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terça-feira, 1 de setembro de 2026

VALOR

  Somos seres em contínua construção. Tenho consciência de que devo crescer muito ainda. No entanto, não posso me abalar com as observações superficiais de quem não conhece nosso propósito de vida. Cada qual pensa do seu jeito e emite opiniões que nem sempre correspondem com a verdade. Ainda bem que existem reconhecimentos que aquecem a alma, mas nenhum deles tem força suficiente para criar ou apagar a dignidade de alguém. O valor mais profundo de uma pessoa não nasce do olhar alheio, nem desaparece quando esse olhar falha, se distrai ou se torna incapaz de enxergar. Muitas dores interiores começam justamente quando entregamos aos outros a medida daquilo que somos. Ficamos aguardando uma palavra, uma aprovação, um gesto que confirme nossa importância, e, enquanto isso não vem, passamos a desconfiar de nós mesmos. Mas existe uma verdade mais silenciosa e mais firme: antes de qualquer opinião, antes de qualquer ausência, antes de qualquer rejeição, já havia em nós uma marca sagrada. Deus não nos fez por acaso, nem depositou vida em nosso coração para que ela dependesse da sensibilidade de quem passa. Ser reconhecido é bonito, mas não ser reconhecido não é sentença. Há pessoas que não percebem o bem porque estão presas demais às próprias feridas. Há quem receba amor sem saber agradecer, quem encontre delicadeza sem saber cuidar, quem se aproxime da luz e ainda assim escolha permanecer na sombra. Isso fala delas, não diminui quem ofereceu o melhor que podia. O amadurecimento começa quando a alma para de mendigar espelhos e aprende a repousar em sua própria verdade. Não uma verdade orgulhosa, mas humilde, serena, sustentada pela consciência de que Deus vê o que muitos não veem. Quando esse olhar divino se torna casa dentro de nós, a ausência de reconhecimento continua doendo, mas já não nos define. O coração pode sofrer sem se desvalorizar. Pode chorar sem se abandonar. Pode seguir sem precisar provar o tempo todo que merece existir, amar e ser respeitado. 

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