Total de visualizações de página

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

AMOR

 A Necessidade do Verdadeiro Amor

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou o címbalo que retine” (1 Co 13.1).
O amor de Deus deve ser proclamado em todas as línguas, constituindo-se, dessa forma, também, em única língua universal. Todo ser humano tem em si a necessidade do amor. O homem foi criado para ser o objeto do amor do Criador, o que não se constitui mera emoção, mas em ações que resultem sempre o bem. O amor divino é a fonte e o padrão do verdadeiro amor. Amar é relacionar-se! E foi para isso que o Senhor criou o ser-humano: para dar-lhe ocasião de uma existência relacional, para que a criatura moral pudesse desfrutar de sua Pessoa bendita. O capítulo treze da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios é célebre devido ao tema que trata. O amor é algo que está no centro da experiência humana. Necessariamente é assim, pois, tendo sido criado à imagem e semelhança daquele que é definido como “amor”, certamente tal virtude também o caracteriza como um todo.
O amor em Deus já está presente como o “princípio regulador” da Trindade, a ideia que traduz o relacionamento entre Pai, Filho e Espírito Santo. O ser triúno de Deus é padrão, fonte e origem do verdadeiro amor. Por simples bondade, ele decidiu que compartiria seu amor com seres criados. Dessa forma, criou o ser-humano para que, multiplicando-se, fosse sua família criada, inteiramente dependente de seu inesgotável e perfeito amor. Todavia, o homem assimilou outros planos, planos diabólicos, e, assim, se afastou da fonte do supremo amor. Amor, portanto, é tudo o que se harmoniza com Deus. É viver com as mesmas disposições santas e perfeitas do ser de Deus. Eis o motivo pelo qual a Lei se cumpre no amor: está centrado na justiça, na retidão, na santidade. Amar alguém implica necessariamente fazer a ele o que é certo, o que é justo, o que é correto.
Uma vez que o homem caiu, também foi corrompido nele o padrão do verdadeiro amor. O amor ímpio é interesseiro e egoísta. Por isso, busca fazer o que agrada as pessoas. A busca do agrado do próximo não visa o benefício dele, mas os interesses daquele que diz amar. Seus atos supostamente bondosos estão em linha com interesses de seu coração para com a outra pessoa. Podem ser benefícios materiais, materializados em bens, ou vistos em influências que empurram para a frente a carreira profissional. Outras vezes, confunde-se o amor com atração física, mero desejo de satisfações sexuais. No entanto, nada disso corresponde ao verdadeiro amor, sendo antes egoísmos típicos do homem caído. O verdadeiro amor visa o benefício do próximo, não o de si mesmo.
No verso epigrafado, vemos a construção interessante que o apóstolo utiliza, hipotética e hiperbólica. No caso, parte-se de uma forte probabilidade para aquilo que é claramente exagerado. Dessa forma, diz: “ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor” de nada vale. Não se trata de uma afirmação. No entanto, a primeira instância da probabilidade, isto é, falar a língua dos homens, é uma clara referência ao dom de línguas, que era exatamente isso: falar as línguas dos homens. Em Atos dois, é dito que os que ouviam os apóstolos falando em línguas, perguntavam atônitos: “como podemos ouvi-los falar nosso próprio idioma?” São listadas dezesseis nações e regiões de judeus e prosélitos que estavam ali presentes. O dom de línguas foi, incontestavelmente, línguas estrangeiras da época. Paulo afirma que falava em línguas. Dessa forma, “falar a língua dos homens” era algo que ele fazia. Contudo, falar a “língua dos anjos” já se constitui hipérbole. Uma “conversa” angelical é tudo, menos linguagem. Nossa comunicação se dá através de códigos sonoros que são captados e decodificados por nosso cérebro. No entanto, os anjos são seres espirituais, que habitam um mundo espiritual. Não há som, não há ar para que o som seja propagado. Anjos não têm corpo, garganta ou língua para produzir som, nem ouvidos com tímpanos para vibrarem e receberem o som. Uma “conversa” entre dois anjos é uma troca de pensamentos. Quando se manifestam aos homens, podem assumir uma forma corpórea semelhante aos seres humanos e falar a linguagem daquele a quem devem comunicar algo ordenado por Deus. No entanto, são “espíritos ministradores de Deus” (Hb 1.14), sem corpo, aparência etc.
É dessa forma, indicando como possível o impossível, é que Paulo mostra a excelência do amor. Pois, ainda que alguém conseguisse não apenas grandes coisas, mas a operação do impossível, se não tiver amor, mesmo feito aparentemente tão grandioso não teria efeito perante o Senhor. Entendamos que geralmente, pensamos nas coisas que temos que realizar em termos de responsabilidade. Sem dúvida, é bom ter responsabilidade. Todavia, quando falamos do cristão ele é alguém que tem que ter todas as suas realizações pautadas e fundamentadas no amor. Em tudo o que fazemos é o amor que deve predominar, amor a Deus e amor ao próximo. Contudo, precisamos entender que não se trata de mero sentimento. Amar significa ação sincera para o bem, pois é possível ter sentimento intenso por alguém e ainda assim, ser levado a prática do mal. Hoje em dia, a fornicação e o adultério fomentados por intensas cobiças são chamados de “fazer amor”. Tudo o que escraviza o ser-humano, levando-o ao pecado, é paixão maligna, algo nocivo, cadeias que já caíram na vida de todos os que conhecem a Jesus.
Quando agimos para o benefício de alguém, tal resultado só será alcançado se nossa ação acontecer dentro dos limites da santidade. Assim, amar a Deus não é ficar arrepiado na hora do louvor, fechando os olhos e quase entrando em transe, mas obedecer os seus mandamentos (Jo 14.21). Amar o próximo, de igual forma, impõe a ação dedicada e sincera. É por isso que é possível amar o inimigo. Implica fazer a ele o mesmo bem que fazemos aos amigos, sem a necessidade de um sentimento intenso. Basta ser uma atitude sincera. Se os nossos dias fossem passados no cumprimento desta lei régia experimentaríamos comunhão profunda com o Senhor até no exercício das funções diárias e seríamos utilizados por ele como instrumentos de suas bênçãos na vida daqueles que nos cercam, fazendo apenas o que é bom, reto e justo a eles. Esse é o exemplo perfeito de Cristo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário