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segunda-feira, 8 de junho de 2026

FASES

 

“Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento. Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Is 40:28-31)

A vida humana pode ser dividida em fases. Quando pequenos, a infância é marcada pelas descobertas. O mundo é uma grande aventura. Degusta-se cada momento sem as preocupações que se tornarão tão comuns na fase adulta. Sem elas, o tempo parece ser mais preguiçoso, dando a impressão que nunca alcançaremos a fase adulta. Os dezoito anos sempre estão muito longe. Quando chega a adolescência, começamos a entender o que é ser gente, para o bem e para o mal. Embora a infância também seja capaz de virtudes e maldades, é na adolescência que elas se tornam mais elaboradas, impositivas por uma vontade que se arvora progressivamente soberana.

A juventude é a primavera da vida, a fase da exuberância do ser humano. É quando a masculinidade e a feminilidade afloram e buscam a complementaridade no sexo oposto. Assim, formam-se os casais e as famílias. Pensa-se no progresso na carreira profissional e a constituição de um sólido alicerce financeiro, às vezes, apenas a consolidação das aspirações vocacionais da adolescência, ou, meramente encontrar um trabalho digno que dê condições de viver e constituir família.

Embora viva-se, desde o nascimento, um processo de maturação, alcançamos uma fase na vida adulta que parece que já experimentamos as principais coisas. É como se as novidades acabassem. As realizações tão almejadas, ou foram alcançadas, ou se tornaram completamente inviáveis. A vida se estabiliza em bases sólidas, ou, simplesmente, nos alicerces que construímos para ela. Com o passar dos anos, os olhos vão se desviando lentamente do elevado, das grandes expectativas que tínhamos, para baixo, para a realidade, quando o futuro já se tornou presente, desfazendo os sonhos, mostrando que não passavam de belas ilusões.

O que descrevemos até aqui são apenas decepções de uma vida de alguém que buscou suas próprias vontades, que tinha como centro a realização de meros propósitos pessoais. Para a grande maioria dos que assim vivem, a soma dos anos que passam acumula as coisas pretéritas, fantasmas de si mesmo, projeções daquilo que já se foi e do que já se viveu, ou miragens geradas no calor da juventude que se dissiparam com a frieza do presente. São realidades que só existem como imagens na memória. Nesse abismo da vida que ficou para trás desaparecem as maiores realizações. É como se o tempo desbarrancasse o nosso caminho. Na medida em que andamos, o chão que pisei já não existe, ruiu no tempo. Não há caminho atrás de mim. Olhar para trás é perceber o que já não existe. Olhar para frente é pretender viver o que ainda não há.

Quanto mais o tempo avança, perdemos o ritmo das realizações. Há progressiva desaceleração da consolidação do que se busca, aplanando cada vez mais a vereda, que vai se tornando monótona e sem desafios. O grande esforço vai se transformando em apenas viver. No entanto, quando estamos firmemente baseados na Rocha que é Cristo, encontramos o renovo diário.

As coisas que fazemos para nós podem se desmoronar com o desânimo da falta de perspectiva, porém jamais o que realizamos realmente para o Senhor, pois ele é a nossa força. O crente genuíno percebe uma enorme discrepância entre suas duas essências. Enquanto o corpo vai se curvando, cedendo paulatinamente ao peso dos anos que se acumulam, a alma amadurece mais e mais, tornando os problemas menos difíceis de serem enfrentados. Enquanto o corpo se enfraquece, a alma se fortalece.

Há quem diga que, no texto epigrafado, Isaías faz menção a uma espécie de ave que passava por verdadeiro “renascimento” em determinada época da vida. Quando já estava um tanto desgastada pela idade, procurava um lugar seguro em um penhasco, longe de qualquer perigo, arrancava as próprias penas e garras, e quebrava o bico contra a rocha. Nasciam novas penas, garras e bico. Esta seria a ilustração para os que esperam no Senhor, pelo renovar das forças que procedem de Deus.

Se isso é um tanto figurado, temos o exemplo concreto de Calebe. Assim Josué se refere a sua atitude: “Eis, agora, o Senhor me conservou em vida, como prometeu; quarenta e cinco anos há desde que o Senhor falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto; e, já agora, sou de oitenta e cinco anos. Estou forte ainda hoje como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força naquele dia, tal ainda agora para o combate, tanto para sair a ele como para voltar. Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou naquele dia, pois, naquele dia, ouviste que lá estavam os anaquins e grandes e fortes cidades; o Senhor, porventura, será comigo, para os desapossar, como prometeu” (Js 14.10-12). Mesmo avançado em dias, Calebe confiava no Senhor e em suas promessas, e conquistou aquilo que o Senhor lhe havia preparado.

Vivemos dias contraditórios, quando se quer viver a passividade justificada na vitimização de si mesmo. As pessoas renunciam a vida sem nenhuma causa real, que pudesse ao menos explicar sua atitude. A falta de perspectiva de Deus e da vida em Deus tem levado muitos ao vazio existencial, à total desesperança, o vazio abissal. Os antigos, nossos bisavôs, trabalhavam muito mais do que nós, experimentando tantas vezes distanciamento da família, sem meios de transporte adequados, em época quando não existia comunicação à distância. As enfermidades eram tratadas com remédios caseiros, não havia hospitais, as mulheres pariam seus filhos em casa, lavavam suas roupas na beira de rios ou em tanques com água tirada de poços. Os homens se gastavam em trabalhos pesados e manuais na roça, em pedreiras, em barcos, derrubando árvores, sem qualquer equipamento de proteção. Eram fortes fisicamente e fortes emocionalmente. Era comum ouvir o relato de alguns casais, já com algumas décadas de vida, dizendo que tiveram quinze filhos e morreram cinco, dez e morreram três. No dia seguinte ao enterro, já estavam de volta às atividades. Tal comportamento não era motivado por insensibilidade, mas por uma visão diferente da vida. A fonte do consolo deles era percebida na resposta que sempre davam: “Deus levou”, “Deus quis assim”.

O homem atual não está mais disposto a aceitar a vontade de Deus. Nem mesmo os chamados crentes a querem, antes esperam que o Senhor se modele a eles. De fato, os que esperam no Senhor encontrarão sempre forças para viver em todas as fazes da vida. A criança aprenderá o caminho em que deve andar para que, quando for velho, não se desvie dele. O adolescente e o jovem aprenderão a se alegrar intensamente na mocidade e a dar vazão aos desejos mais intensos do coração. Tratando-se de crentes, significava que viverão intensamente Cristo na primavera de suas vidas.

O já amadurecido não reclamará de falta de perspectiva, mas servirá a Jesus com a intensidade que as forças lhe permitirem, feliz e renovado a cada dia. “O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano. Plantados na Casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice darão ainda frutos, serão cheios de seiva e de verdor, para anunciar que o Senhor é reto. Ele é a minha rocha, e nele não há injustiça” (Sl 92.12-15). As forças do homem são limitadas, mesmo as da juventude, mas o poder de Deus é ilimitado em nós. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus 

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