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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

PAZ

O mundo se encontrou com a velocidade e o ser humano anda por demais ansioso. Chegou a hora de acalmar e de aquietar o coração. Sim, antes que a casa desperte por inteiro, pode haver um instante em que nada nos chama. A água aquece, a claridade alcança a parede, e por alguns minutos não precisamos responder a nenhuma pergunta. Esses intervalos parecem pequenos diante de tudo o que temos para fazer. No entanto, podem devolver ao dia uma medida mais humana. Quando começamos já inteiramente tomados pela pressa, até as tarefas simples se tornam difíceis de habitar. Fazemos uma coisa pensando na seguinte, chegamos a um lugar preparando a saída. A calmaria permite perceber onde estamos e com que disposição desejamos seguir. Ela não precisa esperar férias ou uma rotina sem problemas. Pode nascer numa pausa breve, quando deixamos de acrescentar urgência ao que já exige atenção. O silêncio ajuda a reconhecer o cansaço, organizar uma prioridade, recordar alguém a quem queremos dedicar tempo. Deus pode ser encontrado nessa presença desarmada, sem palavras elaboradas nem promessas extraordinárias. Às vezes, a oração é apenas permanecer um pouco e agradecer pela vida que está sendo recebida. Há uma confiança discreta em admitir que nem tudo depende da nossa agitação. Ainda teremos compromissos, escolhas e imprevistos, mas podemos atravessá-los com menos violência interior. Recomeçar também envolve decidir o ritmo com que tocamos a própria história e a história alheia. Uma resposta mais atenta, um trajeto sem disputa, uma refeição vivida com presença já modificam a qualidade dos encontros. Talvez a paz não permaneça intacta ao longo de todas as horas. Podemos reencontrá-la em pequenos retornos, sem transformar cada distração numa culpa. O instante continua disponível, simples como a luz que entra. E o coração, quando aceita repousar um pouco dentro dele, recupera fôlego para caminhar, levando consigo a serenidade possível de quem já não precisa correr por dentro. 

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