Uma criança de 8 anos, corintiana, recebeu a camisa de Neymar e chorou de emoção. O que deveria terminar como uma lembrança bonita virou uma cena de hostilidade por parte de alguns adultos.
E talvez seja justamente aí que esse caso deixe de ser apenas sobre futebol.
Aquela criança conseguiu sustentar duas coisas ao mesmo tempo: amar o Corinthians e admirar Neymar. Uma coisa não anulou a outra.
Na psicanálise, o pertencimento aos grupos é algo profundamente humano. O problema começa quando pertencer passa a exigir a rejeição de quem está do outro lado.
Quando o “nós” fica tão rígido que o “outro” deixa de ser apenas diferente e passa a ser tratado como ameaça, a agressividade encontra espaço.
E isso não acontece apenas nas arquibancadas.
Acontece nas redes sociais, na política, nas famílias, na religião e em tantos outros lugares onde discordar parece ter se tornado motivo suficiente para atacar.
Talvez aquela criança tenha nos lembrado de algo muito simples:
você não precisa odiar alguém para provar a quem pertence.
Agora me diga: estamos ficando menos tolerantes ou estamos apenas mostrando com mais facilidade aquilo que sempre esteve dentro de nós?
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