O que fazer com um dia azulado?
Vou me deixar conduzir pela paz que ele inspira.
Prefiro me enamorar das profundezas marinhas do que o vermelho incandescente do fogo.
A cor de anil tem o poder de me levar aos braços da imperturbabilidade.
Azul é cor espremida quando o prisma refrata a luz; fica entre o verde e o violeta.
Eu quero me azulecer e ocupar esse estreito fiapo na luz que se espalha num arco íris.
Sou efêmero e vasto como um raio de sol; caibo no céu e na joia turquesa; estou na asa do passarinho e na têmpera do aço.
Quando me sinto envolvido pelo tom índigo, a vida parece se acalmar.
Reluto para nunca me tornar indiferente à beleza do processo de azulecer.
Pertenço aos tons que condizem com a fundura dos oceanos.
Condigo conjugar o verbo azulear quando intento colorir minha dor em poesia.
Uso os dois verbos: azulejar e azulear. Invoco licença poética devido à vontade de libertar os olhos dos marrons e cinzas.
Anelo o céu profundo pois gente Gente incolor me assusta.
No azul, busco a serenidade do ribeiro que absorve as alturas para, mesmo represado entre pedras, levar faíscas do sol.
Azulejo e alto vivo. Peço ao universo que não haja em mim o breu das perversidades falsas.
Basta a mim ser apenas uma fatia do arco-íris. Basta que a coloração do meu ser não reflita a vir mortiça dos espíritos mesquinhos.
Amanheci com a sensação de que todo o pensamento feliz tem o colorido de céu.
Hoje despertei, contemplei o mundo pela janela e decidi que minha estrada será com an aurora que desvenda o azul perfeito.
Vou tingir de anilina o meu dia.
Hei de envernizar meus momentos com o tom da paz e gentileza me acompanhará.
Pinto meu céu de azul porque sou das alturas, já que nasci com a eternidade cravada no peito.
Nenhum comentário:
Postar um comentário