Todos nós carregamos feridas. Algumas são provocadas por perdas, outras por rejeições, injustiças, frustrações ou decepções. A questão não é se seremos feridos, mas como lidaremos com as feridas que chegam até nós.
Muitas pessoas escolhem caminhos perigosos. Algumas permitem que a dor se transforme em amargura. Outras alimentam ressentimentos durante anos. Há ainda aquelas que abraçam uma postura de vitimização permanente, passando a interpretar toda a vida a partir de suas feridas. Essas, porém, não são as rotas daquele que conhece a Deus e submete sua vida à sua Palavra.
A dor sempre produz algo em nós. Ela pode nos endurecer ou nos amadurecer. Pode nos afastar de Deus ou nos conduzir para mais perto dele. Pode gerar revolta ou adoração. Por isso, convido você a comparar a dor que Ana sofreu em 1 Samuel 1 com o cântico que ela entoou em 1 Samuel 2.
No período da aflição, Ana descreve a si mesma como uma mulher "atribulada de espírito" (1Sm 1:15). A Bíblia afirma que ela estava "com amargura de alma" e que "orou ao Senhor, e chorou abundantemente" (1Sm 1:10). Suas feridas eram profundas. Ela enfrentava a esterilidade, suportava as provocações constantes de Penina e carregava uma tristeza que a acompanhava diariamente.
Entretanto, quando chegamos ao capítulo 2, encontramos uma mulher cantando. Suas primeiras palavras são: "O meu coração se regozija no Senhor" (1Sm 2:1). A mesma mulher que chorou abundantemente agora celebra a bondade de Deus. A mesma mulher que experimentou a amargura da alma agora exalta a salvação do Senhor.
O mais interessante é que Ana não permitiu que suas feridas definissem sua identidade. Sua dor era real, mas não se tornou o centro de sua vida. Ela levou suas lágrimas ao Senhor e pediu que Deus moldasse seu coração durante o processo.
Essa é uma importante lição para nós. Não podem os impedir que certas feridas nos alcancem, mas podemos decidir o que faremos com elas. Quando levamos nossas dores à presença de Deus, elas podem se transformar em instrumentos de crescimento espiritual. As feridas não desaparecem magicamente, mas deixam de governar nossa vida.
Talvez hoje você esteja vivendo mais o capítulo 1 do que o capítulo 2. Talvez existam lágrimas que ninguém conhece e dores que poucos compreendem. Faça o que Ana fez. Derrame sua alma diante do Senhor. Abra seu coração em oração. Confie sua história àquele que conhece cada sofrimento. E quando Deus agir, não permita que suas feridas contem sua história. Faça como Ana. Transforme suas feridas em cânticos, sua aflição em adoração e sua dor em testemunho da graça e da fidelidade do Altíssimo.
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