia, mas, agora, por priorizar o Salvador em tudo o que faz. O Senhor passou a ser o seu único tesouro, e o seu reino, a única prioridade.
No entanto, a importância de si mesmo está no desenvolvimento de sua vida cristã, na maturação de um homem espiritual que reflita mais claramente a imagem e semelhança do seu Criador e a face de seu Salvador. É exatamente mirando fixamente o Autor e Consumador da fé que ele edificará sua vida. Entregando-se ao Santo Espírito, em profunda devoção diária, será paulatinamente transformado. Assim, precisamos entender que o que temos como principal responsabilidade é a nossa alma na perspectiva de nosso relacionamento com Deus.
Geralmente o crente continua buscando suas maiores alegrias e prazeres em experiências externas a si, no material, ou nas exterioridades do corpo. O que necessitamos compreender é que não há felicidade mais plena, mais pura e cristalina, do que desfrutar de uma boa consciência, a bênção e o privilégio de ter pensamentos seguros e acertados, julgamentos corretos e santos, uma alma consistente com todos os princípios das Escrituras, vivendo a habitação do Salvador. Nada é mais abençoador! A nossa satisfação como crentes não está em termos muitos bens materiais e uma boa condição social, mas na bênção inigualável de um coração apaziguado, manso e tranquilo, desligado das ansiedades terrenais, e de uma mente santa, cujos pensamentos são orientados apenas para as coisas que edificam. Essa é a segurança do crente, a vida de um verdadeiro salvo.
Notemos, portanto, que o apóstolo toca em um ponto muito importante da vida cristã: a questão da consciência. O conceito de “consciência cristã” é um dos mais importantes para o crente, ponto nevrálgico da antropologia paulina. É especialmente Paulo que o utiliza, denotando o departamento da alma responsável por julgar e analisar todas as coisas. É acertado dizer que nossa consciência é o fórum da alma. Lá ocorrem os tribunais que vão reconhecer como certos ou errados: pensamentos, práticas e “verdades”. O juiz é o Espírito Santo que tem a Palavra de Deus como Lei.
Dessa forma, atentos aos ditames do Emanuel definitivo, à luz da infalível Palavra de Deus, contemplamos o julgamento de todas as coisas. Apenas por tal descrição, percebemos que não se trata de coisa sem importância. O crente que não houve sua consciência, ou pior, a cala, labuta constantemente no erro e no pecado. Então, entendemos, como já indicamos, a beleza daquilo que Paulo escreve no verso epigrafado: que glória é ter uma consciência tranquila quanto àquilo que fazemos.
No entanto, é importante ainda distinguir entre uma consciência pura e aquela que é manipulada. Há pessoas que torcem a verdade, interpretam os acontecimentos de forma tendenciosa, para não se verem justamente implicados nos acontecimentos. Assumem o lugar do Espírito Santo na consciência, a fim de encontrar supostas brechas na Lei para consumarem suas vontades carnais. Diante do pecado, desviam a culpa de sobre si mesmos, negam o próprio erro, ao invés de se arrepender deles e contar com a maravilhosa ação de Deus em renovar a consciência do perdão.
No caso de Paulo, ele tinha claramente os fatos diante de si e não os manipulava a seu favor. Zelava para que sua consciência fosse santa e sincera diante de Deus. A santidade mostra que não havia maldade em sua interpretação dos fatos, nem mesmo ingenuidade. Analisava tudo com justiça e temor, a fim de não ser achado hipócrita em alguma medida. A sinceridade é vista na legitimidade de sua compreensão, não havendo interesse pessoal em suas análises. Reconhece estas duas virtudes, a saber: a santidade e a sinceridade com que sua consciência é vestida, como sendo obra de Deus em sua vida. Explica que não utilizou persuasão humana, como se seu objetivo fosse meramente vencer um debate, sagrar-se vencedor em uma disputa de palavras. Pelo contrário, afirma que sua única “arma” sempre foi a graça de Deus. Assim ele havia se pautado neste mundo para com todas as coisas e era essa a única forma de tratativa com suas igrejas.
O problema, na verdade, está no outro lado, na avaliação de pessoas arrogantes e ensimesmadas, que não aceitam o ensino, muito menos a exortação. Quando isso ocorre, por mais santa e sincera que sejam as atitudes de alguém, sempre serão lidas com olhos maus, o que levará sempre a conclusões perniciosas. No entanto, aquele que se portou de forma correta tem a glória de uma consciência tranquila, santa e sincera, por ter agido dentro dos limites da justiça e com intenções autênticas.
Contamos com a Palavra de Deus como única regra de fé e prática, e com o Espírito Santo, que nos ilumina o caminho, dando-nos a correta interpretação e aplicação das Escrituras. Não cauterizemos nossa consciência! Não a façamos calar! É o equivalente a “apagar o Espírito” e, certamente, entristecê-lo em nós. Temos um guia infalível, que nos leva por caminho seguro. Busquemos no Senhor, constantemente, a habilidade para termos comportamento e atitudes genuinamente piedosas, resultantes de uma consciência pura e sincera, na orientação do Espírito. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus
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