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terça-feira, 4 de novembro de 2025

DECIDIR

 Saber Decidir

“Há caminho que parece direito ao homem, mas afinal são caminhos de morte” (Pv 16.25).
As Escrituras são sempre fonte de conhecimento e comumente apresentam conceitos que são muito mais profundos do que seu significado aparente. No Antigo Testamento, a ideia de “caminho” não mostra apenas um espaço aberto que conduz a algum lugar. Tem como significado geral “procedimento”, “comportamento”. É por isso que “andar” também está ligado ao mesmo significado, pois não implica apenas a ideia de locomoção do corpo, mas de como se procede no caminho.
Falando-se estritamente deste conceito, “caminho” denota vontade, devido à escolha do percurso. Se você vai a determinado lugar é porque isso se liga a algum desejo pessoal. Há um objetivo para todo percurso, para cada caminho tomado. Nossas vontades estão ligadas àquilo que somos, nosso caráter, nossa prioridade. Por isso diz Salomão que o ser humano busca legitimar seu caminho, ou seja, procura sempre tornar legítima a busca de seus interesses, o que inclui seu procedimento e atitudes para a concretização do que deseja.
Modernamente, a sociedade ocidental tem perdido esse conceito, acreditando que a verdadeira liberdade é uma vida sem qualquer limite de procedimento. Há também aqueles que existem como “barcos à deriva”. A vida daqueles que assim procedem pode ser comparada a tomar, a cada dia, um ônibus sem nem mesmo se preocupar com o seu itinerário ou destino. Meramente existem, mas não pensam o próprio futuro. Tornou-se comum ouvir: “vou para onde a vida me levar”. Por outro lado, no extremo oposto, há os que insistem com a ideia de fazer o próprio destino.
Certamente, não existe nada mais tolo e inadequado à própria vida humana do que esta afirmação. Ela é arrogante e atribui ao homem algo da divindade, como se o indivíduo tivesse controle absoluto dos acontecimentos em sua vida. No entanto, um pneu furado, uma dor de barriga, ou mesmo, um despertador que não despertou, já puseram a perder sonhos e projetos tão ansiados e idealizados.
Embora o ser humano seja responsável por direcionar sua existência àquilo que é certo e aprovado, não pode determinar o resultado das coisas ou os acontecimentos que experimentará. O cristão sabe que ambas as coisas, a vida “largada” tanto quanto a vida “determinada”, não conduzem à bênção de Deus. Somos chamados a viver de forma responsável, procurando o bem e a virtude, e descansar em Deus, sabendo que é ele quem conduz a nossa vida.
Contudo, percebamos que a questão se reveste de uma complexidade ainda maior. Não se trata, apenas, de procurarmos direcionar a nossa vida àquilo que é certo e aprovado e não “deixar o barco correr”, mas atentarmos às próprias escolhas que fazemos. Certamente, não são nossas habilidades que mostram o que somos, mas as nossas escolhas. Estas revelarão as entranhas de nossa alma, colocarão em evidência nossas vontades e as virtudes e pecados que estão ligados ao nosso coração.
Portanto, ainda que procuremos ser proativos na escolha das coisas aprovadas, evitemos deixar a vida nos levar ao invés de levar a vida, e confiemos no direcionamento divino, temos que compreender que mesmo as coisas aprovadas podem trazer dano se buscadas ou praticadas de forma indevida. Primeiramente, temos que testar onde tal coisa ou prática se encaixa em minha escala de importância. Uma coisa aprovada se tornará um empecilho à comunhão com Deus se for colocada acima de outras mais importantes. Por exemplo: lazer é lícito e necessário, mas não pode ser mais importante do que meu trabalho, tornando-se prioritário em relação às minhas obrigações diárias.
De igual forma, o trabalho é lícito e ordenado nas Escrituras, mas não pode estar acima de minha comunhão com Deus, da família ou da igreja. Além da importância que dou às coisas, há também o modo correto de fazer as coisas certas. Essa forma certa tem a ver com limites e tempo. Por exemplo: o trato financeiro e a relação sexual são aprovados por Deus, mas nem todo tipo de ganho ou contato sexual são lícitos. De igual forma, há tempo para todas as coisas debaixo do céu. Mesmo algo lícito feito fora do tempo se constituirá pecado. É por isso que Salomão, com tanta propriedade, afirma que aos nossos olhos muitos caminhos parecem lícitos, mas ao fim se mostram sendas de morte.
Há muitas variáveis a serem consideradas, sendo que, algumas delas nem mesmo temos condições de antecipar. O que fica, portanto, é: façamos o nosso melhor, com toda humildade, procurando sempre as coisas aprovadas, respeitando a cada escolha a importância e o tempo de cada coisa ou prática, confiando na direção que o Senhor dá aos acontecimentos. Operemos o bem das coisas que são em si mesmas, aprovadas. Tenha um excelente dia na presença de Jesus

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