Enganos Escatológicos
“Porque aqueles dias serão de tamanha tribulação como nunca houve desde o princípio do mundo, que Deus criou, até agora e nunca jamais haverá” (Mc 13.19).
Com toda certeza, o crente não é alguém que deva ser descrito como pessimista, bem como, jamais deveria ser categorizado como otimista. Ele deve ser realista! No entanto, é provável que a grande massa da multidão evangélica brasileira se extreme em um dos apostos: ou pessimismo ou otimismo. Dessa forma, conhecemos pessoas que têm uma visão sempre catastrófica da existência, lamentando problemas que ainda nem mesmo se concretizaram.
Por outro lado, temos aqueles crentes de fé romântica, que parecem acreditar viver em um mundo que, se não for ideal, chega bem perto. Esses leem os acontecimentos como sempre voltados àquilo que acreditam ser o melhor. Difícil é encontrar aqueles que são sensatos o suficiente para saber que podem enfrentar tanto o revés e a dor, como também, serem surpreendidos com situações maravilhosas que se alinham perfeitamente com sua vontade. Colocando isso de outra forma, é viver a experiência de saber que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.
Portanto, não importa se está em linha com aquilo que quero ou não, sei que há uma convergência para o meu bem em tudo o que acontece, ainda que no momento não pareça. O Senhor sabe aquilo que precisamos passar nesta terra. Contudo, essa visão realista da existência está longe de ser um comodismo, quer no otimismo, quer no pessimismo, isto é, chamados crentes que simplesmente se modelam a tudo e todos sem qualquer reação.
Aceitar e querer a vontade de Deus não significa passividade, ou melhor, inatividade! Diante de situações contrárias às Escrituras, devo reagir a elas como servo de Deus em um mundo caído. Se é o caso de algo que contribui para o avanço do reino, devo usar isso para catapultar meu serviço ao Senhor, produzindo ainda mais. Minhas orações devem ser intensificadas tanto quando enfrento reveses como quando colho bênçãos que estão em harmonia com aquilo que acredito ser bom.
O homem é um ser extremamente adaptável. Percebemos que habita todo tipo de terreno e clima. Desde o Ártico gelado, até as caravanas de berberes e beduínos no Saara, desde as aldeias quéchuas no alto dos Andes até os aborígenes das planícies australianas, realmente o ser-humano encheu a terra. No entanto, a capacidade de adaptação humana não está ligada, apenas, às questões geográficas e climáticas, mas também em relação a situações e comportamentos. Especialmente quanto a estes, é necessário tomarmos muito cuidado à medida que o tempo passa e o fim se aproxima.
No texto em epígrafe, Jesus nos exorta a cuidarmos de nossas concepções, que sejam elas bíblicas, para que não venhamos a dar guarida a qualquer proposta apóstata. Lembre-se que apostasia não quer dizer afastamento da igreja, mas da verdade. Os últimos dias serão tempos de crentes apóstatas, se tal categoria existe. Pessoas que serão assíduos frequentadores de igreja, mas seguidores de ensinamentos humanos, longe daquilo que se vê na Palavra. Consequentemente, estarão distantes do Deus verdadeiro. É por isso que Jesus adverte: “Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos. Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito” (vs. 21-23).
O sofrimento coletivo é “caldo de cultura” para os movimentos conhecidos como “messianismo”. Por exemplo, em Santa Catarina, no período entre 1912 a 1916, houve a Guerra do Contestado. Levou este nome porque a região onde ocorreu, o Centro-Oeste catarinense, era uma área em disputa pelos Estados de Paraná e Santa Catarina. Devido a fatores políticos, econômicos e sociais, envolvendo a extração de madeira, senhores de terra e caboclos, estes se viram roubados do chão, do sustento e da própria vida. O último de três monges, personagens da crença popular que nada tinham a ver com o catolicismo, liderou uma revolta armada que acabou por vitimar milhares de pessoas. Criam que o monge João Maria seria um libertador, alguém levantado por Deus para devolver-lhes a vida.
Na mesma época, a Alemanha vivia o final do “segundo reich” com a primeira guerra mundial, na qual Hitler foi condecorado como herói, embora sua Alemanha tenha sido derrotada. Todavia, habilmente soube, depois, utilizar a esperança messiânica para personificar o salvador da Alemanha, e estabelecer o “terceiro reich” (reich = reino). O nazismo também foi movimento messiânico, a ponto de haver igrejas com altares onde havia a suástica e a foto de Hitler para ser adorada. Até mesmo batismo nazista foi registrado. No Brasil, além do Contestado, temos o exemplo de Canudos de Antônio Conselheiro, tão propalado por Euclides da Cunha, e ainda Juazeiro e o Padre Cícero. Em outros lugares do planeta, outros exemplos mostraram o quanto o sofrimento coletivo gera a expectativa de alguém que resolva a situação, um messias, um salvador ou libertador.
Por isso, o verdadeiro Cristo adverte: o sofrimento será tão intenso que haverá falsos cristos, falsos profetas, que pregarão o que o povo quer ouvir e prometerão os anseios do coração humano. Eles operarão sinais reais; Deus o permitirá, para iludir a muitos. Tamanha será a influência e o poder de convencimento de tais falsários, que se possível fosse, até mesmo os escolhidos seriam iludidos. O ser-humano se deixa convencer pelo suposto sobrenatural. Na verdade, a maioria dos homens tende a acreditar que o sobrenatural é igual ou procede sempre de Deus. Em outras palavras: “fez um milagre? Algum sinal? É da parte de Deus.” Tal associação é utilizada pelo diabo exatamente para desviar os homens da verdade divina.
O que vemos hoje quanto a sinais é como uma simples propaganda do filme que estará em cartaz não muito depois destes nossos dias. Vários anticristos já surgiram, diz o apóstolo João. Quanto a Hitler, sem dúvida, um componente ilustre dessa lista, é interessante observar como alguns sinais lhe foram atribuídos, como enfrentar saraivadas de balas e não ser atingido, escapar ileso de explosões e atentados. Outros ainda surgirão. E haverá “o” anticristo, aquele que se levantará e liderará o mundo contra o verdadeiro Cristo.
Será que percebemos como o mundo se torna cada vez menor, interligado e unificado? O que dizer de tantos conceitos anticristãos e a hostilidade crescente ao cristianismo no mundo, mesmo a aberta perseguição? São sinais dos tempos; é o raiar do último dia. Tomemos cuidado para não nos deixar levar pelo sofrimento e acabar por admitir coisas diametralmente opostas à Escritura e ao verdadeiro Cristo.
Não autentiquemos pessoas ou doutrinas pelos seus resultados, mas tão-somente pela aprovação diante do padrão da verdade deixada para nós por Jesus: as Sagradas Escrituras. Lembremos que o verdadeiro Cristo está nos céus, e, quando voltar, não será para revelar ou realizar coisa alguma concernente a essa história, mas para pôr um fim ao pecado e ao tempo de iniquidade dos homens. Maranata! Venha logo Senhor Jesus! Tenha um abençoado dia na presença de Jesus
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