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terça-feira, 18 de novembro de 2025

TRAGÉDIA

 A Busca da Tragédia Pessoal.

“No tempo da sua angústia, cometeu ainda maiores transgressões contra o SENHOR; ele mesmo, o rei Acaz” (2 Cr 28.22).
A história de Acaz marca a trajetória de alguém que buscou, com todos os esforços, a sua própria tragédia. Começou a reinar em Jerusalém com vinte anos de idade. Dizem as Escrituras que “não fez o que era reto perante o SENHOR” (v. 1). O cronista especifica o que ele fez: “Andou nos caminhos dos reis de Israel e até fez imagens fundidas a baalins. Também queimou incenso no vale do filho de Hinom e queimou a seus próprios filhos, segundo as abominações dos gentios que o SENHOR lançara de diante dos filhos de Israel. Também sacrificou e queimou incenso nos altos e nos outeiros, como também debaixo de toda árvore frondosa” (vs. 2-4). Esta afirmação deve ser entendida à luz do que viviam à época.
A explicação da atitude de Acaz é dada em comparação ao que faziam os reis do reino do Norte, de Israel. É fato que a trajetória da maior parte dos monarcas de Efraim (outro nome para o reino do Norte) foi de apostasia. A divisão do reino, até então unificado, causada pela dureza do coração de Roboão, trouxe enormes consequências para a espiritualidade do povo.
Jeroboão, entronizado rei de Israel, isto é, das tribos do Norte, não se sentia confortável vendo seus súditos atravessarem a fronteira sul para se dirigir a Judá, devido à necessidade de adorar em Jerusalém. Isso era indispensável para que pudessem manter a aliança com Yahweh. Destarte, o rei do Reino do Norte estabeleceu altares na Samaria, nos altos, para que o povo adorasse ali. Assim, por uma questão política, fez desviar Israel. Isso explica o porquê a maioria dos reis de Efraim foram apóstatas, bem como, o porquê o reino ter se dispersado e perdido a genealogia. Foi exatamente essa miscigenação que produziu os “samaritanos” que vemos no Novo Testamento.
Todavia, nosso foco está nos exemplos dos reis de Israel que Acaz preferiu tomar, ao invés de viver a esperada fidelidade a Deus. Percebamos que, pelo menos até próximo do final de seus dias, Acaz não “abandonou” ao SENHOR. Devemos entender isso corretamente. Com isso, quer-se dizer que, embora passasse a adorar outros deuses, a adoração a Yahweh continuou no Templo de Jerusalém. Todos os ritos e sacrifícios ordenados na Lei permaneceram sendo executados.
Percebemos, assim, que na mente de Acaz, Deus continuava a ser adorado conforme havia prescrito. É provável que ele mesmo permaneceu na prática do culto ao Deus da Aliança no Templo, simultaneamente às abominações que praticava a outros deuses. Dessa forma, Acaz tornou-se politeísta, como eram as nações ao seu redor. Colocando isso de outra forma, junto com a adoração ao único Deus verdadeiro, o rei associou toda sorte de paganismo que conhecia, chegando a oferecer seus filhos pequenos a Moloque, queimando-os vivos nos braços de uma estátua incandescente.
A primeira lição que aprendemos com Acaz sobre o que não devemos fazer para atrair a tragédia a nossa própria vida, é evitar, mais do que tudo, misturar impiedade e idolatria à nossa adoração a Deus. Muitos dos crentes de hoje, a exemplo daquele rei apóstata de Judá, acreditam que estão buscando a Deus como deveriam pelo simples fato de comparecer frequentemente ao culto público dedicado ao Senhor e ler a Bíblia e orar ocasionalmente. No entanto, dentro de si adoram a vários ídolos modernos, como dinheiro, profissão, sexo, poder etc. De igual forma, agem de maneira descuidada quanto à santidade, admitindo corrupção e imoralidade em suas vidas.
Todavia, tal comportamento errático é assimilado como que contrabalanceado, compensado, por continuarem a “adorar” a Cristo. Devemos ter muito claro diante de nossos olhos que a única devoção aceitável a Deus é aquela que lhe é tributada de forma exclusiva. Ele não aceita ser dividido com qualquer outra coisa ou pessoa que assumam o lugar de deuses em nossa vida.
