Total de visualizações de página

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

TRANSFORMAÇÃO

 Sabedoria: transformação e adoração

“A Sabedoria edificou a sua casa, lavrou as suas sete colunas” (Pv 9.1).
Crescimento e desenvolvimento são regras imutáveis da Criação de Deus. O ser se expande física, mental e espiritualmente em direção à sua plenitude. Mesmo o ser perfeito não é imutável, pois amadurece em conhecimento e na aquisição de saberes objetivos e sensoriais. Perfeição não é plenitude. É, antes, uma esfera de existência onde tudo ocorre dentro de uma ordem santa. Não há pecado e morte. O mal não existe.
Bons exemplos são os dois Adões. O primeiro, vivia a perfeição no mundo ainda não desfigurado pela desobediência. Se se mantivesse assim, teria pela frente um eterno caminho de desenvolvimento. Sentia-se incompleto pela falta da mulher, o que foi providenciado pelo Criador a seu tempo. O segundo, vivia a perfeição em uma ordem caída, com corpo corruptível, entre pecadores. Foi obediente até a morte, e morte de cruz, assumindo a plenitude de glória em cada etapa alcançada: ressurreição, ascensão, assentamento no trono, aguardando ainda a consumação em seu retorno para julgar vivos e mortos.
O desafio do desenvolvimento continua sobre nós. Todo salvo deveria se ver como um projeto a ser concluído, cuja planta de construção é a própria silhueta de Cristo. No entanto, o pecado fez com que o homem transferisse a glória de Deus em si para a glória pessoal fora de si. Desviou os olhos de si mesmo, da busca do crescimento e do desenvolvimento pessoal para a glória de Deus, e passou a buscar sua própria glória em realizações e acúmulo de bens, em um movimento de fora para dentro, calcado nas experiências sensoriais. É a tentativa de preencher o vazio de seu coração. Deveria projetar sua experiência para fora de si, partindo de sua alma, da vida espiritual, expandindo-se para o exterior modelando e determinando toda sua manifestação no mundo físico.
Dessa maneira tem que viver aquele que verdadeiramente conhece a Deus. É assim que se coloca nas mãos do Senhor para a edificação de sua vida. Todo convertido é um pátio de obras, uma vida em construção. Eis o motivo por que vemos nas Escrituras figuras comparando o crente e a própria igreja a edifício, casa, e a própria ideia de “edificação”, isto é, “construção”, aplicada ao salvo. Nossa responsabilidade é, acima de tudo, a construção de uma vida para Deus, não a busca de um nível de vida material admirável.
A “sabedoria” descrita em Provérbios não é, de forma alguma, aquela produto da simples reflexão ou conhecimento terrenais. Esta é, muitas vezes, contrária à verdadeira sabedoria. A sabedoria humana tem o homem como sua origem, meio e fim. Já a verdadeira, considera que tudo é de Deus, tudo é por meio de Deus, e tudo é para Deus (Rm 11.36). Contra a sabedoria meramente humana é que o apóstolo Paulo lutava em sua época, especialmente em uma sociedade helenizada como era o mundo romano. Os judeus eram ávidos por sinais, enquanto os gregos buscavam sabedoria, mas a única pregação de Paulo era o anúncio de Cristo crucificado, um escândalo para os judeus (o Messias foi crucificado!) e loucura para os gregos (acreditar em um morto que ressuscitou). Além disso, lutava contra a noção dualista grega do ser humano, que via a sua natureza física como essencialmente má e a alma boa.
A Sabedoria referida por Salomão é divina em sua essência, e está em Deus. Isso fica claro quando o próprio Deus assume pessoalmente a Sabedoria como sua personificação (Pv 8.12), motivo por que aparece com letra maiúscula em nossas traduções. A partir da queda, o homem passou a necessitar de um corpo de doutrina específico para reger o seu conhecimento de Deus, ordenando a devida forma de se relacionar com o Senhor, bem como, ensinando o que fez ele em Cristo na vida de todo eleito.
Quando Adão optou pela desobediência, somou forças com o diabo contra o Criador. Nesse momento, Deus colocou em ação seu propósito de salvação já prontificado antes mesmo que houvesse mundo. Tratava-se de um pacto entre as Pessoas da Trindade, estabelecendo o que cada uma faria para a redenção do mundo. O Pai enviaria seu Filho; o Filho assumiria uma natureza humana, cumpriria a Lei e morreria pelos eleitos, a fim de conceder a eles a justiça que jamais poderiam alcançar; e o Espírito, como sempre, executaria todas essas coisas.
No entanto, ainda era necessário dar o conhecimento ao ser humano. Todo conhecimento para iluminar as trevas do saber do homem foi concentrado na segunda Pessoa da Trindade, o Logos divino. Jesus é chamado pelo apóstolo João de Logos especificamente devido aos capítulos 7 e 8 de Provérbios, por ser a Sabedoria de Deus. O Logos joanino tem como pano-de-fundo o conceito da Sabedoria personificada em Deus de Salomão.
Dessa forma, determinada a fonte de conhecimento verdadeiro, nenhum conhecimento suficiente de Deus pode ser encontrado em qualquer outra origem que não seja o próprio Cristo. É Logos, Palavra, porque é revelação, anúncio do genuíno conhecimento, a mais pura verdade. Todas as manifestações de Deus no Antigo Testamento eram o Verbo de Deus, sua natureza divina, em período anterior à encarnação. Afirma-se o princípio teológico que: “Ninguém conhece o Filho senão o Pai; e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho, e aquele a quem o Filho o desejar revelar” (Mt 11.27). Apenas por meio de Jesus é que alguém pode chegar ao verdadeiro conhecimento de Deus.
Uma vez que se recebe tal conhecimento, não se torna mera informação. A Palavra de Deus é poderosa, a mesma palavra pela qual o Criador fez o universo. É transformadora. Possuí-la não é mero acúmulo de conhecimento ou passar a ser portador de verdades privilegiadas. A Palavra de Deus concede vida, transformação, padroniza a vida conforme o conhecimento que foi assimilado. Todos os crentes verdadeiros são parecidos em seu procedimento, pois transformados segundo o mesmo modelo que é Jesus Cristo.
O reino de Deus conquista, por assim dizer, todas as nações, impondo-lhes o verdadeiro proceder, tornando todos os portadores do Logos cidadãos de um novo mundo. O Logos divino estará neles movendo-os todos sob um mesmo e único comando. O crente é uma pessoa que se dedica a tudo o que é certo. Sua vida assumirá o contorno da retidão. Fará questão de nada deixar de fazer ou realizar parcialmente. Haverá seriedade em tudo o que se dedicar a fazer, pois feito segundo a Sabedoria que é Cristo. Vive como filho e servo de Deus, sendo exemplo em todo procedimento.
Que experiência gostosa é realizar e completar bem um serviço oferecido ao Senhor. Não há orgulho ou soberba, mas gratidão e devoção. Todos os nossos dias têm que ser assim consagrados ao Senhor como verdadeira devoção. É entregar tudo a Deus, vivendo como humanidade redimida. Invista no projeto que Deus tem que é você mesmo! Busque viver mais e mais a nova natureza que foi implantada pelo Santo Espírito em sua conversão. Veja sua vida totalmente edificada, olhando para o projeto terminado em Cristo. Dedique o seu dia ao Senhor e conscientemente faça tudo para ele. Essa é a vida do sábio, de todo aquele que tem Cristo em sua vida. Tenha um excelente dia na presença de Jesus

Nenhum comentário:

Postar um comentário