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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

JUSTIÇA

 A Infalível Justiça Divina

“Os olhos do Senhor estão em todo lugar, vigiando os maus e os bons” (Pv 15.3).
Vivemos em uma dimensão regida pelo espaço e pelo tempo. Significa dizer que, necessariamente, as duas coisas têm que ser conjugadas a fim de que todas as situações possam ser vividas. É por isso que podemos nos sentir sozinhos ou desacompanhados quando olhamos para o nosso lado e percebemos que não há ser-humano ocupando aquele espaço, naquele tempo. Além disso, nossos olhos não são capazes de olhar através da matéria, muito menos, alcançar aquilo que ainda não foi vivido, depois de nosso próprio tempo. Nossa visão é extremamente focada e limitada. Ainda que a curta distância, pode ser que enxerguemos nada, se não houver luz para revelar a realidade ante nossos olhos.
Aquilo que “vemos” nas distâncias além do alcance visual, no amanhã e na escuridão, não passa de mera especulação e possibilidade. Nossa previsão é “um tiro no escuro”. No entanto, há aquele que não está sujeito nem ao tempo, nem ao espaço, muito menos à necessidade de luz, alguém que não faz previsões, mas simplesmente sabe, porque já determinou todas as coisas e tudo existe em seu ser.
A onipresença de Deus não é apenas espacial, mas igualmente temporal. Deus está presente integralmente em todo tempo, ao mesmo tempo, de uma só vez. Deus não está abaixo do tempo, como que regido por ele. O tempo está contido em Deus. Ele também está no ser de Deus como parte de toda existência criada. O tempo que vivemos se distingue da eternidade original, quando o homem vivia na presença pessoal de Deus. O que chamamos tempo é “morte esticada” ou “estendida”, modalidade de existência onde, pela graça e misericórdia do Criador, os homens morrem aos poucos, para que seja possível aplicar a eles o propósito de salvação. É assim que Deus cumpriu o que disse: que o homem morreria se comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, mas esticou a experiência da morte, criando um “tempo de morte”, a fim de dar ocasião de salvação para os eleitos. Dessa forma, o mundo no qual peregrinamos é uma existência de morte e para morte, caracterizada por morte em tudo o que é feito.
Morte é separação! Não apenas o corpo humano está morrendo a cada dia, mas também todos os relacionamentos. O contato do homem com Deus, marido e mulher, pais e filhos, o homem seu próximo, o homem e a Criação, são constantemente agredidos pelas “separações” e as sempre danosas consequente. Somente em Cristo o homem “já passou da morte para a vida” (Jo 5.24). Quando o homem caiu também morreu fisicamente. No entanto, o Senhor esticou o momento da morte, transformando-o em “tempo” para a existência de seres que estão morrendo. A eternidade é vida, esfera de existência na qual não há morte. É quando Deus empresta sua existência a nós, fazendo-nos desfrutar de sua eternidade. Afinal de contas, como já dizia Epimênides, citado por Paulo no discurso de Atenas: “pois nele vivemos, e nos movemos e existimos” (At 17.28). Toda existência está em Deus, pois nada há que exista por si mesmo. Deus como que cede sua vida constantemente a tudo o que existe, fazendo com que todas as coisas continuem a existir.
Assim, o fato de existir já garante estar continuamente em Deus. No entanto, tendo perdido o acesso a Deus na desobediência original, agora sua presença se manifesta pessoal apenas àqueles que verdadeiramente o conhecem, ou seja, àquele a quem ele mesmo se revelou. Uma vez feito filho de Deus em Jesus Cristo, o Pai jamais nos desamparará. Essa é a base para o nosso descanso diante de todo sofrimento, dificuldade e injustiça. Ele está sempre conosco e não há quem possa nos separar de seu grande amor. É certo que somos nós que vivemos sob a linha do tempo. Por causa disso,às vezes temos a sensação de que o tempo é nosso inimigo e, assim, precisamos vencê-lo de alguma forma. Olhamos para nossa existência e a percebemos cada vez mais ditada por horários, prazos, tempos para cada coisa debaixo do sol. No entanto, como dissemos, o Senhor não está sujeito ao tempo, discordando totalmente daqueles que pregam o chamado “teísmo aberto”, afirmando que Deus não determinou o futuro, mas que o decide no relacionamento com os homens. Asseveramos que o Criador tem tudo escrito e estabelecido, como afirma o salmista no Salmo 139. É por isso que o tempo é nosso aliado, pois ocasiona que o propósito de Deus se cumpra em nossa vida. Ele abre e estende o espaço para que se torne palco de todos os acontecimentos que foram predeterminados para nós. Uma visão atabalhoada de nossa existência fará com que o tempo nos pressione não apenas quanto à exigência de soluções, mas também quanto à expectativa de justiça.
Talvez nada incomode mais o ser-humano do que ser alvo da injustiça. Aí se manifesta, também, um pouco de nosso orgulho. Sofrer com coisas que estão acima de nosso controle, como doenças, intempéries, acidentes não provocados pelo ser-humano, limitam nosso sofrimento ao acontecimento em si, mas quando há a agência do homem no nosso sofrer, ao fato em si se liga o sentimento de injustiça. Não admitimos ser vítimas da ação de alguém igual a nós. Quando somos lesados de alguma forma, esperamos a reparação, isto é, que o dano seja sanado o mais rápido possível, se possível. O fato disso muitas vezes não acontecer ou simplesmente tardar, geralmente gera em nós o falso senso de que a injustiça é a que prevalece. De alguma forma, tendemos a pensar que a justiça real é meramente onírica, uma utopia inalcançável, e que a realidade humana requer uma justiça oportunista e aparente.
Por vezes, somos levados a considerar que a única justiça que existe é aquela que nós mesmos podemos fazer, pura vingança. Um dos maiores perigos de ser alvo de injustiça é a tentação de usar do mesmo método, do mesmo expediente, como tentativa de realizar aquilo que penso ser justiça. Lembremos sempre que “a ira do homem não produz a justiça de Deus” (Tg 1.20). O verso epigrafado nos vacina contra a compreensão errônea de que a injustiça prevalecerá. Deus a tudo vê. Ele está atento a todo benefício e malefício que é feito, a cada segundo, em todo o planeta. Nada, absolutamente nada, passa-lhe despercebido. Essa verdade tem preciosa aplicação prática, portanto, pois, ainda que nos vejamos injustiçados devemos crer e descansar na justiça divina. Ela não falha.
Escapar da justiça divina seria o equivalente a escapar à própria existência, o tonar-se nada. Pensar diferente é ser tentado a descrer na existência e na validade do juízo divino. Ao invés de sermos tomados por impaciência e pensar em agir pela contraditória forma de, por meios injustos, alcançar justiça, precisamos descansar no Senhor e nas obras de sua providência. Não olhemos para a injustiça dos outros, mas para a justiça que é esperada de nós. A justiça de Cristo em nós tem que ser vista em nosso comportamento.
Não permitamos que nosso coração se corrompa devido às más ações de ímpios. Viver na justiça é viver na liberdade que Jesus conquistou para nós, consciência limpa, atos aprovados. Tenha um abençoado dia na presença do Senhor (Rev. Jair de Almeida Junior).
Elaine Biz
Louvo à Deus por sua vida e pela escrita q nesta tarde falou ao meu coração. Deus o abençoe!

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