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sábado, 16 de maio de 2026

RISPA

 Existem dores que parecem pequenas para quem olha de longe, mas são grandes demais diante de Deus para permanecerem escondidas. Rispa estava diante de uma cena que muitos já tinham aceitado como fim. Os corpos estavam expostos, a vergonha estava exposta, a dor estava exposta. Mas para ela não era apenas uma cena. Eram filhos. Era sangue. Era memória. Era honra.

Ela não tinha força para desfazer o que aconteceu, mas tinha amor para não deixar que o abandono completasse a tragédia. Rispa permaneceu onde muitos não suportariam ficar. Vigiou quando ninguém vigiava. Protegeu quando ninguém mais se importava. Ficou entre a dor e a vergonha como quem dizia sem palavras: isso aqui não vai terminar sem honra.

E foi ali que o silêncio dela começou a falar mais alto do que qualquer discurso. A fidelidade dela virou denúncia. A dor dela começou a incomodar o céu e a terra. Aquela mulher sem trono, sem título e sem aparência de poder carregava uma força que vinha do amor perseverante.

Até que aquilo que parecia invisível chegou aonde precisava chegar. A dor de uma mulher despertou autoridade. O que estava exposto recebeu sepultamento. O que estava sem honra foi tratado com dignidade. Rispa não trouxe seus filhos de volta, mas impediu que a história deles fosse encerrada com vergonha. Porque existem terras que só voltam a florescer quando histórias mal resolvidas são tratadas diante de Deus.


“Depois disto, Deus se tornou favorável para com a terra.”

2 Samuel 21:14

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