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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

INIMIGO

 Vivendo com o inimigo

“Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?” (2 Co 6.14,15).
Desde o final do século quinto da era Cristã, a igreja tem sido assolada pelo pensamento de que há bondade no ser-humano. Pelágio foi o proponente de uma das maiores heresias já enfrentadas pela Igreja, certamente a maior que Agostinho teve que encarar. Pelágio defendia e pregava que o homem nascia sem qualquer inclinação para o mal, afirmando que este só viria por influência. Por conseguinte, o homem era capaz de, por suas próprias forças e habilidades, viver sem pecado. Esse pensamento tem influenciado as gerações posteriores, e não apenas na Teologia, como aqueles que defendem que o pecador tem uma inclinação natural para Deus e, por isso, vai até o Salvador suplicando pela redenção, mas também na sociologia. O marxismo é pelagiano, pois defende que é o meio que torna o homem mal. Daí a consequente vitimização dos pobres, como se fossem presas de um sistema social danoso e a leitura dos crimes que eles cometem como algo completamente desculpável, resultado da condição a qual foram relegados. Não há maldade natural, apenas social. Tal entendimento leva a total impunidade que testemunhamos na sociedade brasileira, a perda da noção de que é o mal que predomina no coração humano.
O casamento misto está baseado em puro pelagianismo, o único sistema de pensamento que pode sustentar tamanha insanidade. Nas Escrituras, a proposta do casamento misto afirma o desejo de se casar com o mal. Ocorre quando alguém se torna o ídolo do coração de um crente, tão grande a ponto de superar o desejo do salvo por comunhão com o Senhor e de fidelidade a ele. Na verdade, promete-se fidelidade a alguém que pratica e defende a impiedade. Pela extrema misericórdia de Deus, há casos nos quais existe conversão do ímpio. Todavia, na maioria esmagadora das vezes, como é lógico, é a parte que se dizia crente que se desvia. Se for o caso de não se desviar, não passará ilesa, muito ao contrário disso. Dará início a um processo pelo qual estará constantemente ferindo sua alma, fazendo como que sangrar e chorar sua nova natureza.
Sua única opção será buscar ao Senhor para sarar suas feridas e dar-lhe forças para enfrentar dia a dia o mal como qual se casou. Embora Deus seja soberano sobre tudo e todos, o que devemos compreender é que o casamento está estribado em uma escolha exercida pelo ser humano. Ninguém o obriga a casar com um incrédulo. Fá-lo porque quer e é responsável pelas consequências.
À medida que o tempo passa, mais o secularismo avança entre os chamados “crentes”. O termo “secularismo” aplicado à igreja denota o avanço do mundo dentro daquela que deveria ser a “comunidade dos santos”. Como fica evidente na morfologia do termo, “secularismo” está ligado a este “século”, isto é, à presente sociedade.
Portanto, denota o processo visto em nossos dias no qual a igreja vai se modelando ao mundo. Certamente, isso ocorre paralelamente a um processo de “legitimação”, onde conceitos e práticas vão sendo vistos como “aceitos” e adaptáveis ao cristianismo. A primeira a se secularizar foi a própria sociedade ocidental. Moldada pelo cristianismo, sofreu com vários movimentos racionalistas durante o século XIX, culminando na completa secularização da sociedade, uma total disruptura com a religião, quando o sagrado perdeu todo espaço que tinha na sociedade. A religião foi banida dos espaços públicos e se tornou confinada aos templos. Dessa forma, as barreiras entre o certo e o errado, entre o pecado e a santidade, entre o moral e o imoral, começaram a ser desafiadas e desrespeitadas como forma de centrar o homem e expulsar de vez a religião da sociedade. O que era outrora buscado no místico e sobrenatural, agora é encontrado na ciência e na política. A sociedade não é mais religiosa. Músicas com conceitos contrários às Escrituras, que claramente louvam o adultério e a fornicação, ou então, um tipo de vida completamente desregrada, passaram a ser compostas e assumem as paradas de sucesso.
