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domingo, 1 de fevereiro de 2026

EMOÇÕES

 O PECADO SE REVELA NAS EMOÇÕES


“Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Rm 12:15).


Este imperativo simples e profundo expõe não apenas o ideal dos relacionamentos cristãos, mas também confronta uma inclinação carnal presente em todos nós. Naturalmente, sem a obra contínua da graça, tendemos a fazer exatamente o oposto do que Paulo ordena: choramos quando o outro se alegra e, de forma ainda mais sombria, nos alegramos quando o outro chora.


A carne se entristece com a alegria alheia porque a alegria do outro pode revelar nossos ciúmes, invejas e espírito de competição. Quando alguém prospera, avança ou é honrado, o coração tomado pelo orgulho mede, compara e se ressente. Em vez de celebrar a graça de Deus derramada sobre o outro, a alma carnal pergunta silenciosamente: “Por que ele e não eu?”. Assim, a alegria do outro se torna motivo de amargura.


Da mesma forma, há uma perversidade sutil em alegrar-se com a dor alheia. Às vezes isso se manifesta como indiferença; outras vezes, como alívio secreto por não sermos nós a sofrer; e em casos mais graves, como satisfação maldosa diante da queda, da perda ou da humilhação do outro. É a carne encontrando conforto na miséria alheia, como se o rebaixamento do próximo exaltasse a vida de quem o observa.


Paulo, porém, descreve o caminho oposto, que só é possível pela ação do Espírito Santo. Alegrar-se com quem se alegra exige morte do ego, libertação da competição e contentamento na soberania de Deus. Chorar com quem chora requer compaixão verdadeira, silêncio respeitoso e disposição para sofrer junto. Ambos demandam presença, atenção e discernimento espiritual.


Este texto não fala de relações unilaterais. Não existem, na igreja, os que apenas celebram e os que apenas sofrem. Hoje nos alegramos, amanhã choramos. Hoje somos acolhidos, amanhã acolhemos. A mutualidade é fruto da graça e sinal de maturidade cristã.


Cristo é o nosso modelo perfeito. Ele jamais competiu, jamais se alegrou com a dor, jamais se entristeceu com o bem. Chorou diante da morte, alegrou-se com a fé e tomou sobre si as nossas dores.


Examine o seu coração: como você reage às vitórias dos outros? E como responde ao sofrimento alheio? Peça ao Senhor um coração quebrantado, livre da inveja e da maldade, sensível à alegria e à dor do próximo.


Que a graça de Deus nos ensine a viver o que a carne rejeita. Assim, o corpo é edificado, os relacionamentos são curados e Cristo é glorificado.

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