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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

VONTADE

 A Imutável Vontade de Deus

“Porém o SENHOR indignou-se muito contra mim, por vossa causa, e não me ouviu; antes, me disse: Basta! Não me fales mais nisto. Sobe ao cimo de Pisga, levanta os olhos para o ocidente, e para o norte, e para o sul, e para o oriente e contempla com os próprios olhos, porque não passarás este Jordão” (Dt 3.26, 27).
O relacionamento entre os decretos eternos de Deus e a ação dos homens sempre será um problema para a nossa compreensão, nunca para a de Deus. Charles Spurgeon, questionado como é possível conciliar a vontade de Deus com as ações humanas, respondeu afirmando que nunca soube que estavam “brigadas”. Comparou ambas a trilhos de um trem que sempre conduz àquilo que o Senhor já pré-determinou. Acrescentou que, do ponto-de-vista de quem olha, no lugar onde se está a vontade de Deus e as ações humanas correm como trilhos paralelos, aparentemente irreconciliáveis, mas olhando para o horizonte eles sempre se fundem aos nossos olhos. Certamente, o Senhor inclina a “mesa da existência” fazendo convergir todas as coisas para a realização de seus propósitos eternos.
Quem imaginaria que o Libertador do povo da escravidão no Egito, através de quem Deus manifestou sinais e maravilhas incomparáveis, aquele que guiaria a multidão de povo por quarenta anos no deserto, por fim não poderia entrar na Terra Prometida? Não pôde entrar devido ao seu próprio pecado, por ter zombado do Senhor no deserto de Zim. Nos eternos decretos do Senhor, ele reservou ocasiões para mostrar ao homem caído o seu desagrado pelo pecado a fim de nos ensinar o valor e a importância da obediência. Atos que cometemos ainda que em um passado distante podem ter consequências preparadas por Deus para que não partamos desta terra sem fazer a devida reflexão a respeito de coisas que ficaram mal resolvidas, talvez até mesmo já esquecidas. No entanto, é importante aprender que assim como perdoar jamais foi esquecer, arrependimento também não se alcança simplesmente pela ação do tempo, quando soterra pecados sob os escombros de muitos dias.
A noção de Deus como um “bom velhinho” certamente ainda povoa a mente de muitos, não apenas da sociedade, mas mesmo dentro das igrejas. É verdade que o Senhor é chamado de “Ancião de Dias” em Daniel 7.9. No entanto, isso está longe de dizer que esse Ancião é como um Papai Noel, velho bonachão que simplesmente distribui presentes, a visão típica de Deus no mundo, como se o Senhor existisse simplesmente para concretizar os desejos do coração humano. De igual forma, Deus também não corresponde à figura de pai indolente, permissivo, pusilânime, que sempre se dobra diante dos homens, sem jamais impor sua vontade. Certamente, não há nada mais perigoso do que se enganar quanto ao caráter e à personalidade de Deus. O que vemos nas Escrituras é que a vontade do Senhor é irrevogável.
As palavras epigrafadas dizem respeito à “insistência” de Moisés com o Senhor pretendendo conseguir permissão para entrar na Terra Prometida. É certo que a vontade humana sempre se manifesta como “ferro frio”, difícil de ser modelada. Geralmente tem que ser duramente forjada. Na verdade, na grande maioria das vezes, esperamos conseguir dobrar o querer de Deus ao invés de docilmente nos rendermos à vontade dele. Acreditamos que pela insistência, de alguma forma, evitaremos que Deus permita ocorrer exatamente o contrário daquilo que queremos. Outras vezes, utilizamos estratégias de manipulação, pensando que a demonstração do nosso sofrimento vai causar algum tipo de chantagem emocional no Senhor. No entanto, devemos lembrar que o Criador já preordenou todas as coisas antes mesmo que formasse o universo. O Deus glorioso, único e verdadeiro, não decide o que fará sob o tempo, como que construindo a história no mundo. Tudo já está determinado.
Mesmo quando ele parece mudar de ideia, como no prolongamento da vida de Ezequias ou sua mudança de atitude para com o gênero humano no dilúvio, na verdade, está cumprindo o que já havia determinado. Colocando isso de outra forma, o Senhor já havia especificado que as coisas se dariam assim. Deus não apenas prevê as coisas, nem mesmo é somente presciente. Aquele que mantém tudo criado, que dá base à própria existência, é também quem faz convergir todas as coisas para que sua vontade santa e inquestionável se cumpra. A entrada na terra prometida foi vedada a Moisés, o que implicava também sua morte em ditosa velhice. É fato que tal aconteceu como forma de correção por ter zombado de Deus no deserto de Zim, como já indicamos, quando questionou à vista do povo a providência do Senhor.
Todavia, havia um propósito maior por trás disso. Moisés, aos cento e vinte anos, já havia completado sua obra de libertar o povo. Não caberia a ele orquestrar a conquista da Terra. Tal encargo recairia sobre outro: Josué, o profeta prometido semelhante a Moisés, que o sucederia (Dt 18.15). Essa promessa tem duplo cumprimento, pois também se refere à vinda do próprio Cristo. O decreto de Deus jamais seria mudado. Portanto, entendamos que há ocasiões quando o Senhor nos prova e nos testa, quando já preordenou mudança, mas outras em que seu decreto eterno demandará exatamente aquilo que não queremos. No entanto, isso não deve nos levar à desconfiança do amor de Deus ou do seu cuidado. Pelo contrário: entendamos que o que tiver que ser, será. Como disse o Senhor Jesus: “cada dia trará os seus cuidados – basta para cada dia o seu próprio mal” (Mt 6.34).
Reconheçamos o propósito imutável do Senhor, percebendo sua condução soberana dos acontecimentos. Descansemos nele sabendo que sempre faz o melhor para nós. Busquemos a segurança da soberana vontade divina, mesmo quando envolve coisas importantes ou que podem resultar perdas significativas e sofrimento. Tenhamos sempre firme em nosso coração esta verdade: a vontade de Deus sempre visa o nosso bem, mesmo quando nós não a entendamos. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus

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