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terça-feira, 7 de julho de 2026

ETERNA

 

“Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo 3.36).

Pelo menos em alguma coisa nossa atual condição de seres humanos caídos se assemelha à experiência perfeita de Adão antes da queda: o desconhecimento do que nos aguarda. Para o primeiro homem, a penalidade da quebra da primeira aliança, qual seja, a morte, se comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, só poderia ser conhecida conceitualmente, por meio de uma lógica reversa. Nada morria no paraíso! Vivendo as delícias santas e puras do Éden e da presença de Deus, só poderia imaginar o que seria morte como a perda de tudo isso. No caso do homem caído, igualmente só pode imaginar o que seja a vida prometida em Cristo pensando no que seria a erradicação do pecado, isto é, uma ordem reversa àquilo que ainda vivemos hoje, mesmo regenerados pelo Santo Espírito. Conquanto já comecemos a viver a partir da conversão, ainda é um pálido e distante reflexo da vida em plenitude, na volta à habitação do paraíso junto de Deus no último dia. Tal realidade é inalcançável para nossa mente limitada à realidade caída, acostumada ao pecado e a tudo o que é corruptível. Colocando isso de outra forma, nosso intelecto está limitado à morte em um mundo mortal. É por isso que, citando as palavras de Isaías, Paulo afirmou: “mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Co 2.9).

Esse desconhecimento é quanto à essência de nossa posterior existência, conquanto saibamos o que ela será: vida plena, na Criação restaurada (Rm 8.18ss). O crente atual tem desenvolvido uma ideia parcial e errada da própria eternidade com Deus. Geralmente pensa em estar espiritualmente com Deus no céu para todo sempre, o que seria a eternização da “morte”. Geralmente o ser-humano imagina como “morto” algo inerte ou aniquilado. No entanto, nas Escrituras, morte descreve o estado de separação entre o corpo e a alma. Portanto, todos os que já morreram em Cristo, por mais redundante que possa parecer, estão mortos. A alma, viva para Deus no céu, não significa ainda a vida que Jesus trouxe. Seguramente, é parte dela. Todavia, a única coisa que vence a morte realmente é a ressurreição! É por isso que o apóstolo Paulo acentua a ressurreição como a própria salvação. Assim, argumenta que, se Cristo não ressuscitou é vã a nossa fé, vã a nossa salvação, e somos os mais infelizes de todos os homens (1 Co 15.12ss).

É interessante que o equívoco de fé visto em muitos crentes mostra uma verdadeira disruptura entre nós e Cristo. Um dos pontos centrais da teologia paulina é nossa união com Cristo. Somos salvos porque tudo o que aconteceu com Jesus nós já experimentamos. Colocando isso de outra forma, porque nosso Senhor já morreu, ressuscitou, foi assunto aos céus e se assentou em seu trono, todas essas experiências já estão em nós, pois estávamos com ele quando passou por elas, bem como, continuamos a ele unidos. Quando Jesus entregou seu espírito na cruz dando o seu último suspiro, ali ele passou pela derrota da morte, a nossa condenação e o nosso inferno. A vitória sobre a morte se dá na ressurreição. Por isso a morte é o último inimigo a ser vencido. Não há vida, não há vitória, sem a ressurreição! No entanto, pensa o crente que Jesus ressuscitou para nos dar o céu! Aí está a separação! Jesus ressuscitou fisicamente para habitar a matéria, enquanto nós ficamos espiritualmente gloriosos para habitar no céu? Ficaremos eternamente longe do Salvador? A vida eterna é física, não apenas espiritual! A verdadeira vida trazida por Cristo é a anulação da morte, para que possamos viver eternamente nesta terra restaurada, ressuscitados, tendo-o a reinar fisicamente sobre nós eternamente. O crente hodierno parece ter esquecido, ou talvez, jamais aprendido, essa preciosa verdade. Tal é a vida que nosso Senhor nos concede.

