sábado, 1 de janeiro de 2022

DOIS

 Sabe quando você quer muito que algo seja real? Pois é... a gente acaba se deixando levar pelo desejo, buscando respaldá-lo em argumentos que jamais nos convenceriam se já não estivéssemos predispostos a isso.


O coração é hábil em nos pregar peças.


Daí a necessidade de vez ou outra, promovermos uma conferência a portas fechadas entre a mente e o coração.


Não que a razão tenha sempre razão. Às vezes, ela também se equivoca. Mas não resta dúvida de que o coração seja bem mais suscetível e vulnerável a certos apelos.


Há que se redobrar os cuidados para que a mente e o coração não se tornem aliados incondicionais. É mais produtivo mantê-los num clima de certa desavença. Caso contrário, a mente sempre vai tentar justificar o que o coração já houver decidido. Sabe como é... O coração tem um jeitinho faceiro de dobrar a mente e fazê-la submeter-se a seus caprichos, nem que para isso tenha que se valer de chantagens e tentativas descaradas de suborno. A mente não resiste a uma oferta de prazer, principalmente quando convencida de que os custos serão baixos.


Também não se pode ignorar por completo a voz do coração, principalmente quando nos fala pela via da intuição. Não é raro que ele tenha razão. Como disse Blaise Pascal, o coração tem razões que a razão desconhece.


Mente e coração só devem chegar a um acordo depois de boa dose de argumentação de ambas as partes.


Deixe que o coração se pronuncie. Avalie seus argumentos. E caso eles o convençam, atreva-se a ceder.


Que seja a consciência o árbitro que decidirá entre os argumentos da razão e os apelos do coração.


Quem deveria ter a última palavra?


Os dois, quando a voz de ambos soarem em uníssono na câmara da consciência.


Depois disso, mantenha-os novamente em cômodos separados, possibilitando avaliar cada nova decisão de um ângulo distinto, porém, complementar.

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