“.. Tem coisas que a vida não ensina de uma vez. Ela vai mostrando aos poucos, nas decepções que deixam marcas, nas despedidas que não tiveram aviso e nos encontros que pareciam eternos, mas não ficaram.
Por muito tempo, achei que insistir era uma prova de amor. Hoje entendo que amor de verdade não pede que a gente se abandone para manter alguém por perto. O que é verdadeiro encontra espaço para existir sem cobranças constantes, sem jogos, sem a sensação de que estamos sempre correndo atrás de algo que nunca chega.
Com o passar dos anos, fui percebendo que a paz vale mais do que qualquer vínculo que me faça duvidar do meu próprio valor. Que maturidade também é reconhecer quando uma porta se fecha e não gastar a vida tentando arrombar o que não quer permanecer aberto.
Nem toda perda é um castigo. Algumas são libertações disfarçadas de saudade. Algumas pessoas saem da nossa história para que a gente possa finalmente se reencontrar.
Hoje escolho permanecer onde há verdade. Onde as conversas são leves, os gestos são sinceros e a presença não precisa ser implorada. Escolho estar perto de quem soma silêncio confortável, não de quem transforma tudo em desgaste.
Continuo acreditando no amor, nas amizades e nos laços que atravessam o tempo. Apenas deixei de acreditar que preciso me diminuir para ser aceito. Aprendi que quem reconhece o nosso valor não nos faz viver em dúvida.
E talvez a maior mudança tenha sido essa: parei de procurar lugares para caber e comecei a permanecer apenas onde também existe espaço para mim…”
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