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sábado, 2 de maio de 2026

DIA

 O que fazer com um dia azulado? 

Vou me deixar conduzir pela paz que ele inspira.


Prefiro me enamorar das profundezas marinhas do que o vermelho incandescente do fogo.


A cor de anil tem o poder de me levar aos braços da imperturbabilidade.


 Azul é cor espremida quando o prisma refrata a luz; fica entre o verde e o violeta.


Eu quero me azulecer e ocupar esse estreito fiapo na luz que se espalha num arco íris.


Sou efêmero e vasto como um raio de sol; caibo no céu e na joia turquesa; estou na asa do passarinho e na têmpera do aço.


Quando me sinto envolvido pelo tom índigo, a vida parece se acalmar.


Reluto para nunca me tornar indiferente à beleza do processo de azulecer. 


Pertenço aos tons que condizem com a fundura dos oceanos.


Condigo conjugar o verbo azulear quando intento colorir minha dor em poesia. 


Uso os dois verbos: azulejar e azulear. Invoco licença poética devido à vontade de libertar os olhos dos marrons e cinzas. 


Anelo o céu profundo pois gente Gente incolor me assusta. 


No azul, busco a serenidade do ribeiro que absorve as alturas para, mesmo represado entre pedras, levar faíscas do sol.


Azulejo e alto vivo. Peço ao universo que não haja em mim o breu das perversidades falsas. 


Basta a mim ser apenas uma fatia do arco-íris. Basta que a coloração do meu ser não reflita a vir mortiça dos espíritos mesquinhos.


Amanheci com a sensação de que todo o pensamento feliz tem o colorido de céu. 


Hoje despertei, contemplei o mundo pela janela e decidi que minha estrada será com an aurora que desvenda o azul perfeito.


Vou tingir de anilina o meu dia.


Hei de envernizar meus momentos com o tom da paz e gentileza me acompanhará.


Pinto meu céu de azul porque sou das alturas, já que nasci com a eternidade cravada no peito.


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