A Eternidade das Obras de Deus
“Sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe pode acrescentar e nada lhe tirar; e isto faz Deus para que os homens temam diante dele” (Ec 3.14).
Certamente, nada traz maior temor ao homem do que a ideia de um futuro determinado. Hodiernamente ouvimos expressões absurdas e patéticas da autoafirmação humana do tipo: “eu faço meu destino”. São bravatas de seres tão frágeis que querem mostrar alguma segurança em si mesmos. Para o homem caído, seu olhar para frente traz-lhe a vertigem de não saber o que há. Embora não queira confessar, sabe que há tantas variáveis que estão muito além de sua alçada, fazendo com que seja completamente impossível e tolo querer direcionar seu próprio destino. Ainda que o atribua ao acaso ao invés de a Deus, é inescapável concluir isso.
O homem que quer freneticamente moldar seu futuro inevitavelmente se despedaçará na sólida e irremovível muralha do destino já estabelecido pela soberania de Deus que a tudo e todos já pré-determinou. Este é o maior medo de todos os homens: não pode determinar ou dirigir sua própria vida. Sua revolta contra Deus se acentua também nisto, de ter que se sujeitar. Ele reluta, se debate, às vezes até o ponto do desespero e da loucura, tentando se desvencilhar de um destino imutável.
Todavia, aquele que confia no Senhor faz exatamente o contrário: quer estar no centro de sua vontade. Embora também ignore o que está no seu futuro, confia na vontade de Deus. Sua segurança está estritamente em viver e buscar se modelar a tudo aquilo que o Senhor já planejou em sua vida. Secundará todas as suas vontades para ser governado por apenas um desejo: “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. Abrir mão de todo o querer estabelece o direcionamento divino na vida, a segurança de ter o Senhor a conduzir cada passo. Isso jamais significará a ausência de problemas, pois nesta vida há lamaçais e diversas intempéries pelas quais deveremos inevitavelmente passar.
No entanto, seu coração descansa gostosamente em Deus, por saber que seu Santo Espírito o guia. Acostumados a um mundo no qual tudo passa, às vezes perdemos de vista que o mesmo não ocorre com aquilo que Deus faz. Nós trilhamos o caminho de toda a terra, como disse Davi a seu filho e sucessor Salomão, quando lhe transmitiu o trono. Tudo o que nós conhecemos do mundo físico criado, passa. A maldição do pecado impôs à Criação a degenerescência e a consequente transitoriedade. Mesmo as mais importantes obras feitas por ilustres seres humanos cairão no esquecimento, ainda que naquele das páginas frias e mortas dos registros históricos.
Ainda que conservadas em documentos, a existência se esvaiu, transformada em palavras e mais palavras. Certamente, distinção importante se faz quanto à Palavra de Deus e as obras dos santos. Aplicadas pelo Santo Espírito de Deus, revestem-se de vida àqueles que têm ouvidos espirituais para ouvi-las. O registro da revelação de Deus nas Escrituras mostra-se vivo e atuante na vida dos eleitos. De igual forma, a biografia dos santos é muitas vezes usada pelo Senhor para estimular à vida espiritual, a tão grande nuvem de testemunhas que o Autor aos Hebreus faz referência, que mesmo constituída de mortos, ainda fala (Hb 11). No entanto, há uma explicação para isso.
Percebamos que tanto a Palavra quanto a vida dos santos não podem ser categorizadas como obras humanas. As Escrituras são produto direto da inspiração do Santo Espírito de Deus, e, a vida dos santos, a aplicação e desenvolvimento da obra de Cristo pela atuação da Terceira Pessoa da Trindade. Certamente, não podemos igualar as Escrituras às biografias dos santos, pois uma é Palavra de Deus e a outra palavras de homens de Deus.
Todavia, é inegável que o testemunho da vida de um eleito traz edificação à alma. O que Deus faz não passa, são obras eternas. Isso, portanto, se aplica diretamente à nossa vida. A obra de Cristo em nós e a própria salvação são atos não sujeitos ao tempo, não desgastados pela história, mas permanentes e perenes. A diferença entre as obras de Deus e aquelas produzidas pelos homens deve causar temor em nosso coração, o assombro diante da soberania do Senhor que já preordenou todas as coisas. Portanto, deve impulsionar-nos à adoração e à dependência. Fascinados com o ser de Deus, devemos cultuá-lo. Impactados profundamente por seu poder, glória e majestade, precisamos perceber a nossa pequenez e nulidade. Embora tão frágeis e pecadores, o Senhor nos salvou eternamente.
Louvado seja Deus por suas obras que são eternas. Como é bom conhecer o Senhor e saber que aquilo que faz é eterno. Ele não nos salva para esta existência, embora a vida com o Senhor comece agora. Aquilo que faz em nós já no presente se plenificará e se estenderá perpetuamente pela eternidade sem fim. Tenha um abençoado dia na presença do Senhor (Rev. Jair de Almeida Junior).
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