“.. Eu te amei com uma coragem que beirava o desespero. Coloquei verdade onde havia silêncio, permanência onde só existia dúvida. Fiz do teu nome um abrigo e, sem perceber, fui morando sozinho dentro dele.
Esperei gestos que nunca chegaram, respostas que sempre vinham tarde, ou nem vinham. Enquanto meu coração gritava, o teu aprendia a se calar com elegância. Amar assim cansa, porque dói amar por dois e ainda fingir que está tudo bem.
Houve noites em que eu me diminuí só para caber na tua ausência. Inventei desculpas para a tua falta de cuidado, confundi migalhas com amor e permaneci onde só existia distância disfarçada de presença.
O mais triste não foi te amar demais, foi perceber que todo esse amor não encontrou morada em ti. Ainda assim, sigo. Não porque deixou de doer, mas porque aprendi que amor sem retorno vira ferida, e feridas precisam de coragem para cicatrizar..”
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