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sexta-feira, 24 de outubro de 2025

REINO

 “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus” (Mt 5:3)

Quando Jesus subiu ao monte para ensinar, não estava simplesmente oferecendo conselhos morais ou princípios de autoajuda espiritual. O Sermão do Monte é a magna carta do Reino de Deus, a declaração inaugural de uma ordem completamente nova. Ali, diante de multidões acostumadas ao legalismo farisaico e à opressão romana, o Mestre expôs os valores que governam aqueles que pertencem ao seu Reino.
As bem-aventuranças abrem esse sermão revelando quem são os verdadeiros cidadãos do Reino. Cada declaração funciona como uma ponte que nos conduz à compreensão da graça e à vida debaixo da bondade de Deus. Não descrevem o que devemos fazer para merecer o Altíssimo, mas quem nos tornamos quando somos alcançados por Ele. São retratos da alma transformada pela graça divina.
A primeira bem-aventurança afirma: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus” (Mt 5:3). O termo grego ptochoi, traduzido por “pobres”, não indica mera humildade pessoal ou modéstia religiosa, mas descreve falência absoluta, a condição de alguém reduzido a nada. Os “pobres de espírito” reconhecem sua completa bancarrota espiritual e sabem que não possuem bondade própria para oferecer, nenhuma justiça a negociar, nenhum mérito a apresentar. Compreendem visceralmente que, diante de Deus, estão de mãos vazias e corações descobertos, dependentes de Sua bondade, graça e misericórdia.
Essa pobreza de espírito é o oposto da autossuficiência que permeia nossa cultura e, tragicamente, infiltra em vários púlpitos. É a antítese do orgulho religioso que imagina conquistar o céu por esforço, conhecimento ou desempenho. A pobreza de espírito é reconhecer que sem Cristo não temos nada, não somos nada e não podemos nada.
Aqui reside o escândalo da graça: o Reino não pertence aos fortes, aos impressionantes ou aos autossuficientes. Pertence aos quebrantados. Deus resiste aos soberbos e concede graça aos humildes. A porta do Reino é baixa demais para que o orgulhoso passe de pé.

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