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domingo, 9 de novembro de 2025

FORÇA

 As forças do Deus presente

“Não to mandei eu? Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes, porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares” (Js 1.9).
É comum ao pecador convertido confundir forças e capacidades humanas com potencialidades concedidas por Deus. Outra confusão muito recorrente é aquela que chama teimosia de perseverança. No primeiro caso, há pessoas que são verdadeiros “tratores”. Agem como se pudessem arrastar a própria existência após si. Certamente, isso está ligado ao temperamento de cada um. Existem aqueles que são naturalmente positivos, dispostos, empreendedores, que gostam de fazer as coisas sozinhos por não acreditar no desempenho do outro, por não querer dividir as glórias de suas conquistas, por ser prático demais.
Alguém com esse perfil comportamental facilmente confundirá as forças dadas por Deus com seu próprio ímpeto e disposição para fazer. Consequentemente, terá enorme dificuldade em discernir entre perseverança e teimosia. Podemos conceituar esses dois termos como sendo respectivamente insistência com a vontade de Deus e insistência com a própria vontade. Para fazer o que queremos, é necessário sempre reconhecer naquilo que buscamos a mais clara expressão da vontade de Deus. Dessa forma, modelarei todos os acontecimentos em função daquilo que planejo, chamando tudo de “propósito de Deus”.
É espantosa a capacidade que tem o pecador redimido de dar formato aos acontecimentos, de lê-los sempre de forma tendenciosa à sua própria vontade. Se dou vazão a esse tipo de procedimento, certamente insistirei com a minha vontade, não com a de Deus. Pior do que o pecado escancarado e explícito é a impiedade travestida, disfarçada de fidelidade e serviço a Deus. Dessa forma, transformamos o Senhor e seus propósitos em servos de nossa vontade. Isso é terrivelmente pecaminoso e blasfemo. Ser “forte e corajoso” não se aplica ao que queremos, mas àquilo que o Senhor ordenou. Deus comissionou Josué à conquista da Terra Prometida. Portanto, quanto a isso, a vontade revelada de Deus, ele deveria ser implacável.
No entanto, às coisas que estão relativas à vontade humana devemos ser extremamente cautelosos. Pergunta-se: “como posso saber a vontade de Deus?”. Há alguns testes que preciso fazer: o que busco 1) afetará meu relacionamento com Deus? 2) Trará algum prejuízo espiritual à minha família? 3) Resultará algum malefício ao serviço que presto ao Senhor na igreja? Se a resposta é “sim”, então não devo buscar tal coisa. É Deus, seu reino e sua justiça, que devem ser a prioridade de tudo o que faço. Cuidemos para jamais chamarmos a teimosia de perseverança, travestir nossa própria vontade com roupagens de piedade.
O estado do homem natural é condição de total desamparo. Ele é desamparado de Deus! No entanto, isso ocorreu por opção do próprio ser humano. O diabo, astuto que é, enganou Eva oferecendo-lhe a oportunidade de agir como Deus para si, no entanto, “esqueceu” de dizer que o homem não tem, e jamais poderá ter, essa capacidade. Todavia, assumindo a condição de ser um deus, negou a aliança com o único Deus, abandonando seu cuidado e presença. Colocando isso de outro modo, o homem optou por assumir a responsabilidade de ser para si mesmo o que apenas Deus poderia ser. Afastou-se do Criador, alijou-se da verdadeira vida, exilou-se da perfeição.
O homem que era templo do Espírito Santo antes da queda tornou-se um edifício abandonado, ruínas de um passado glorioso. No entanto, o último ato do ministério terreno de Cristo foi chegar aos céus e derramar seu Espírito sobre toda terra. O que nosso Senhor faz com esse ato é desfazer a consequência mais perniciosa da maldita opção adâmica. No momento em que o primeiro Adão pecou, o Espírito se ausentou do homem. Quando o segundo Adão completou sua obra, devolveu o Espírito à alma do homem.
Reparem que o crente, portanto, jamais será um desamparado. Há uma inversão magnífica entre a condição do crente do Antigo Testamento e o do Novo. Nos tempos das antigas alianças, o povo estava fora do Santo dos Santos, representado por sacerdotes humanos. Após a morte de Cristo, nós não apenas estamos na presença de Deus, mas somos o santo dos santos, o lugar onde Deus habita: somos templo do Espírito. Deus está tanto conosco que não apenas nos acompanha, mas mora em nós. Medo é desamparo, vulnerabilidade. No entanto, para aqueles que são habitados pelo Espírito não há experiência mais inadequada do que essa.
Certamente, podemos ser surpreendidos por alguma situação que nos assalte com o medo, porém, imediatamente temos que reagir, lembrando quem habita em nós. Muitas vezes nos deparamos com obstáculos que são virtualmente intransponíveis. Momentos quando as forças humanas se mostram como realmente são: insuficientes. Essa era a situação de Josué. Moisés, o grande libertador do povo, aquele através de quem Deus havia realizado sinais jamais vistos no mundo, era morto. Daí, Josué, indicado pelo Senhor para ser seu sucessor. Já imaginaram o que era isso? O Senhor havia mostrado enormes e inúmeros portentos para a libertação do povo do Egito e a sua conservação no deserto.
As expectativas do povo e suas exigências para um sucessor eram portanto, altíssimas. Assim, Josué se via diante de dois problemas: a) sua concepção sobre si mesmo, se era capaz de substituí-lo, e b) granjear a confiança do povo em sua liderança. No entanto, Deus foi ao encontro de seu servo e lhe exortou a ser forte e corajoso, isto é, a não esmorecer já antes de começar a lutar por aquilo que foi responsabilizado a fazer. Que lição magnífica! Quantas vezes esmorecemos só por pensar nas dificuldades, mesmo antes de sofrer qualquer coisa ou que seja exigido algum esforço ou privação.
No entanto, isso seria apenas “autoajuda” se entendêssemos que Josué está sendo estimulado a desenvolver tão-somente força e coragem. Na verdade, o Senhor é muito claro em apontar o porquê desse poder e desse destemor: “porque o Senhor, teu Deus, é contigo por onde quer que andares”. Josué não deveria buscar forças em si mesmo para suceder Moisés, mas confiar que o Senhor lhe capacitaria e supriria. Deus não lhe enviaria poder, mas estaria pessoalmente com Josué lhe concedendo a força necessária. No entanto, esse usufruto da presença de Deus tem a devoção e a fidelidade a Deus como pré-requisitos.
É maravilhoso observar como o próprio Senhor se refere a este relacionamento: “o Senhor, teu Deus”. É o único Deus verdadeiro com quem temos uma aliança eterna e inquebrável. É o nosso Deus, o Senhor que se revelou a nós pessoalmente em Cristo, o Espírito que habita em nós. O nome de Josué lhe serviria de promessa. Em hebraico quer dizer “o Senhor é salvação”, que é o mesmo nome “Jesus” transliterado para o grego. Lembremo-nos de confiar em Deus, submetendo-nos à sua vontade, extraindo de nossa comunhão com ele toda coragem e força, quer seja para cumprirmos nossas responsabilidades, quer seja para ficarmos firmes nas adversidades, quer sejam ambas as coisas, como foi o caso de Josué. Essa é a receita bíblica para uma vida vitoriosa e abençoada. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus

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