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terça-feira, 2 de junho de 2026

SENHOR

 O Espírito e o homem perfeito

“O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4:18,19).

A narrativa da Criação relata a origem de todas as coisas. No entanto, ela também marca o início do exercício do conhecimento humano. Em seu estado de perfeição, o homem desfrutava de habilidades que o impulsionavam rumo à descoberta das leis que governam o universo, com a intenção de submetê-lo segundo o próprio mandamento de Deus (Gênesis 1:28). Contudo, o conhecimento humano também deveria se expandir em termos de seu relacionamento com o Criador. Embora perfeito, o ser criado à imagem e semelhança de Deus deveria crescer na compreensão de todas as coisas. Isso significa crescer no conhecimento do próprio Deus. Sabemos que a Criação revela Deus (Salmo 19:1).

O apóstolo Paulo chega a dizer que “os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Romanos 1:20). Imagine o que isso representava na experiência do homem em sua perfeição! Na existência do homem perfeito, crescer no conhecimento de tudo o que foi criado significava aprofundar o conhecimento do próprio Deus. Mesmo esse conhecimento não era meramente especulativo, pois todo o conhecimento real que o homem poderia ter de Deus era experiencial, obtido dentro de um relacionamento com ele.

É por isso que o Senhor sempre se revelou ao homem por meio de alianças. Do paraíso em diante, houve várias alianças: a Aliança da Criação, com Adão antes da Queda; a Aliança do Princípio, com Adão depois da Queda; a Aliança da Preservação, com Noé; a Aliança da Promessa, com Abraão; e a Aliança da Lei, com Moisés; a Aliança do Reino, com Davi; e aquela que cumpre todas as anteriores, e chamada Nova Aliança em Cristo Jesus. É importante lembrar que esse relacionamento é interno. É de natureza espiritual, pois Deus é espírito (João 4:24).

Isso significa que o homem foi criado para ser o templo do Espírito Santo, e que essa foi de fato a experiência de Adão, antes da Queda. O Espírito Santo habitava plenamente o coração do primeiro casal. Quando o Criador soprou o fôlego da vida no homem (Gn 2:7) não trouxe apenas vida física ou corpórea, mas a habitação do próprio Espírito do Criador naquele ser, criado como um servo e aliado incomparável em toda a Criação.

Ao invés de um “poder” ou “força” impessoal, o Espírito Santo é apresentado nas Escrituras como o Executivo Divino. A Ele é atribuída toda a sabedoria necessária para a criação de todas as coisas, especialmente na constituição de toda a matéria viva. Vejamos o que diz a declaração bíblica: “Envias o teu Espírito, eles são criados, e, assim, renovas a face da terra” (Salmo 104:30). Este texto trata da formação do homem. De modo semelhante, após se referir ao Espírito, Davi afirma: “Pois tu formaste o meu íntimo; tu me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque de um modo assombroso e maravilhoso me fizeste” (Salmo 139:13-14a, cf. 7-12). Jó ecoa Davi, dizendo: “O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida” (Jó 33:4).

Como executivo da Divindade, o Espírito é a fonte imediata de toda a vida, concedendo-a a todos os seres vivos. As Escrituras também vinculam o mandato criativo de Deus à sua execução pelo Espírito: “Os céus foram feitos pela sua palavra, e pelo sopro da sua boca, o seu exército” (Salmo 33:6). Além disso, podemos ver na imagem do Ruach “pairando” sobre as águas em Gênesis 1, a presença integral de Deus na criação, ordenando e cumprindo o plano da mente divina. O Novo Testamento também apresenta o Espírito Santo como o executivo da Trindade. Seu papel é fundamental na salvação, especialmente na aplicação da redenção na vida dos eleitos, regenerando, chamando, selando, concedendo dons e capacitando e fortalecendo a igreja. Sempre que a questão envolve vida ou criação, o Espírito Santo é invocado, tornado visível mesmo na concepção sobrenatural de Jesus no ventre de Maria.

O texto epigrafado mostra o protótipo da humanidade perfeita, embora ainda em um estado de humilhação. Jesus recebeu o Espírito no seu batismo por João Batista para o capacitar ao ministério que tinha a realizar. A obra do Filho eterno de Deus nesta terra se deu exclusivamente no poder do Espírito. Não somente todos os milagres que realizou, expulsões demoníacas, se deram por meio da Terceira Pessoa da Trindade, mas também o poder e ousadia da proclamação do evangelho.

O Espírito que se ausentou de Adão quando o homem caiu é devolvido como resultado máximo da obra redentora de Jesus. Hoje, como Casa de Deus e Templo do Espírito, temos a mesma experiência de vida e poder, para viver para a glória de Deus em vida de dedicação e santidade, bem como, capacidades sobrenaturais para cumprir com nossa responsabilidade de crentes neste mundo caído. Não negligencie tamanha dádiva e bênção. Tenha um abençoado dia da presença de Jesus 

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