Total de visualizações de página

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

ALMA

 Em Paz com a Própria Alma

“Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma” (1 Pe 2.11).
Todo ser humano nasce uma criatura deste mundo. Nele está a maldição do pecado de Adão, que é, na verdade, o pecado de cada um de nós. Quando o primeiro homem caiu, a humanidade caiu com ele, pois qualquer um de seus descendentes teria feito o mesmo se fosse originalmente tentado como o foi o pai de todos os homens. A primeira experiência de um pecador ao chegar neste mundo é o choro, quer devido à insegurança por ter deixado o abrigo do ventre materno, quer pela agressão que envolve todo parto, ainda que natural. Não haveria experiência melhor para inaugurar e denotar a existência de um pecador, símbolo daquilo que caracterizará seus dias. A exposição, a insegurança, o medo, são comuns a todos os filhos de Adão.
No entanto, tratando-se de um eleito, a salvação o alcançará em determinado momento de sua existência, fazendo dele um filho de Deus. Nesse dia, será transportado para outro mundo, embora ainda continue aparentemente vivendo no mesmo lugar. Essencialmente começa a existir para a ressurreição, pois ela já teve início nele. Com a habitação no Santo Espírito de Deus, há a infusão de uma nova natureza, santa e perfeita. Ao buscar vive-la, o salvo experimentará algo de um mundo que começa a ser restaurado. A salvação faz com que nos tornemos alienígenas no mundo de pecado e cidadãos de um novo mundo, santo e perfeito, já inaugurado em nós pelo poder da ressurreição de Cristo.
A queda de Adão impôs à humanidade severas deformidades. O homem não apenas perdeu capacidades espirituais, mas adquiriu “potencialidades” pecaminosas. Em outras palavras, tornou-se hábil quanto ao pecado. O pecado tornou-se realmente sua vida, na verdade, sua morte. O fato de todos morrerem mostra a grande misericórdia de Deus. As palavras ditas ao primeiro homem no Éden, bem poderiam ter ocasionado a eliminação do gênero humano sobre a terra. Certamente, quando observamos o homem predar impiedosamente a Criação, percebemos que ela estaria melhor sem ele. No entanto, a Criação se manteve aliada de Deus, embora sofrendo os efeitos da queda, sendo o principal meio de Deus demonstrar seu desagrado à humanidade em estado de rebelião constante.
A vida desligada do Senhor, que tem o pecado como a própria lei do coração, é um estado de “carne”. Este termo, nas Escrituras, geralmente denota a condição do ímpio. Quando usado neste sentido pejorativo jamais descreve a condição de um nascido de novo. Isso se explica porque “carne” mostra a única natureza “viva” (se podemos chamar assim) de um ímpio. O ser humano é composto de corpo e alma ou espírito. No entanto, a situação espiritual de um incrédulo é morte. Sua alma está morta.
Portanto, assim separado de Deus e das coisas de Deus, vive exclusivamente para esta terra. Vê apenas o físico e o material, e, como se não bastasse, é alheio à vontade de Deus e estabelece os desejos do coração como norma de seu próprio procedimento. Assim, não importa se atenta contra o Senhor, sua família, a natureza ou o seu próprio corpo, procura justificar suas atitudes com base em explicações humanas ou “científicas”, pois o pecado jamais encontrará espaço ou legitimação nas Escrituras.
O apóstolo Pedro descreve perfeitamente a condição da prática ímpia. Ele a chama de “paixões carnais”. A palavra “paixão” diz respeito à escravidão da vontade, algo que aprisiona o desejo de alguém de tal forma, que a pessoa afirma não poder se libertar. No caso do ímpio, ele não pode e não quer a verdadeira libertação que Cristo dá, pois age conforme aquilo que lhe é próprio. Ele está morto espiritualmente. Todavia, a condição do crente é totalmente outra. Diante do pecado, ele não consegue praticá-lo sem ser duramente atingido. Ele agride sua alma, ofende o Espírito Santo que nele está, violenta sua própria consciência. Ainda que tente sufocar sua alma e fazer calar sua consciência, se realmente é um nascido de Deus sabe, no fundo do seu coração, que só acumula enorme tristeza por aquilo que se permite fazer contrário à Palavra de Deus. Para o salvo, pecar é fazer guerra contra a própria alma.
Pedro trata o crente como “peregrino” e “forasteiro”. A primeira palavra, fala de nossa condição transitória, isto é, estamos apenas de passagem por esta terra. Este não é o nosso lugar definitivo. Em breve habitaremos a eternidade com o Criador. A segunda assevera que não pertencemos a este lugar. Essas duas noções devem não apenas nos preparar para a morte, mas verdadeiramente ansiá-la como o terceiro momento mais importante de nossa existência, depois de nosso nascimento e conversão.
Nossa condição relativamente a esta terra é de transitórios. Quanto à identificação com a sociedade humana, percebemos total incompatibilidade. Ansiamos o momento de estar com Deus, o que está longe de qualquer sensação tétrica ou de morbidez. Somos como que estrangeiros neste mundo. Nossa pátria é outra e será, por um tempo, essencialmente espiritual. Estas duas condições relativas ao crente, passageiros e estrangeiros quanto a esta terra, destacam que o procedimento mundano não pode fazer parte de nossa vida. Sérios danos trará para a vida de um crente verdadeiro, a começar de profundas dúvidas quanto à sua salvação.
Dediquemo-nos ao Senhor em santidade de vida, deixando de lado as mundanidades que marcam aqueles que não conhecem a Cristo. Que elas não nos atraiam. Se percebemos que assimilamos pecados em nossa vida, temos em nós o Espírito Santo que nos dá poder e coragem para abandoná-los. Essa é nossa responsabilidade. Viva a paz e a alegria no Espírito, por enquanto, as maiores bênçãos que o Senhor nos concede. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus

Nenhum comentário:

Postar um comentário