Uma vez que o mundo assumiu tal formato, passou a pesadamente influenciar a igreja. Dessa forma, não é incomum vermos pessoas tidas como “consagradas” ouvir e cantarolar músicas do mundo, com temas incompatíveis com as Escrituras. De igual forma, tatuagens e piercings, que foram introduzidos na sociedade ligados a contraculturas, movimentos de protesto contra a moral e os bons costumes, caracterizando especialmente gangues e jovens revoltados, agora estão nos líderes de louvor. A própria moralidade foi relativizada, fazendo com que seja uma exceção encontrar um casal que chegue virgem ao casamento. Tudo passou a ser devidamente explicado sob a ótica do presente mundo, adaptado ao comportamento da igreja. Não se percebe mais qualquer censura aos comportamentos reprovados. Se uma jovem engravida do namorado, olha-se com naturalidade, vendo na gravidez uma bênção a ser festejada diante de Deus.
No entanto, quando olhamos para as Escrituras, há uma clara linha divisória entre igreja e mundo. Eles são opostos irreconciliáveis! Não há como a igreja e mundo conviverem “pacificamente”, como que vivendo uma trégua. São inimigos naturais. É da natureza deles. O apóstolo Paulo aqui, bem como João e Pedro em suas cartas, colocam sempre a igreja e o mundo em polos opostos, usando, até mesmo, linguagem antitética. No texto epigrafado, percebemos a utilização de figuras em pares, colocadas de forma a enfatizar a total e mútua incompatibilidade: justiça e iniquidade, luz e trevas, Cristo e Maligno, crente e incrédulo. Há justiça na iniquidade, ou vice-versa? Pode haver luz nas trevas ou alguma escuridão no meio da luz? Cristo e o diabo podem trabalhar juntos? Haveria forma mais clara de demonstrar a completa e total incoerência e impossibilidade de crentes e perdidos andarem juntos?
O problema real da associação do salvo com o iníquo está na identidade. Isso é o mais preocupante. Esse é o motivo de Paulo utilizar termos que destacam exatamente isso: “sociedade”, “comunhão”, “harmonia”, “união”. Como tais experiências podem descrever o contato de um salvo com um perdido? É um princípio basilar e fundamental do ser humano a identidade. Ele tem um perfil que se abre para a aceitação e a aproximação de tudo e todos, com o que ou quem, se harmonizam com seu caráter e personalidade. Dessa forma, se o crente tem santos padrões de santidade e justiça regendo o seu coração, como pode ser explicado sentir prazer e alegria em aprofundar relacionamento com ímpios? Um amigo de um crente piedoso só pode ser outro crente piedoso. Ele naturalmente se inclinará aos relacionamentos que edificam a sua alma. É com esses que ele se identifica. No entanto, um frequentador de igreja, alguém que não tem vida com Deus além de suas orações esparsas e vazias, certa e facilmente se ligará à impiedade, tentando adaptá-la ao modelo de vida cristão. Até mesmo a sabedoria popular chegou à essa compreensão bíblica, quando afirma: “Diga-me com quem tu andas, e direi quem tu és”. Se andamos com Cristo, tudo em nós vai mostrar isso: a fala, as roupas, a forma de tratar nosso corpo, os objetivos de vida, a utilização do tempo, a visão que temos de bens materiais. Nosso encanto está ligado tão-somente a Cristo e àqueles que o imitam em sua vida, jamais ao ímpio e ao seu procedimento.
É chegada a hora do verdadeiro crente tomar uma decisão real por Cristo e colocar limites em seus relacionamentos com os perdidos e as coisas do mundo, mesmo as lícitas. Se algo, mesmo que não seja reprovado em si mesmo, te faz tropeçar, arranca o e lança-o de ti. Opte sempre por Jesus e a santidade. Essa tem que ser a única inclinação do coração de um salvo. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus

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