Nos psicológicos e sentimentais dias atuais, parece até mesmo estranho ouvir Jesus falando sobre “ira de Deus”. Ora, Deus não é tão bom, praticamente complacente e inativo contra os erros de seus filhos? De jeito nenhum. Entendamos que, por mais que queiramos ser solidários com a raça humana, afinal, é a nossa espécie, ela está sob o juízo de Deus. Desde que Adão desobedeceu a ordem de Deus no Éden, toda a humanidade está cativa ao domínio do pecado. Não consegue fazer outra coisa, pois mesmo as melhores obras que ocorrem no mundo natural são feitas não orientadas para Deus e sim para os próprios homens. Ao desconsiderar Deus como objetivo maior de sua vida, o ser-humano vive para si mesmo e não pode operar o bem. Assim, devemos entender que a condenação não é um ato futuro de Deus, mas passado. Todo ser-humano, mesmo o salvo, nasce condenado (Ef 2.1-3; Fp 1.13). No caso do eleito, só após sua regeneração pelo Espírito Santo é que sai de debaixo da condenação e assume seu lugar na família divina, adotado filho de Deus. Em outras palavras, a herança que recebemos de Adão é a perdição na qual nós já nascemos.

A nossa salvação é uma intervenção de Deus em nossa história, uma nova condição, enquanto a perdição é o status natural de todo ser-humano. Deus, em Cristo, tem como propósito nos devolver a vida. Ninguém pode conhecer, de fato, o que é viver, a não ser em Jesus. É importante considerarmos que aquilo que nós reconhecemos como “vida” em nossa atual existência é, na verdade, um “morrendo”. A tentativa humana de se dedicar a tal “morte gerúndia” evidencia seu desligamento do Criador. A vida genuína concedida por Deus, como a que Adão experimentou antes da queda, é sinônima de perfeição, o que exclui qualquer tipo de degeneração e, assim, toda espécie de sofrimento e morte. Essa vida, nós já começamos a experimentar em Cristo nesta terra, tendo o desafio de antecipá-la o máximo possível. Enfatiza-se, dessa forma, o aspecto existencial ou experimental do nosso relacionamento com Deus. Crer em Cristo não significa, meramente, uma informação armazenada em nossa mente, mas a assimilação de uma verdade tão poderosa que transforma radicalmente a existência. Não existe fé sem mudança de comportamento. É marcada pelo abandono imediato e repentino dos vícios e das cobiças e a assimilação instantânea de disposições da alma e atitudes resultantes e em consonância a esta transformação. Conquanto não se possa esperar maturidade espiritual de um recém-convertido, é importante reconhecer que, mesmo a vida de um recém-nascido na fé tem que apresentar mudanças notáveis se comparada ao seu estado anterior.

Em época quando a cristandade tem sido tão influenciada pelo mundo, em que se explica o pecado de outras formas, especialmente à luz das mudanças de padrões sociais, legitimando muitas das práticas da carne, é imperioso afirmar a necessária transformação do indivíduo como única evidência concreta de conversão. Ela é o fruto do Espírito. Sem isso, a Terceira Pessoa da Trindade está ausente e, consequentemente, prova que tal pessoa nunca passou pelo novo nascimento. Tratar-se-ia apenas de “fé conceitual”, ou seja, que não passa de uma informação armazenada na mente, que não gera nova vida interior e prática. Há algum tempo foi veiculado nas redes sociais um vídeo onde mostrava alguns bandidos orando antes do “serviço”, pedindo a Deus que os abençoasse. Chegou ao nosso conhecimento outra ocorrência. Uma senhora conhecida sofreu um sequestro relâmpago. Eram dois rapazes, um demonstrando truculência e o outro mais calmo. Este, percebendo a aflição da vítima, procurou consolá-la, explicando que eles eram evangélicos e que nada lhe aconteceria. Depois de passar por alguns caixas eletrônicos e “limpar a conta” da senhora, deram dinheiro (dela) para que pegasse um ônibus.

Embora sejam exemplos extremos, a mesma realidade tem ocorrido com a grande maioria dos crentes em escala menor, na permissividade e lassidão que percebemos em nossos dias. Busquemos ao Senhor com intensidade e vivamos mais e mais a vida que já recebemos em Jesus Cristo. Viva o entusiasmo da maravilha que nos está preparada nesta terra restaurada na ressurreição. Não desperdice a glória da vida plena prometida para você em Jesus. Seja ousado na vida cristã, externando aquilo que você realmente é como filho de Deus. Não tenha medo! Viva a exuberância da vida em Cristo. Tenha um abençoado dia na presença de Jesus 

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