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terça-feira, 11 de novembro de 2025

VONTADE

 A Projeção da Vontade Humana

“Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo” (Lc 22.61).
De fato, nós não conhecemos o futuro. Contudo, é igualmente certo dizer que nós não podemos prever ou garantir o que faremos no futuro. Comumente construímos projeções a respeito de nós mesmos, como se pudéssemos realmente antever qual seria a nossa atitude ou reação diante de determinada situação. Todo ser humano já passou pela experiência de dizer para si ou para o outro: “nunca imaginei que faria isso um dia”. Essa capacidade de surpreender-se a si mesmo com as próprias atitudes é verdade tanto para o bem, como, infelizmente, para o mal.
Dessa maneira, diante de desafios que pareciam invencíveis, pode-se olhar para si em determinado momento e concluir exatamente isto: “não achei que conseguiria”. Não acreditava que teria em si forças e capacidades para realizar o que era preciso. De igual forma, é também possível estar em meio à grande amargura e remorso por algo que fez, não acreditando que foi capaz de cometer ato tão ignominioso. Devemos aprender a não nos surpreender com as pessoas, especialmente pela capacidade inata do pecador de operar o mal.
Certamente, a grande marca da vida cristã é a credibilidade. Jesus descartou a necessidade de juramento para um salvo exatamente porque sua vida precisa estar solidamente firmada na verdade, sua palavra deve ser certa, autêntica, inquestionável. Quem tem real compromisso com o Senhor dificilmente gerará qualquer desconfiança. No entanto, chamados crentes que são frequentadores de igreja e agem como “ímpios melhorados”, certamente sofrerão muito mais com as desconfianças do que aqueles cuja vida mostra o próprio Cristo. Devemos, então, aprender essa máxima: nós somos capazes de fazer coisas que jamais imaginamos, tanto para o bem, mediante a fé e a fidelidade a Deus, como também, pecados inomináveis, pelo afastamento de Deus.
Os seres humanos são cheios de bravatas. Principalmente quando inseridos em um contexto de grupo, o senso de pertencimento faz com que se infle, acreditando poder fazer muito mais do que de fato fará em situação diferente ou se estiver sozinho. O homem que está acompanhado de outro soma a força de todos como se fosse sua própria força. Imagina-se do tamanho do grupo, tornando-se, assim, muito mais ousado do que seria se estivesse sozinho.
Pedro compunha junto com os demais apóstolos um pequeno grupo de doze homens. Se a bravata resultante da participação em um grupo já é arrogante, muito mais aquela que leva o ser humano a se superestimar acima do grupo. Lembremos como Pedro impulsivamente, como lhe era comum, reagiu às palavras de Cristo, quando, citando as Escrituras, o Senhor afirmou que os discípulos seriam dispersos naquela noite, após sua prisão. Pedro declarou que ainda que todos abandonassem a Jesus, ele não o faria.
Embora isso tenha sido sincero, mais uma vez mostrava a simples explosão de vontade humana, um desejo ainda que “nobre” e sincero, mas que não poderia ser concretizado. Devemos entender que Pedro não queria que Cristo morresse, mas não simplesmente porque não gostaria de ver o sofrimento do Senhor. Ele não admitia o fato de o Cristo ter que morrer. Em sua forma de ver, o Messias viria para expulsar os romanos e governar em Jerusalém. Portanto, sua morte era tudo o que ele não queria.
O que vemos nesse episódio é a vontade humana sendo confrontada com o propósito de Deus. A força do homem nada pode. A arrogância da vontade humana logo se estraçalha ao se impactar com a muralha do irremovível decreto de Deus. O poder humano se mostra extremamente fraco quando a situação se apresenta desfavorável. O sucesso do que fazemos repousa na concordância com a vontade de Deus. Não há como mudar os decretos divinos. Nem mesmo Deus o faz por não ser de sua natureza alterar qualquer decisão tomada na eternidade. Só modifica decisões tomadas alguém que não tem o conhecimento de todas as coisas.
Pedro aprendeu isso da maneira mais difícil. Preso Jesus, como havia antecipado aos discípulos, foi conduzido à casa do sumo-sacerdote. Pedro assumiu lugar no pátio da casa. Após ter negado conhecer Jesus Cristo àqueles que se aglomeravam naquele local curiosos pelo desfecho da situação, negou também que era seu discípulo, praguejando e jurando. Na última vez que o fez, o Senhor olhou para ele. Pedro percebe que alguém o estava mirando atentamente e nota que era Jesus. Automaticamente veio à memória o que Cristo havia profetizado: Pedro haveria de negá-lo antes do cantar do galo, ainda naquela madrugada.
Não devemos entender que o ensinamento aqui é uma defesa da fraqueza humana, como se pudéssemos desculpar nossos erros baseados nisso. Na verdade, o que a passagem nos ensina é que não devemos ir além das nossas próprias possibilidades, afirmando ou prometendo aquilo que não podemos garantir ou concretizar. Não temos a capacidade de concretizar qualquer vontade ou desejo. Nossa atitude deve ser a resignação diante do propósito do Senhor, modelando nossa vida a ele. A resiliência deve se manifestar, tão-somente, em permanecer firmemente no centro da vontade de Deus.
Busquemos ao Senhor a fim de experimentar todo o escopo da fé verdadeira, crendo e vivendo com autoridade e ousadia cristã. Enfrentemos o mundo, jamais a Deus. No entanto, é importante compreender que não devemos confundir isso com bravatas humanas ou a afirmação de nossa própria vontade. Muitos afirmam seus próprios planos como se fossem a vontade de Deus, modelando os acontecimentos orientando-os sempre à realização daquilo que querem, valendo-se de interpretações tendenciosas.
Aprendamos a estar sempre dependentes de Cristo. Saibamos que quando somos fracos, então é que somos fortes. Não projetemos planos e realizações, nem mesmo, garantamos reações e posicionamentos futuros com base em nossas próprias forças. Busquemos a fidelidade sempre estribados em Deus, completamente humilhados e reconhecidos de nossa pequenez. Nossa força é unicamente o Senhor. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus

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