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terça-feira, 10 de março de 2015
LIDER AUTENTICO
Eu cresci ouvindo comentários sobre a precoce maturidade para os meus tão poucos anos de vida. As pessoas me consideravam “maduro” demais para a minha idade. Na verdade, eu gostava de resolver problemas, no mínimo eu tentava fazê-lo. A praticidade é uma característica inerente à minha personalidade. Entretanto, esse “talento” para resolver problemas, gerava, muitas vezes, questionamentos e conflitos de alma. Isso acontecia quando uma situação não era esclarecida ou quando um ente querido enfrentava algum problema e eu não conseguia respostas suficientes para me fazer entender o que se passava.
Eu notava que os grupos de pessoas que se relacionavam: amigos, profissionais, famílias, e eu incluo aqui a minha, sobreviviam sem confrontar seus problemas, ou ao menos tentar resolvê-los. Nitidamente, eu percebia que esse tipo de comportamento era resultado da preocupação com a aparência, as pessoas têm de dar satisfação à sociedade, principalmente a quem está mais próximo. Essa preocupação exagerada é um sentimento pernicioso, pois aos poucos ela mina a alma dessas pessoas e vai destruindo algo vital: a autenticidade.
Existem muitos grupos de Rap, e todos expressam as perguntas sem respostas de uma sociedade, geralmente das classes menos favorecidas. Este estilo de música também aborda questionamentos sobre as injustiças da vida. O Rap é moda no Brasil e em outros países, contudo, são vozes que clamam nos desertos da indiferença. Como líder, tenho buscado o modelo de liderança de Jesus. Ele conhecia os Seus discípulos e os estimulava a pensar e a tomar atitudes. Jesus foi um Líder que motivava as pessoas a um novo estilo de vida: arrojado e prático. E essa motivação continua seduzindo milhares de pessoas que se escondem na mesmice de uma vida “morta” e perdida.
Jesus não era omisso. Tomé quis ver e tocar no sinal dos cravos na mão do Mestre e colocar a mão no Seu lado. Jesus não ficou indignado com o Seu discípulo. Ao contrário, se dispôs a estender as mãos e deixar que Tomé as visse, que tocasse nelas e pusesse a mão no Seu lado. O Senhor não desejou apenas satisfazer a curiosidade de Tomé. Ele quis ensinar o Seu discípulo: “… Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.” (Jo 20.29) Jesus foi incisivo, mas Suas palavras destilavam amor. Tomé não se intimidou por estar ao lado de seu Líder, ele sentiu-se à vontade para certificar e crer, porque nunca foi forçado a ser “camaleão”, a ajustar-se convenientemente às situações. Um líder deve desafiar seus liderados a terem firmeza de caráter e atitudes destemidas.
Todo líder deve ter cuidado para não exercer uma liderança omissa, que sufoca as pessoas e que as tornam verdadeiros “camaleões”. Um líder sem firmeza, que por conveniência está sempre se adaptando às mais diversas situações, vai “ativar” em seus liderados o mesmo procedimento. Em vez de pessoas motivadas e criativas, ele terá ao seu redor indivíduos egoístas e desestimulados, que preferem se “ajustar” a se expor e correr o risco de serem considerados os “encrenqueiros” da turma. Discordar nem sempre é sinal de rebeldia, na maioria das vezes indica perspicácia e criatividade.
Realmente, existe um grupo de pessoas predispostas à murmuração, à reclamação e a críticas destrutivas. Por qualquer motivo essas pessoas, em vez de irem à luta, reclamam, entram em desespero e se colocam como opositores sem causa. Outros porém, querem apenas um pouco de atenção para poder expressar seus sentimentos e suas ideias, e assim, obter as respostas de que precisam para desenvolverem suas atividades com liberdade e leveza de coração. Quando temos liberdade de expressão caminhamos sem medo de ser feliz e fazemos outros felizes também!
