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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

SIMPLES

 A infância inspira e até determina muitas coisas da vida adulta. Agradeço a Deus por ter nascido numa família muito simples e necessitada. Não deixar um grão de arroz no prato era uma regra rigidamente observada. Hoje, quando olho para trás, me dou conta de que os ensinamentos foram vitais. Uma vez humilde, sempre humilde. Minha gratidão é eterna por ter conhecido a humildade e por nunca ter chegado próximo da preguiça. A simplicidade é uma forma de sabedoria. Ela nasce quando o olhar aprende a enxergar valor no que é essencial e deixa de buscar sentido nas aparências. As pessoas simples não vivem correndo atrás de mais, mas agradecendo pelo que já têm. Elas sabem que a felicidade não está em grandes conquistas, mas nos detalhes de cada dia: no pão partilhado, no sorriso recebido, no sol que nasce, no descanso que chega ao fim da tarde. A alma simples não se perde na comparação nem se prende àquilo que falta. Ela floresce na gratidão, e é por isso que é feliz no muito e no pouco. A simplicidade não é ausência de sonhos, é ausência de excessos. Quem vive com simplicidade vive leve, porque carrega apenas o que é necessário: a fé, o amor, a esperança e o contentamento. A complexidade do mundo moderno tenta nos convencer de que precisamos de mais para sermos plenos, mas quanto mais acumulamos, mais distantes ficamos de nós mesmos. A alma simples se satisfaz com o que o momento oferece, porque reconhece que tudo é dádiva. E é essa gratidão silenciosa que a torna encantadora. O verdadeiro encanto não vem de fora, vem de dentro. Ele se manifesta no modo como tratamos os outros, no cuidado que temos com a vida, na ternura com que respondemos ao que nos acontece. A felicidade da alma simples é estável, porque não depende de condições, mas de uma decisão interior: a de viver com presença e contentamento. Quando o coração descobre essa verdade, até o mais comum dos dias se torna extraordinário.

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