Nem toda ausência de conflito é paz. Às vezes, é apenas o silêncio de uma vida que aprendeu a não confrontar aquilo que precisa ser transformado.
Existe uma desarmonia que não faz barulho. Ela se instala quando, por fora, tudo parece estar no lugar, mas, por dentro, a alma já não encontra descanso.
E há uma diferença profunda entre estar confortável e estar em paz.
O conforto procura preservar o que conhecemos. A paz de Deus nos sustenta até mesmo quando precisamos deixar para trás aquilo que nos parecia seguro.
Muitas vezes, chamamos de paz o que, na verdade, é medo de mudanças. Evitamos conversas necessárias, adiamos decisões, permanecemos em ambientes que já não produzem vida e confundimos a ausência de movimento com estabilidade.
Mas a verdadeira paz não depende de circunstâncias perfeitamente organizadas. Ela nasce de uma confiança que permanece mesmo quando tudo ao redor está sendo reorganizado.
Jesus disse: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá.” (João 14:27)
A paz que Cristo oferece não é uma anestesia para a alma. Ela não nos impede de reconhecer o que dói, não nos afasta da verdade e não exige que finjamos estar bem.
Pelo contrário, ela nos dá segurança para enfrentar o que precisa ser enfrentado, sem perder a confiança em quem governa a nossa história.
Talvez Deus não esteja tirando a sua paz. Talvez Ele esteja confrontando um conforto que você confundiu com paz.
Porque nem toda desarmonia significa que algo está dando errado. Às vezes, é justamente quando Deus começa a colocar as coisas no lugar que percebemos o quanto estávamos acostumados com aquilo que estava fora dele.
E você? Tem vivido a paz que vem de Deus ou apenas a segurança de permanecer onde nada muda?
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