Feedback
Não é muito comum uma liderança que se disponha a ouvir a opinião dos seus liderados a respeito da sua gestão. Muitos líderes não consideram essa prática saudável e propícia, mesmo tendo liderados inteligentes e capacitados por Deus. Talvez você esteja achando absurda essa colocação, mas somente os verdadeiros líderes têm coragem de se expor, de considerar a apreciação de seus liderados. É hora de acordar, de sair da letargia de relacionamentos superficiais, de conveniências. Uma liderança eficaz é a que tem profundidade com Deus. E se há essa intimidade com Deus, há de se ter também com os irmãos. Não existe mais espaço para o narcisismo profissional, para o pensamento retrógrado de que o líder é uma pessoa inquestionável: “A melhor postura do liderado é a de ficar calado e deixar que as coisas aconteçam. Deus fala com o líder e ponto final.”
Temos na Bíblia um bom exemplo para ilustrar veridicamente esse ponto de vista: Moisés tinha uma personalidade forte e um bom caráter. Suas atitudes demonstravam claramente que o que ele queria não era poder ou riquezas, porque se assim fosse, não teria matado um egípcio para defender um israelita, alterando com isso toda a sua vida. Cumpriu-se assim, o propósito de Deus para a vida de Moisés.
Algo especial chama a minha atenção na vida de Moisés que conduzia o povo de Deus rumo a Canaã. Quando subiu ao monte Sinai para receber de Deus as tábuas da Lei, Moisés demorou, e o povo, impaciente, manipulou Arão para que construísse um bezerro de ouro. Deus não gostou da atitude do povo e disse para Moisés que exterminaria com aquele povo e faria dele, Moisés, uma nova nação.
Que proposta! Afinal, ela vinha da parte do próprio Deus, que falava com Moisés. Imagine-se recebendo de Deus essa proposta! Qual seria sua reação? O que responderia a Ele? Agora, imagine se você recebesse do seu líder ou do seu pastor uma proposta semelhante. Qual seria a sua atitude? Falaremos mais a respeito disso nos próximos encontros.
Moisés não ficou impressionado com a magnitude da proposta. Ele não se envaideceu nem massageou o seu ego. Imediatamente ele questionou a Deus. Uau!! Deus foi questionado! Moisés subestimou a inteligência de Deus?! Se Moisés vivesse hoje, certamente seria excluído ou “iria para o banco” e ficaria um bom período de castigo sem poder pregar. Felizmente, Moisés não questionou um líder qualquer, ele redarguiu seu próprio Criador! Isso mesmo. Moisés fez um feedback da ordem recebida, e Deus acatou a sua sugestão.
Vejo nessa passagem lições maravilhosas para nós lideres, mas quero destacar apenas duas:
Moisés amava realmente aquele povo, se assim não fosse, ele não teria confrontado Deus com tanta propriedade e conhecimento de causa.
Moisés não foi omisso. Ele foi positivo e tomou uma atitude em relação àquele episódio, e as pessoas viram-se obrigadas a decidir de que lado se posicionariam. (Êxodo 32.25-34)
Muitas vezes, nós mesmos temos de ser confrontados para que uma atitude correta seja tomada. De nada adianta liderar um ministério de “camaleões”, enquanto os questionamentos ficam por conta dos “caça-encrencas”, dos “desmancha-prazeres” e dos oprimidos. Esse tipo de liderança não acrescenta, não dá frutos, antes, oprime e mata! Acaso, agindo assim faremos diferença? Para Moisés foi mais importante escrever o seu nome no coração dos seus liderados do que ter uma nação aos seus pés e uma estátua com o seu nome!
Líder, vale a pena ouvir, apascentar, valorizar, incentivar, acreditar e dar segurança para quem está sob a nossa liderança. Agindo com esta ousadia estaremos formando um “exército” forte e verdadeiro que não tem do que temer: pessoas capacitadas e autoconfiantes que acreditam no poder de Deus e investem nos talentos que Ele lhes deu.
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