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terça-feira, 1 de setembro de 2026

ADULTO

 Uma criança de 8 anos, corintiana, recebeu a camisa de Neymar e chorou de emoção. O que deveria terminar como uma lembrança bonita virou uma cena de hostilidade por parte de alguns adultos.


E talvez seja justamente aí que esse caso deixe de ser apenas sobre futebol.


Aquela criança conseguiu sustentar duas coisas ao mesmo tempo: amar o Corinthians e admirar Neymar. Uma coisa não anulou a outra.


Na psicanálise, o pertencimento aos grupos é algo profundamente humano. O problema começa quando pertencer passa a exigir a rejeição de quem está do outro lado.


Quando o “nós” fica tão rígido que o “outro” deixa de ser apenas diferente e passa a ser tratado como ameaça, a agressividade encontra espaço.


E isso não acontece apenas nas arquibancadas.


Acontece nas redes sociais, na política, nas famílias, na religião e em tantos outros lugares onde discordar parece ter se tornado motivo suficiente para atacar.


Talvez aquela criança tenha nos lembrado de algo muito simples:


você não precisa odiar alguém para provar a quem pertence.


Agora me diga: estamos ficando menos tolerantes ou estamos apenas mostrando com mais facilidade aquilo que sempre esteve dentro de nós?


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