Não é fácil interpretar os fatos da vida com os olhos da fé, sobretudo quando são fatos dolorosos, que pesam sobre o coração, afetam a saúde da alma, enfraquecem as emoções e parecem roubar a esperança. Há circunstâncias que, vistas apenas pela ótica humana, produzem medo, revolta, ansiedade e confusão. Porém, quando olhamos para elas pela perspectiva da fé, percebemos que Deus continua presente, soberano e fiel.
Gostaria de convidar você a fazer como Ana. O cenário pessoal que ela enfrentou é bem conhecido. Sua história envolveu dor, pois a Escritura afirma que ela estava “com amargura de alma” e que “orou ao Senhor, e chorou abundantemente” (1Sm 1:10). Envolveu desprezo e provocação, pois Penina “a provocava excessivamente para a irritar” (1Sm 1:6). Envolveu também incompreensão, pois Eli, ao vê-la orando, pensou que estivesse embriagada (1Sm 1:13-14). Ana sentiu na própria alma o peso da aflição, da humilhação e da solidão.
Mas Ana procurou olhar para aqueles fatos com os olhos de quem crê que há Deus. Ela não interpretou sua história como abandono, nem sua dor como ausência do Senhor. Ao contrário, levou sua aflição à presença daquele que podia ouvi-la, sustentá-la e agir em seu favor.
Vejamos, portanto, como Ana enxergou a dor, o desprezo e a cura. Ela enxergou a dor como motivo para buscar o Senhor. Em vez de se fechar em amargura ou se perder em revolta, Ana orou. Sua dor não a afastou de Deus, mas a conduziu aos seus pés. A fé não elimina as lágrimas, mas nos ensina onde devemos derramá-las.
Quanto ao desprezo, ela o enxergou como algo menor do que a aprovação de Deus. Penina a provocava, Eli a julgou mal, mas Ana sabia que sua vida estava diante do Senhor. Por isso, não respondeu com vingança nem permitiu que a crítica definisse sua identidade. Quem vive diante de Deus não precisa ser governado pela opinião dos outros.
Finalmente, quanto à cura, ela a viu como obra da graça divina. Em seu cântico, Ana declara: “O meu coração se regozija no Senhor” (1Sm 2:1). Ela reconheceu que o Senhor havia transformado sua história. A alegria que agora cantava não era fruto do acaso, mas da intervenção graciosa de Deus.
Assim, olhe para os fatos da sua vida com os olhos da fé. Nem tudo que fere é sinal de derrota. Nem toda espera significa esquecimento. Nem toda lágrima anuncia o fim. Nas mãos de Deus, a dor pode tornar-se oração, o desprezo pode revelar dependência e a cura pode transformar-se em cântico para a glória do Senhor.
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