“Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros” (Lc 18:9).
A autojustiça é uma das expressões mais sutis e perigosas do pecado. Ela não grita; sussurra. Não se apresenta como maldade explícita, mas como convicção firme de que se está sempre certo. O coração tomado pela autojustiça avalia a vida a partir de si mesmo, mede os outros por seus próprios critérios e, quase sem perceber, passa a desprezar quem não corresponde às suas expectativas. Foi a esse coração que Jesus dirigiu sua advertência.
Quem vive dominado pela autojustiça raramente escuta. Já decidiu antes de ouvir. Já concluiu antes de ponderar. Suas palavras costumam ser firmes, mas seu coração é rígido. Há sempre uma explicação pronta, uma justificativa plausível, uma narrativa em que suas intenções são puras e suas ações, inevitáveis. O problema nunca é seu, mas sempre do outro. Quando muito, foi provocado, forçado ou mal interpretado.
Outro fruto amargo da autojustiça é a incapacidade de reconhecer o esforço alheio. Valoriza intensamente o que faz, mas minimiza o que os outros realizam. Seus sacrifícios são sempre grandes; os dos demais, quase irrelevantes. Seu cansaço é legítimo; o do próximo, exagero. Assim, relacionamentos se tornam desequilibrados, pois o orgulho cria uma régua injusta, onde apenas um lado é sempre digno de reconhecimento.
A raiz desse mal é o orgulho, e o antídoto é a humildade produzida pelo evangelho de Cristo. Quando compreendemos que fomos aceitos não por mérito, mas por graça, perdemos o direito de nos exaltarmos sobre os outros. A cruz nivela o terreno: todos carecem de misericórdia do Alto.
Examine seu coração: você costuma se defender mais do que refletir? Valoriza mais suas intenções do que o impacto de suas ações? Reconhece com gratidão o esforço dos outros? Está disposto a admitir erros sem justificativas longas?
Hoje, peça ao Senhor um coração quebrantado. Peça olhos para ver a si mesmo com honestidade e aos outros com graça. Abandone a necessidade de estar sempre certo e abrace o privilégio de depender da misericórdia de Jesus. Lembre-se que a autojustiça endurece, mas a graça transforma. E somente os humildes caminham livres diante de Deus e dos homens.
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