Os tempos andam mudando. A busca pela felicidade continua intensa, mas nem sempre o caminho escolhido proporciona o que o coração mais precisa, que é a paz. Tenho pensado muito, nestes tempos de tanta agitação: ‘Que pessoa desejamos ser’ O mundo está organizado nas questões do ter. Porém, muita gente tem tudo e, mesmo assim, a felicidade permanece bem distante. Naturalmente o ser precisa vir antes do ter. ainda bem que a espiritualidade permite muitas reflexões, que podem inspirar um novo jeito de viver. O caminho espiritual não é feito de acúmulo, mas de desapego. A santidade não se alcança através do que se tem, mas do que se entrega. O orgulho, a vaidade e os apegos são folhas que o vento do tempo insiste em arrancar, porque impedem a luz de alcançar a alma. Há uma sabedoria divina na forma como a vida nos ensina a perder. O que hoje parece desfolhar é, na verdade, o início de uma renovação profunda. A alma cresce quando aprende a confiar mais e controlar menos. Cada perda, quando acolhida com fé, se transforma em espaço para que o amor de Deus habite com mais liberdade. O orgulho faz o coração endurecer; o desapego o faz pulsar de novo. É preciso coragem para deixar ir o que acreditávamos indispensável, mas é nessa entrega que nasce a verdadeira liberdade. A fé é o solo que sustenta o que parece desabar. Deus nunca tira para empobrecer; tira para purificar. Aquele que confia não teme o outono da alma, porque sabe que depois dele sempre vem a primavera da graça. A santidade não está em nunca cair, mas em levantar-se cada vez com mais humildade. É um processo silencioso, onde as folhas caem uma a uma até que reste apenas o essencial: um coração livre, manso e totalmente entregue à vontade divina. E é nesse estado de simplicidade que a alma encontra a plenitude, porque já não precisa provar nada, apenas ser.
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