Sempre gostei de podar roseiras. Contemplar, depois, a brotação exuberante é uma grande satisfação. A poda das parreiras também é inspiradora, mesmo sendo um trabalho exigente. Penso na minha caminhada: quantas podas já foram feitas. Muitas coisas novas surgiram justamente pelo fato de ter extinto alguns ‘galhos’. Há dores que parecem perda no primeiro momento, porque algo é retirado, interrompido ou deixado para trás. O coração sente a falta, estranha o vazio e tenta compreender por que aquilo precisou acontecer. Nem toda ausência, porém, nasce para diminuir a vida. Algumas retiradas possuem o sentido silencioso da poda. Deus, como jardineiro cuidadoso, sabe que há excessos que impedem o florescimento. Existem apegos que consomem energia, relações que sufocam a alma, hábitos que atrasam o crescimento e caminhos que já não conduzem ao bem. Quando algo disso é cortado, dói. A poda toca partes vivas, e por isso não deve ser tratada com superficialidade. Mas a dor não significa abandono. Pode significar cuidado. Há momentos em que Deus permite encerramentos para preservar aquilo que ainda precisa florescer em nós. No começo, vemos apenas o ramo caído. Depois, com o tempo, percebemos que a vida ganhou espaço, luz e possibilidade nova. A segunda-feira interior pede coragem para continuar mesmo quando o caminho parece mais vazio. Recomeçar depois de uma poda exige confiança, porque os frutos não aparecem imediatamente. Primeiro vem o silêncio, depois a espera, depois pequenos sinais de renovação. A alma amadurece quando aprende a distinguir perda de libertação. Nem tudo que sai fazia bem. Nem tudo que permanece deveria ficar. A fé nos ajuda a atravessar esses cortes sem transformar Deus em inimigo da nossa felicidade. Ele conhece a estação certa de cada crescimento e sabe preparar vida onde só víamos falta. E quando aceitamos ser cuidados também nos processos que doem, descobrimos que algumas ausências abriram espaço para uma vida mais simples, mais livre e mais verdadeira.
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