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sexta-feira, 3 de março de 2023

CRISTÃO



Com todas as críticas que faço ao cristianismo, em especial ao movimento evangélico brasileiro, alguns me perguntam a razão de não ter desistido do evangelho. Apesar das cruzadas, da Santa Inquisição, do fundamentalismo, das bizarrices gospel, meu coração segue apaixonado por Cristo e Sua mensagem. O que me atrai no evangelho não são os dogmas impostos pelo cristianismo, nem mesmo sua doutrina repleta de sentido, mas sua poesia. Respeito a todas as tradições religiosas, mas devo confessar que em nenhuma delas encontro algo que soe tão doce aos meus ouvidos do que o conceito da Graça. Haveria algo mais poético do que um Deus que deixa Seu trono de glória para vir ao encontro de Sua criatura rebelde para reconduzi-la aos Seus braços amorosos? O cristianismo se tornou no mais grave insulto a Jesus à medida que perverteu Sua mensagem e transformou o reino por Ele anunciado em um projeto de poder. A cruz foi destituída de seu significado original, sendo estampada nos armaduras e bandeiras dos colonizadores. A Graça foi substituída pela meritocracia com sua hiper valorização da performance. O amor cedeu lugar ao ódio e a intolerância contra os que não se adequem à sua moral. Em vez de generosidade despretensiosa, a ganância insaciável responsável por destruir o meio-ambiente com sua sanha consumista e imediatista. Apesar de tudo isso, sigo cristão, apostando minhas últimas fichas na proposta de Jesus. E sei que não estou sozinho. Estou em companhia de milhões ao redor do mundo que dariam sua própria vida para que esta chama jamais se apague. Somos a resistência. Somos o remanescente. O amor há de triunfar.

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