Salmo 42.5
Entre cento e cinquenta salmos, encontramos homens adorando, agradecendo, confessando pecados e clamando por livramento. Mas aqui acontece algo raro. Antes de continuar falando com Deus, o salmista resolve conversar com a própria alma.
Isso revela uma grande verdade. A vida espiritual não acontece apenas quando elevamos a voz ao céu. Ela também acontece quando permitimos que a verdade de Deus alcance aquilo que sentimos.
A alma é a sede das emoções. Ela conhece a alegria, mas também experimenta o cansaço. Ela celebra vitórias, mas também se abate diante das perdas. O problema nunca foi a alma sentir. O problema é quando ela passa a governar a nossa caminhada.
Por isso o salmista pergunta. “Por que estás abatida, ó minha alma?” Ele não faz essa pergunta porque desconhece a dor. Ele faz porque se recusa a permitir que a tristeza ocupe um lugar que pertence à esperança.
Logo em seguida ele responde à própria alma. “Espera em Deus.”
Que resposta extraordinária. Ele não diz para a alma negar o sofrimento. Também não manda esquecer o que aconteceu. Ele apenas a conduz de volta ao único lugar onde ela pode descansar. Deus.
Há momentos em que a alma se cansa sem que o corpo esteja cansado. Há lágrimas que nascem do medo do amanhã e não da realidade de hoje. Há pessoas cercadas pelas bênçãos de Deus, mas aprisionadas por sentimentos que nunca foram levados diante dele.
É por isso que precisamos aprender a conversar com a nossa alma. Não para alimentar a tristeza, mas para lembrá-la de que Deus continua sendo o mesmo. O Senhor não perdeu o controle da história. O tempo dele continua perfeito. O silêncio dele continua cheio de propósito.
Se hoje a sua alma está abatida, não a abandone aos próprios pensamentos. Leve-a outra vez à presença de Deus. A esperança sempre renasce quando a alma se lembra de quem o Senhor é.
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