A mente religiosa não discerne Jesus porque ela se prende tanto à forma que perde a essência. Foi isso que aconteceu em João 5:39-40. Jesus estava diante de homens que conheciam as Escrituras, defendiam a Lei, discutiam doutrina e se achavam guardiões da verdade, mas não conseguiram reconhecer Aquele de quem as próprias Escrituras falavam. Eles tinham leitura, mas não tinham rendição. Tinham zelo, mas não tinham quebrantamento. Tinham argumentos, mas não tinham amor. E esse é o perigo da religiosidade: ela faz a pessoa brigar por Deus sem parecer com Deus.
A mente religiosa se degladia porque quer vencer discussão, não quer ser transformada. Ela escuta para rebater, lê para acusar, corrige para se sentir superior e usa a verdade como pedra na mão. Enquanto Jesus curava, eles discutiam regras. Enquanto Jesus perdoava, eles procuravam motivos para condenar. Enquanto Jesus tocava em quem todos rejeitavam, eles se incomodavam porque a misericórdia de Jesus não cabia dentro do sistema deles.
E isso ainda acontece. Tem gente que conhece versículo, mas não conhece o coração do Pai. Fala de santidade, mas não tem compaixão. Defende doutrina, mas destrói pessoas no caminho. Se acha espiritual, mas vive endurecido, frio, acusador e incapaz de se alegrar quando Deus levanta alguém que não veio do seu meio, não fala do seu jeito e não cabe na sua forma de pensar.
Jesus não confrontou a verdade. Jesus confrontou a religiosidade sem vida. Porque doutrina sem amor vira peso. Palavra sem misericórdia vira acusação. Zelo sem humildade vira orgulho disfarçado de santidade.
Por isso a pergunta não é apenas se eu conheço a Bíblia. A pergunta é se a Bíblia tem quebrado o meu coração, tratado a minha mente e me feito parecer mais com Cristo. Porque quem discerne Jesus não vive em guerra para provar que está certo. Quem discerne Jesus se rende, ama, obedece e carrega a verdade sem perder o coração.
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