A segunda lição que Acaz nos dá quanto àquilo que jamais devemos fazer diz respeito à imitação de falsos crentes. O reino do Norte, por ser considerado uma única família com Judá (pois de fato o era), dava a impressão de ainda estar na vivência da aliança com Deus. Todavia, desde que deixou de lado a adoração no Templo de Jerusalém, não podia mais viver em obediência ao Pacto. No entanto, por ser descendência de Abraão, ainda era considerado povo de Deus, mesmo em completo afastamento. Tal vida descomprometida com a aliança constituía-se péssimo exemplo para o reino de Judá, levando muitos ao desvio.
Uma das principais acusações que os profetas farão ao reino do Sul após a queda de Israel é exatamente que não consideraram o que aconteceu com seu vizinho ao Norte, imitando-os no mesmo caminho de afastamento do SENHOR. Portanto, aprendamos com Acaz a ter cuidado com o mau exemplo de pessoas que se chamam “crentes”. O simples fato de alguém estar associado a Deus, quer por ser da família de algum irmão da igreja ou por frequentar o culto de vez em quando, de forma alguma nos permite olhar para tal pessoa como um irmão na fé.
Se não ficarmos atentos, abriremos nossa vida para a “comunhão” com ímpios dentro da própria igreja. Nossa responsabilidade é comparar a vida daqueles que se intitulam, ou são chamados por outros, de “crentes”, com aquilo que vemos nas Escrituras. Se não virmos um mínimo necessário de vida cristã em tal pessoa, jamais devemos abrir a nossa vida para um relacionamento próximo com ela.
Por fim, aproximando-se do ocaso de sua vida, Acaz viu-se desamparado por Deus devido à sua idolatria e perversidade. O Senhor entregou o reino do Norte nas mãos dos Siros, que invadiram Jerusalém e levaram grande contingente de cativos para Damasco (v. 5). Além disso, Israel, seu irmão, invadiu Judá e matou em um só dia cento e vinte mil homens (v. 6). Como se não bastasse, os edomitas e filisteus aproveitaram a fraqueza de Judá e tomaram várias de suas cidades (vs. 17, 18). Sem ter a quem recorrer, o rei buscou aliança com a Assíria, que veio, mas para explorar ainda mais o combalido reino.
Assim, Acaz saqueou a Casa do SENHOR, a casa do rei e dos seus príncipes, e deu os despojos a Tiglate-Pileser, que o deixou, sem prestar-lhe qualquer ajuda (vs. 20, 21). Assim, em profunda angústia e desespero, o rei mostrou a extensão de sua maldade e dureza de coração. Voltou-se contra o SENHOR reconhecendo, como de fato era, que Deus estava permitindo tudo aquilo. Cumpre-se o adágio do sábio Salomão: “A estultícia do homem perverte o seu caminho, mas é contra o SENHOR que o seu coração se ira” (Pv 19.3). Ofereceu sacrifícios aos deuses da Síria, aquela que o havia invadido, quebrou os utensílios da Casa de Deus e encerrou as atividades do Templo (vs. 23-25).
Essa é a terceira lição que aprendemos com Acaz quanto ao que não devemos fazer: revoltarmo-nos contra o SENHOR. Se nos tornarmos obstinados, o juízo de Deus, que objetiva correção, acentuará ainda mais a rebeldia de um coração revoltado. O rebelado Acaz abandonou totalmente a Deus, preferindo confessar fidelidade a deuses estrangeiros, os deuses de Damasco. Quis dissimular a própria culpa, apontando o Senhor como o causador daquilo que estava acontecendo. Procurou vingar-se de seu próprio desastre em outro. Assim, acrescentou provocação à ira de Deus contra ele.
O legado de Acaz ao povo foi tão desastroso que, apesar de o sepultarem em Jerusalém, “não o puseram nos sepulcros dos reis de Israel” (vs. 27). Possivelmente não o viam como digno disso. O caminho de afastamento de Deus causa o endurecimento progressivo do coração. Isso quer dizer que, à medida que nos distanciamos dele, mais difícil se torna o regresso por nossa própria vontade. Daí a necessária atuação de Deus para nos quebrantar.
Precisamos ser maleáveis em suas santas mãos e dobrarmos nossa vontade, aceitando a correção. Caso contrário, desastre ainda maior nos espera. Cuidemos com as disposições de nosso coração e apeguemo-nos unicamente a Deus. Evitemos a tragédia em nossa vida. Não sejamos contumazes no pecado. Não há caminho melhor para um pecador do que o arrependimento. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus

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